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São Paulo

CEO do Grupo Fictor é alvo da PF em operação que investiga fraude de R$ 500 milhões contra a Caixa

Redação Blé NewsRedação Blé News
25 de março de 2026 às 21:20· Atualizado em 25/03/2026 às 21:26

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Rafael Góis, CEO e Sócio do Grupo Fictor
Rafael Góis, CEO e Sócio do Grupo FictorReprodução/Redes Sociais

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Rafael de Gois, que tentou comprar o Banco Master, teve celular apreendido. Operação Fallax cumpre 21 mandados de prisão e mira também integrantes do Comando Vermelho.

A Polícia Federal (PF), deflagrou na manhã desta quarta-feira (25) a Operação Fallax, um dos maiores enfrentamentos recentes às fraudes bancárias no país. O alvo principal é uma organização criminosa especializada em lesar a Caixa Econômica Federal, com prejuízos que podem ultrapassar os R$ 500 milhões. Entre os 21 alvos de mandados de prisão preventiva está Rafael de Gois, sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor, holding de investimentos que ganhou os holofotes no fim do ano passado ao anunciar a compra do controverso Banco Master.

A ação da PF, que conta com o apoio da Polícia Militar de São Paulo, cumpre 43 mandados de busca e apreensão e 21 prisões preventivas em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Até o início da manhã, ao menos 13 pessoas já haviam sido detidas, incluindo dois gerentes da Caixa Econômica Federal, apontados como peças-chave dentro do esquema.

A Justiça Federal de São Paulo também autorizou o bloqueio de bens e ativos financeiros dos suspeitos até o limite de R$ 47 milhões, além da quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas. O objetivo, segundo a PF, é descapitalizar a organização criminosa.

PF deflagra operação contra fraude de R$ 500 milhões na Caixa; CEO do Grupo Fictor é alvo de prisão — Foto; Reprodução

O Papel do CEO Rafael de Gois

Rafael de Gois, à frente do Grupo Fictor, teve sua residência na capital paulista alvo de busca e apreensão. Em nota oficial, os advogados do executivo afirmou que apenas seu celular foi apreendido.

"Foi realizada hoje diligência de busca e apreensão na residência de Rafael Góis, CEO da Fictor, no âmbito de investigação conduzida pela Polícia Federal. Apenas o seu celular foi apreendido. Tão logo sua defesa tenha acesso ao conteúdo da investigação, serão prestados os esclarecimentos necessários às autoridades competentes, com o objetivo de elucidar os fatos", diz nota.

Além de Gois, o ex-sócio do Grupo Fictor, Luiz Rubini, também é alvo da operação, com mandado de busca e determinação de quebra de sigilo bancário. A defesa de Rubini afirmou que não teve conhecimento prévio do processo e se manifestará oportunamente.

Como Funcionava o Esquema

A investigação, que teve início em 2024, revelou um esquema estruturado e sofisticado. A organização criminosa atuava em duas frentes principais:

  1. Cooptação e Inserção de Dados Falsos: O grupo cooptava funcionários de instituições financeiras, como os gerentes da Caixa presos hoje, para inserir dados falsos nos sistemas bancários. Isso permitia que saques e transferências ilegais fossem processados como se fossem legítimos.

  2. Lavagem de Dinheiro: Após o desvio, os valores eram esquentados por meio de um complexo esquema de lavagem que envolvia empresas de fachada. O destino final do dinheiro, para dificultar o rastreamento, era a conversão em bens de luxo (imóveis, veículos) e criptoativos.

A Conexão com o Banco Master e o Comando Vermelho

A operação ganha contornos ainda mais complexos ao conectar o Grupo Fictor a outros casos de grande repercussão. Em novembro de 2024, a Fictor Holding Financeira anunciou a compra do Banco Master, um dia antes de o dono do banco, Daniel Vorcaro, ser detido pela PF. O Banco Master, posteriormente, foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central. O anúncio da compra e a subsequente crise de confiança resultaram em resgates de cerca de R$ 2 bilhões por investidores da Fictor, que acabou pedindo recuperação judicial.

Outro fator de destaque é a abrangência da organização criminosa. A PF confirmou que, além do grupo ligado ao executivo, a facção criminosa Comando Vermelho também utilizava o mesmo esquema de lavagem de dinheiro e está na mira da Operação Fallax.

Consequências Legais

Os investigados poderão responder por uma série de crimes, incluindo organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva, e crimes contra o sistema financeiro nacional. Somadas, as penas para esses delitos podem ultrapassar os 50 anos de reclusão.

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