BleNews
BleNews
Siga-nos
Povo de Axé

Ataque a terreiro de Umbanda em São Bernardo do Campo expõe avanço da intolerância religiosa

Redação Blé NewsRedação Blé News
19 de março de 2026 às 01:41· Atualizado em 26/03/2026 às 02:52

Compartilhar notícia

Terreiro Flechas da Aruanda em São Bernardo do Campo
Terreiro Flechas da Aruanda em São Bernardo do CampoRuan Carlos

PUBLICIDADE

Espaço para anúncio

Espaço foi alvo de dois ataques durante rituais; cerca de 40 pessoas estavam no local, incluindo crianças e idosos.

Um terreiro de Umbanda em São Bernardo do Campo, SP, foi alvo de dois ataques violentos com pedras e garrafas de vidro durante cerimônias religiosas noturnas, deixando frequentadores assustados e reacendendo o alerta sobre intolerância religiosa no Brasil.

O espaço, conhecido como Terreiro Flechas da Aruanda, atua há cerca de 15 anos no bairro Vila Santa Luzita e foi atacado em duas ocasiões: nos dias 23 de fevereiro e 2 de março, sempre por volta das 22h, enquanto os rituais estavam em andamento.

Segundo relatos do sacerdote Adriano e de pessoas presentes, objetos foram arremessados contra o telhado do terreiro, causando danos estruturais e colocando em risco a segurança de todos.

De acordo com testemunhas, os ataques ocorreram em momentos de plena atividade espiritual, quando o local estava cheio. Aproximadamente 40 pessoas participavam das cerimônias — entre elas mulheres, crianças e idosos.

Pedras de grande porte e garrafas de vidro foram lançadas contra o espaço, gerando pânico entre os presentes.

Apesar do susto e dos prejuízos materiais, não houve registro de feridos.Foto; Reprodução/Terreiro Flechas da Aruanda

Após os episódios, o clima no terreiro é de apreensão. Frequentadores relatam medo de novos ataques e cobram providências para garantir a segurança durante os encontros religiosos.

Casos como esse reforçam uma realidade ainda enfrentada por praticantes de religiões de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé: a violência motivada por intolerância.

Situações semelhantes vêm sendo registradas no ABC Paulista. Durante a Semana da Consciência Negra de 2025, um outro caso de intolerância religiosa foi registrado na região de Mauá, SP. O apresentador Dote Rique Badàgri, do programa Momento dos Orixás Búzios, da emissora regional EcoTV, denunciou que seu terreiro foi atacado por vizinhos, que arremessaram pedras contra o telhado do espaço religioso.

O próprio sacerdote registrou a situação em vídeo nas redes sociais, mostrando os danos causados dentro do chamado “quarto de santo”, local considerado sagrado nas religiões de matriz africana.

Estou dentro do meu quarto de santo, o útero sagrado, olha o estado”, relatou, visivelmente abalado.

Segundo Dote, a polícia foi acionada após o ataque.

O sacerdote Pai Adriano registrou boletim de ocorrência no 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo no dia 6 de março de 2026, quatro dias após o segundo ataque.

Segundo ele, há preocupação com a segurança da comunidade e sensação de despreparo por parte das autoridades para lidar com casos envolvendo religiões de matriz africana.

Terreiro Flechas da Aruanda em São Bernardo do Campo — Foto; Ruan Carlos

Intolerância religiosa cresce no Brasil

Dados do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos, mostram que entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026 foram registradas 2.774 denúncias de intolerância religiosa no país.

📌 Em 2024, foram 2.472 casos
📌 Só no início de 2026, já são 51 denúncias

Os estados com mais registros são:

  • São Paulo: 667 casos

  • Rio de Janeiro: 446

  • Minas Gerais: 323

  • Bahia: 211

Religiões afro-brasileiras são as mais atingidas

Entre os registros, as religiões de matriz africana lideram os casos:

  • Umbanda: 228 denúncias

  • Candomblé: 161

  • Ambas: 47

Especialistas apontam que muitos desses episódios configuram racismo religioso, caracterizado por ataques diretos às tradições afro-brasileiras.

76% dos terreiros já sofreram racismo religioso

Um estudo do relatório “Respeite Meu Terreiro” revelou dados alarmantes:

  • 76% dos terreiros já sofreram racismo religioso

  • 80% tiveram membros vítimas de violência

  • 93% dos grandes terreiros relataram discriminação

Entre os principais tipos de violência estão:

  • Discriminação (76%)

  • Agressões verbais (14%)

  • Xingamentos (8%)

  • Agressões físicas (3%)

📞 Como denunciar

Casos de intolerância religiosa podem ser denunciados pelo Disque 100, que funciona 24h, gratuitamente.

Também é possível denunciar via:

  • WhatsApp: (61) 99611-0100

  • Telegram: direitoshumanosbrasil

  • Site do Ministério dos Direitos Humanos

Intolerância religiosa é crime

A prática de intolerância religiosa é crime no Brasil e pode resultar em punições legais. Especialistas reforçam a importância da denúncia para garantir a proteção dos espaços religiosos e de seus frequentadores.

PUBLICIDADE

Espaço para anúncio