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Cultura

BH recebe ato contra racismo com programação gratuita e forte apelo social

Redação Blé NewsRedação Blé News
17 de março de 2026 às 05:54· Atualizado em 21/03/2026 às 20:03

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Praça em BH vira palco de resistência contra o racismo
Praça em BH vira palco de resistência contra o racismoPatrick Arley

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Ato “Zumbi e Dandara Vivem em Nós” reúne cultura, ancestralidade e debate político em Belo Horizonte no Dia Internacional contra a Discriminação Racial.

No próximo dia 21 de março, Belo Horizonte será palco de um importante ato de resistência, cultura e conscientização. O evento “Zumbi e Dandara Vivem em Nós”, realizado na Praça Floriano Peixoto, chama atenção para a luta contra o racismo e o racismo religioso, com programação 100% gratuita.

A ação acontece em uma data simbólica: o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, criado pela ONU, e também o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações de Candomblé, instituído no Brasil em 2023.

Roda de Capoeira, Cultura, ancestralidade e resistência no espaço público – Foto; Patrick Arley 

Em sua quarta edição consecutiva na capital mineira, o evento reúne manifestações culturais e religiosas que reforçam a importância das tradições de matriz africana.

A programação inclui:

  • Atrações infantis

  • Capoeira

  • Ritualística

  • Shows musicais com Bloco Samba D’Ouro, Cinara Gomes e Dona Eliza

Para Pai Ricardo, um dos organizadores, o ato vai além de uma celebração.

É um dia para ocupar, reivindicar direitos e denunciar. Não é só celebrar, é também mostrar que os povos de matriz africana são a base da identidade do país.

Mãe Ana Maria destaca que o evento também levanta outras pautas urgentes:

É um ato pelo fim da intolerância religiosa, do racismo nas escolas, do feminicídio e do encarceramento da população negra.

Dados mostram avanço do racismo no Brasil

O evento ganha ainda mais relevância diante de números preocupantes:

  • 51% dos brasileiros já presenciaram racismo

  • 81% acreditam que o Brasil é um país racista

  • Mais de 8.500 processos por racismo foram registrados em 2025, número recorde

No campo religioso, a situação também alarma:

  • 2.774 denúncias de intolerância religiosa entre 2025 e 2026

  • Crescimento de 12,2% nos casos de racismo religioso

  • 76% dos terreiros já sofreram algum tipo de violência

As agressões vão desde discriminação e ataques verbais até depredação de espaços sagrados.

Para os organizadores, o 21 de março é um marco político.

Não se combate o racismo sem investimento. Precisamos de políticas públicas e recursos reais”, reforça Pai Ricardo.

Ele também alerta para a violência contra mulheres negras em espaços religiosos:

Há um ataque sistemático às matriarcas dos terreiros. Isso precisa parar.

O evento propõe justamente o contrário: ocupar espaços públicos com cultura, fé e identidade negra.

Racismo religioso: evento em BH ocupa praça pública e levanta debate necessário – Foto; Patrick Arley 

Por que o 21 de março é tão importante?

A data foi criada em memória ao Massacre de Sharpeville, ocorrido em 1960 na África do Sul, quando 69 pessoas negras foram mortas durante um protesto contra o apartheid.

No Brasil, o reconhecimento das tradições de matriz africana como patrimônio cultural e político é recente, reforçado pela Lei 14.519/2023.

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Serviço

📍 4º ato “Zumbi e Dandara Vivem em Nós”
📅 Data: 21 de março
⏰ Horário: a partir das 15h
📌 Local: Praça Floriano Peixoto – Santa Efigênia – Belo Horizonte/MG
🎟️ Entrada: Gratuita

Destaques da programação:

  • 15h – Atração infantil

  • 17h15 – Capoeira

  • 18h – Ritualística

  • 19h30 – Bloco Samba D’Ouro

  • 20h40 – Show com Cinara Gomes e Dona Eliza

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