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Justiça

AGU pede investigação da PF sobre vídeos misóginos que incentivam violência contra mulheres nas redes

Redação Blé NewsRedação Blé News
10 de março de 2026 às 04:58· Atualizado em 14/03/2026 às 21:49

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Uma trend chocante viralizou na internet nos últimos dias
Uma trend chocante viralizou na internet nos últimos diasJoédson Alves/Agência Brasil

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Conteúdos virais mostravam homens simulando agressões caso fossem rejeitados em relacionamentos; responsáveis podem responder por incitação ao feminicídio e outros crimes

A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou à Polícia Federal (PF) a abertura de investigação contra usuários que publicaram vídeos misóginos incentivando violência contra mulheres nas redes sociais. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (9), após a circulação de conteúdos virais em plataformas digitais.

Nos vídeos, homens aparecem simulando socos, chutes e facadas contra mulheres em situações de rejeição amorosa, como um fora, recusa de beijo ou pedido de casamento. As publicações eram acompanhadas da legenda: “Treinando caso ela diga não”.

Segundo a AGU, os conteúdos tiveram origem em quatro perfis no TikTok, já removidos pela plataforma, mas os responsáveis ainda podem ser responsabilizados criminalmente.

De acordo com o órgão, a disseminação desse tipo de conteúdo representa uma ameaça real aos direitos fundamentais das mulheres.

A circulação sistemática de conteúdo misógino em plataformas digitais representa ameaça concreta aos direitos fundamentais das mulheres”, afirmou a AGU em nota.

Investigação pode enquadrar autores em vários crimes

Caso confirmadas as irregularidades, os responsáveis pelos vídeos podem responder por incitação à prática de crimes, incluindo:

  1. Feminicídio
  2. Lesão corporal
  3. Violência psicológica contra a mulher
  4. Ameaça

Especialistas alertam que a responsabilidade pode ser ampliada caso alguém pratique agressões inspirado nos conteúdos.

A advogada criminalista Pamela Villar explica que a publicação desses materiais pode ter consequências jurídicas graves.

Segundo ela, se uma pessoa agredir uma mulher motivada por esse tipo de conteúdo, o autor do vídeo também pode ser responsabilizado criminalmente por incentivar a prática do crime.

O crescimento da misoginia nas redes

Os vídeos surgem em meio ao crescimento de comunidades digitais associadas à chamada “machosfera”, um conjunto de grupos online que propagam discursos misóginos e hostis contra mulheres.

Entre os grupos mais conhecidos estão:

  1. Red pills – comunidades que defendem que homens seriam oprimidos pela sociedade moderna e pelas mulheres
  2. Incels – homens que afirmam não conseguir relações afetivas ou sexuais e culpam mulheres por isso

Esses espaços digitais frequentemente promovem conteúdos que reforçam comportamentos agressivos e discursos de ódio.

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Debate sobre regulamentação das redes

A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) denunciou os vídeos ao Ministério Público e criticou a falta de regulamentação das redes sociais no Brasil.

Segundo a parlamentar, conteúdos violentos costumam ser tratados como “brincadeira” ou “liberdade de expressão”, quando na realidade incentivam crimes.

A deputada também defende um projeto de lei que tipifica a misoginia coordenada nas redes sociais como crime.

Violência contra mulheres segue em alta no Brasil

Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que o país enfrenta um cenário preocupante:

  1. 1.547 feminicídios registrados em 2025
  2. Média de quatro mulheres assassinadas por dia
  3. 131 feminicídios em janeiro deste ano, aumento de quase 5% em relação ao mesmo período do ano anterior
  4. 5.200 estupros registrados em janeiro, cerca de 168 por dia

Diante desse cenário, autoridades reforçam que a normalização da violência nas redes pode contribuir para ampliar comportamentos agressivos no mundo real.

Como denunciar violência contra a mulher

Casos de violência podem ser denunciados pelos seguintes canais:

📞 190 – Polícia Militar

📞 180 – Central de Atendimento à Mulher

📞 100 – Disque Direitos Humanos

🏢 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher

As denúncias podem ser feitas de forma anônima e são fundamentais para combater a violência.


Fonte; Agência Brasil

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