Dia Internacional da Mulher: protestos em todo o Brasil denunciam violência e cobram direitos

PUBLICIDADE
Manifestações em diversas capitais colocam feminicídio, direitos trabalhistas e democracia no centro do debate
O Dia Internacional da Mulher foi marcado neste 8 de março por protestos e mobilizações em várias cidades do Brasil. Atos organizados por movimentos sociais, organizações feministas e coletivos populares reuniram manifestantes nas cinco regiões do país, com denúncias contra a violência de gênero e reivindicações por mais direitos para as mulheres.
As manifestações ocorreram em capitais como Manaus, Belém, Salvador, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre, reunindo milhares de pessoas nas ruas para exigir políticas públicas mais eficazes no combate à violência contra a mulher.
A principal pauta das manifestações deste ano foi o aumento da violência contra mulheres no país.
Segundo um relatório da Rede de Observatórios da Segurança divulgado na última sexta-feira (6), doze mulheres foram vítimas de violência a cada 24 horas em 2025, um aumento de 9% em relação ao ano anterior.
O levantamento também mostra que os principais agressores são companheiros ou ex-companheiros, o que reforça o cenário de violência doméstica no país.
Outro estudo, o Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina, revela números ainda mais preocupantes.
📊 Em 2025, o Brasil registrou:
- 6.904 vítimas de feminicídio (entre casos consumados e tentativas)
- 2.149 mulheres assassinadas
- 4.755 tentativas de feminicídio
- Média de quase seis mulheres mortas por dia
O número representa um aumento de 34% em relação a 2024, quando foram registradas 5.150 vítimas.
Sabrina Sato desabafa sobre violência contra mulheres e alerta: “Isso não é normal”
Divergência nos dados oficiais
Os números do relatório são 38,8% maiores do que os divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil por meio do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública.
Segundo o sistema, os estados reportaram 1.548 mortes por feminicídio em 2025.
A diferença ocorre porque o estudo acadêmico inclui casos em análise e tentativas, além de cruzar diferentes bases de dados para identificar ocorrências que podem não ter sido classificadas inicialmente como feminicídio.
Outro dado que chamou atenção no levantamento foi o crescimento acelerado dos casos.
Entre 2020 e 2025, o número de registros de feminicídio triplicou no Brasil, saltando de 4.210 para 12.012 ocorrências.
Os números reforçam o alerta de especialistas e ativistas sobre a necessidade de políticas públicas mais eficazes de prevenção, proteção às vítimas e punição dos agressores.
Maria da Penha cobra rede direta de apoio para mulheres do interior e critica falhas da Justiça
Outras pautas dos protestos
Além do combate à violência, os atos também levantaram outras bandeiras importantes para os movimentos sociais.
Entre elas:
- Fim da escala de trabalho 6x1
- Defesa da democracia
- Soberania nacional
- Críticas ao que os manifestantes chamam de interferência ou imperialismo internacional, especialmente relacionado às ações dos Estados Unidos na política global.
A origem do Dia Internacional da Mulher
Celebrado mundialmente em 8 de março, o Dia Internacional da Mulher tem origem nas lutas feministas e trabalhistas do final do século XIX e início do século XX.
Na época, mulheres ao redor do mundo reivindicavam:
- direitos trabalhistas
- igualdade salarial
- melhores condições de trabalho
- participação política
Mais de um século depois, muitas dessas pautas continuam presentes nas ruas e no debate público.
Justiça manda prender goleiro Bruno após descumprir liberdade condicional
Como denunciar violência contra a mulher
Casos de violência contra mulheres podem ser denunciados por diferentes canais oficiais no Brasil:
📞 190 — Polícia Militar
📞 180 — Central de Atendimento à Mulher
📞 100 — Disque Direitos Humanos
Também é possível procurar uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM).
As denúncias podem ser feitas de forma anônima e são consideradas fundamentais para combater a violência e proteger vítimas.
Fonte; Agência Brasil
PUBLICIDADE