CPI do Carnaval de Rua de SP é protocolada após tumultos e suspeitas em contratos da SPTuris

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Pedido na Câmara Municipal quer investigar falhas de planejamento, segurança e contratos milionários ligados à empresa MM Quarter durante o Carnaval de Rua 2026.
Um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para investigar o Carnaval de Rua de São Paulo 2026, foi protocolado nesta terça-feira (3), na Câmara Municipal. A iniciativa foi apresentada pela vereadora Amanda Paschoal (PSOL) após denúncias de falhas na organização da festa e suspeitas envolvendo contratos firmados pela SPTuris, empresa municipal responsável pelo evento.
O requerimento já reuniu 19 assinaturas, número suficiente para que o tema entre em discussão no plenário da Casa. No entanto, para que a CPI seja oficialmente instalada, será necessário alcançar pelo menos 28 votos entre os 55 vereadores.
Apoio da oposição e parte da base do governo
O pedido conta com assinaturas de todos os vereadores do PT e do PSOL, além de três parlamentares da base do governo municipal: Gabriel Abreu (Podemos), Silvão Leite (União Brasil) e Adilson Amadeu (União Brasil).
Mesmo assim, o apoio inicial não garante que a comissão será criada. Na Câmara Municipal, pedidos de CPI entram em uma fila de requerimentos, e atualmente existem 29 solicitações aguardando análise desde o início da legislatura.
Tumultos em megablocos acenderam alerta
No documento protocolado, a vereadora Amanda Paschoal afirma que a CPI busca investigar “possíveis irregularidades, falhas e omissões relacionadas ao planejamento, gestão, orçamento e infraestrutura do Carnaval de Rua 2026”.
Segundo ela, episódios ocorridos durante o pré-carnaval evidenciaram problemas graves de organização. Entre os casos citados estão tumultos envolvendo dois grandes blocos realizados na Rua da Consolação:
- o megabloco Skol, que teria como principal atração o DJ escocês Calvin Harris
- o tradicional Acadêmicos do Baixo Augusta
De acordo com a parlamentar, falhas na gestão de fluxo de pessoas, infraestrutura e segurança colocaram foliões e ambulantes em risco.
“As cenas e denúncias demonstram falhas sucessivas de planejamento estratégico do Carnaval de Rua 2026”, afirmou a vereadora no pedido de investigação.
Contratos milionários e investigação em andamento
Outro ponto central da CPI é a investigação de contratos firmados pela SPTuris com a empresa MM Quarter, que já estão sendo analisados pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Controladoria Geral do Município (CGM).
Um dos contratos envolve a contratação de guias de turismo para atuar nos circuitos do carnaval, com valor de R$ 9,4 milhões.
Segundo investigações da CGM, a empresa teria como sócio oculto o então secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho, que foi demitido na semana passada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). O escândalo também levou à exoneração do ex-presidente da SPTuris, Gustavo Pires.
A vereadora Amanda Paschoal também questionou valores pagos nos contratos.
“Só com a MM Quarter foram cerca de R$ 183 milhões em contratos. Enquanto alguns guias deveriam receber R$ 2.800, na prática recebiam apenas R$ 570 pela diária”, afirmou.
O que dizem os envolvidos
Em nota, a MM Quarter afirmou que atua como empresa privada na prestação de serviços e produção de eventos para o setor público e privado.
Segundo a empresa, sua atuação segue “estritamente a legislação vigente”, e a companhia permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Câmara ainda não tem data para votação
O presidente em exercício da Câmara Municipal, vereador João Jorge (MDB), afirmou que ainda não há previsão para votação da CPI.
Ele explicou que a Casa já possui cinco CPIs em funcionamento neste semestre e que os novos pedidos precisam ser analisados antes de serem pautados.
“Cabe ao presidente da Casa analisar o mérito e verificar se não se trata apenas de uma ação populista que possa desgastar o governo e também a instituição Carnaval”, afirmou.
Carnaval gigante e impacto bilionário
Apesar das críticas, o vereador destacou a dimensão do evento.
Hoje, o Carnaval de Rua de São Paulo é considerado o maior do Brasil, reunindo cerca de 17 milhões de pessoas, gerando 50 mil empregos e movimentando aproximadamente R$ 4 bilhões na economia da cidade.
Prefeitura anuncia auditoria
Em nota oficial, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a atual gestão foi a primeira a criar uma política de fomento aos blocos de carnaval, com repasses diretos para apoiar a festa desde 2024.
O prefeito Ricardo Nunes também determinou, em fevereiro, investigação interna sobre as denúncias envolvendo a MM Quarter, além de ordenar auditoria em todos os contratos da empresa com o município.
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