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Economia

Banco Master: Galípolo revela o que chamou atenção do BC

Redação Blé NewsRedação Blé News
19 de maio de 2026 às 19:28

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Galípolo detalha operação do Banco Master sob investigação
Galípolo detalha operação do Banco Master sob investigaçãoEdilson Rodrigues/Agência Senado

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Presidente do Banco Central afirmou no Senado que criação de novas carteiras em meio à crise de liquidez acendeu alerta sobre o Banco Master.

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (19), durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que a criação de novas carteiras de investimentos pelo Banco Master foi o principal sinal de que havia problemas graves na gestão da instituição financeira comandada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo Galípolo, o comportamento do banco chamou atenção porque ocorria justamente em um momento de crise de liquidez. Em vez de vender ativos para levantar caixa, o Master teria passado a estruturar novas carteiras de investimentos para captar recursos no mercado. O caso ganhou ainda mais repercussão após investigações envolvendo suspeitas de fraudes bilionárias em créditos negociados com o Banco Regional de Brasília (BRB).

O presidente do BC também explicou que o Banco Master assinou um termo de compromisso com a autoridade monetária em novembro de 2024, recebendo prazo de seis meses para reorganizar questões de governança, capital e liquidez. Mesmo assim, a situação se agravou até culminar na liquidação extrajudicial da instituição em novembro de 2025.

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Durante a audiência, Galípolo explicou aos senadores que o comportamento financeiro do banco contrariava a lógica esperada para instituições em crise de liquidez.

Segundo ele, quando um banco enfrenta dificuldade de caixa, o mais comum é vender carteiras existentes para obter recursos rapidamente. No entanto, o Master teria adotado o caminho oposto.

Se você tem um banco com dificuldade de liquidez, você não forma carteira. Se você está com dificuldade de dinheiro, você vende carteira”, afirmou o presidente do BC.

A fala reforçou o entendimento do Banco Central de que algo estava errado na estratégia adotada pela instituição financeira.

Foi isso que chamou a atenção do BC imediatamente”, declarou Galípolo.

Após o acordo firmado com o Banco Central em 2024, o Banco Master passou a buscar recursos no mercado utilizando garantias do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Com o avanço das restrições, a instituição também tentou captar dinheiro junto a fundos de investimento privados, mas não conseguiu obter sucesso.

Nesse período, o banco intensificou negociações envolvendo venda de carteiras, principalmente para o BRB.

A operação acabou entrando na mira da Polícia Federal (PF), que investiga suspeitas de fraude envolvendo cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos vendidos ao banco público ligado ao Governo do Distrito Federal.

A relação entre o Banco Master e o BRB passou a ser acompanhada de perto pelas autoridades após denúncias sobre possíveis irregularidades na negociação de ativos financeiros.

A PF investiga se créditos vendidos pelo Master ao BRB apresentavam inconsistências ou fraudes contábeis bilionárias.

O caso ganhou ainda mais repercussão depois que o BRB tentou adquirir o Banco Master, operação que acabou barrada pelo Banco Central.

Leia também: Ciro Nogueira: PF aponta pagamentos de mesada até R$ 500 mil do banqueiro Daniel Vorcaro

Banco Master criou novas carteiras em meio à crise

De acordo com Galípolo, o cenário se agravou a partir de janeiro de 2025.

Foi nesse período que o Banco Central identificou que o Master começou a estruturar novas carteiras de investimentos mesmo enfrentando forte deterioração financeira.

A movimentação levou a autoridade monetária a criar um grupo específico para acompanhar as operações da instituição.

A liquidação extrajudicial do banco ocorreu em 18 de novembro de 2025, cerca de dez meses após o início do monitoramento mais intenso por parte do BC.

Investidores árabes e tentativa de “autoliquidação”

Antes da liquidação oficial, o Banco Master ainda apresentou outra proposta ao Banco Central e ao FGC.

Segundo Galípolo, a instituição afirmou que faria uma saída organizada do mercado por meio de uma espécie de “autoliquidação”, envolvendo supostos investidores árabes.

O presidente do Banco Central disse, porém, que nunca chegou a conhecer esses investidores.

A proposta previa que os novos investidores assumiriam o controle da operação para evitar impactos maiores no mercado financeiro.

“Jamais tive conhecimento deles”, afirmou Galípolo durante a audiência.

Risco sistêmico no sistema financeiro

Apesar da repercussão do caso, o presidente do Banco Central afirmou que a quebra do Banco Master não representava risco sistêmico para o sistema bancário brasileiro.

Segundo ele, a participação da instituição no mercado era inferior a 0,5% do sistema financeiro nacional.

Galípolo ponderou ainda que o maior questionamento do mercado estava relacionado ao destino dado aos recursos movimentados pelo banco.

Além disso, ele defendeu que a liquidação de uma instituição financeira não deve ser interpretada como punição direta aos gestores responsáveis pelos problemas.

Leia também: Operação Compliance Zero prende pai de Daniel Vorcaro

Banco Central defende liquidação do Banco Master

Para o presidente do BC, a liquidação de uma instituição ocorre quando não existe mais viabilidade operacional.

Galípolo afirmou que medidas extremas acabam impactando clientes e correntistas, que também se tornam vítimas da má gestão.

Segundo ele, o objetivo do Banco Central foi preservar a estabilidade do sistema financeiro e evitar efeitos maiores sobre o mercado.

Com as investigações ainda em andamento, o caso do Banco Master segue sendo acompanhado por autoridades financeiras e órgãos de controle, especialmente diante das suspeitas envolvendo operações bilionárias e possíveis fraudes contábeis.

 Com informações da Agência Brasil 

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