Aneel critica Enel por ação na Justiça e promete recorrer em processo de caducidade

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Distribuidora tenta suspender análise que pode levar ao fim da concessão em São Paulo após crise no fornecimento de energia.
A disputa entre a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Enel ganhou um novo capítulo nesta semana. A distribuidora entrou na Justiça para tentar suspender o processo de caducidade do seu contrato em São Paulo — medida que pode resultar no rompimento da concessão.
O pedido foi protocolado na terça-feira (17), e surpreendeu o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, que criticou duramente a iniciativa. Segundo ele, a agência vai recorrer caso a Justiça aceite o pedido da empresa.
De acordo com Feitosa, a tentativa da Enel de barrar o andamento do processo administrativo foi vista como uma interferência indevida.
“Nos causa muita surpresa que a empresa esteja tentando interferir no processo da Aneel por vias transversas”, afirmou.
O diretor reforçou que não há decisão final tomada até o momento — apenas a continuidade de um processo que segue os trâmites legais.
Foto; Reprodução/Noticias do Planalto
Crise no fornecimento motivou possível rompimento
O processo de caducidade da concessão foi aberto após uma série de críticas à qualidade dos serviços prestados pela Enel na Grande São Paulo.
A pressão política aumentou quando o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), se uniram para pedir o rompimento do contrato.
Moradores e comerciantes enfrentaram diversos episódios de falta de energia, o que intensificou a pressão sobre a concessionária.
Em tom direto, Feitosa fez críticas contundentes à estratégia jurídica da empresa.
“Recomendo fortemente que a empresa gaste menos dinheiro com advogado e mais esforço para melhorar o serviço ao cidadão”, disparou.
Segundo ele, o papel da Aneel é fiscalizar, aplicar penalidades e, se necessário, recomendar a caducidade — decisão final que cabe à União.
Apesar da tensão, o processo ainda está em fase de análise. A Aneel prorrogou o prazo para discussão até o dia 24 de março, quando o caso voltará à pauta.
Historicamente, a agência já recomendou a caducidade de contratos em cerca de 30 ocasiões, principalmente no setor de transmissão de energia.
Posição da Enel
Em nota, a empresa afirmou confiar no sistema jurídico brasileiro e nos argumentos apresentados.
A Enel defende que qualquer decisão deve ser tomada com base técnica, legal e imparcial.
Fonte; Agência Brasil
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