BH recebe ato contra racismo com programação gratuita e forte apelo social

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Ato “Zumbi e Dandara Vivem em Nós” reúne cultura, ancestralidade e debate político em Belo Horizonte no Dia Internacional contra a Discriminação Racial.
No próximo dia 21 de março, Belo Horizonte será palco de um importante ato de resistência, cultura e conscientização. O evento “Zumbi e Dandara Vivem em Nós”, realizado na Praça Floriano Peixoto, chama atenção para a luta contra o racismo e o racismo religioso, com programação 100% gratuita.
A ação acontece em uma data simbólica: o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, criado pela ONU, e também o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações de Candomblé, instituído no Brasil em 2023.
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| Roda de Capoeira, Cultura, ancestralidade e resistência no espaço público – Foto; Patrick Arley |
Em sua quarta edição consecutiva na capital mineira, o evento reúne manifestações culturais e religiosas que reforçam a importância das tradições de matriz africana.
A programação inclui:
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Atrações infantis
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Capoeira
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Ritualística
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Shows musicais com Bloco Samba D’Ouro, Cinara Gomes e Dona Eliza
Para Pai Ricardo, um dos organizadores, o ato vai além de uma celebração.
“É um dia para ocupar, reivindicar direitos e denunciar. Não é só celebrar, é também mostrar que os povos de matriz africana são a base da identidade do país.”
Já Mãe Ana Maria destaca que o evento também levanta outras pautas urgentes:
“É um ato pelo fim da intolerância religiosa, do racismo nas escolas, do feminicídio e do encarceramento da população negra.”
Dados mostram avanço do racismo no Brasil
O evento ganha ainda mais relevância diante de números preocupantes:
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51% dos brasileiros já presenciaram racismo
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81% acreditam que o Brasil é um país racista
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Mais de 8.500 processos por racismo foram registrados em 2025, número recorde
No campo religioso, a situação também alarma:
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2.774 denúncias de intolerância religiosa entre 2025 e 2026
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Crescimento de 12,2% nos casos de racismo religioso
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76% dos terreiros já sofreram algum tipo de violência
As agressões vão desde discriminação e ataques verbais até depredação de espaços sagrados.
Para os organizadores, o 21 de março é um marco político.
“Não se combate o racismo sem investimento. Precisamos de políticas públicas e recursos reais”, reforça Pai Ricardo.
Ele também alerta para a violência contra mulheres negras em espaços religiosos:
“Há um ataque sistemático às matriarcas dos terreiros. Isso precisa parar.”
O evento propõe justamente o contrário: ocupar espaços públicos com cultura, fé e identidade negra.
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Por que o 21 de março é tão importante?A data foi criada em memória ao Massacre de Sharpeville, ocorrido em 1960 na África do Sul, quando 69 pessoas negras foram mortas durante um protesto contra o apartheid. No Brasil, o reconhecimento das tradições de matriz africana como patrimônio cultural e político é recente, reforçado pela Lei 14.519/2023. |
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Serviço
📍 4º ato “Zumbi e Dandara Vivem em Nós”
📅 Data: 21 de março
⏰ Horário: a partir das 15h
📌 Local: Praça Floriano Peixoto – Santa Efigênia – Belo Horizonte/MG
🎟️ Entrada: Gratuita
Destaques da programação:
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15h – Atração infantil
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17h15 – Capoeira
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18h – Ritualística
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19h30 – Bloco Samba D’Ouro
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20h40 – Show com Cinara Gomes e Dona Eliza
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