ECA Digital entra em vigor no Brasil e muda regras da internet para crianças e adolescentes

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Nova lei amplia proteção online, responsabiliza plataformas e exige controle maior sobre acesso de menores às redes.
O Brasil dá um passo histórico nesta terça-feira (17), com a entrada em vigor da Lei nº 15.211/2025, conhecida como ECA Digital. A nova legislação cria regras mais rígidas para proteger crianças e adolescentes no ambiente online, incluindo redes sociais, jogos eletrônicos, plataformas de vídeo e lojas virtuais.
Sancionada em setembro de 2025, a lei não substitui o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990, mas amplia sua atuação para o mundo digital, garantindo que os direitos já previstos no ambiente físico também sejam respeitados na internet.
A nova legislação estabelece diretrizes mais claras e rigorosas para empresas e plataformas digitais que tenham como público crianças e adolescentes — ou que possam ser acessadas por eles.
Na prática, isso significa maior responsabilidade das empresas na proteção de dados, controle de conteúdo e prevenção de riscos como exposição indevida, violência digital e exploração comercial abusiva.
Uso da internet entre jovens é massivo no Brasil
Dados recentes mostram o tamanho do desafio:
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📱 92% dos jovens de 9 a 17 anos estão online
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👤 85% têm perfis em redes sociais
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🔺 Entre 15 e 17 anos, esse número chega a 99%
Ou seja, a presença digital já faz parte da rotina — e exige novas formas de proteção.
Foto; Reprodução/Canva
Especialistas classificam lei como “histórica”
Pesquisadoras e especialistas ouvidas pela Agência Brasil apontam que o ECA Digital coloca o Brasil entre os países mais avançados no tema.
Para Águeda Barreto, que atua na coordenação da ChildFund Brasil, a legislação representa um avanço significativo.
Segundo ela, o país saiu na frente ao criar uma lei ampla, capaz de orientar políticas públicas integradas entre diferentes setores.
“Esse é um movimento global, mas a lei brasileira é bastante abrangente”, destacou.
Uma das mudanças mais importantes é o fim da autodeclaração de idade.
Agora, plataformas terão que:
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Verificar a idade real do usuário
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Restringir acesso de menores a conteúdos impróprios
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Impedir compras e interações indevidas
A fiscalização deve ser regulamentada pelo governo nas próximas semanas.
Crianças e adolescentes com menos de 16 anos só poderão acessar redes sociais com contas vinculadas a responsáveis legais.
Isso permitirá:
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Monitoramento de conversas
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Controle do tempo de uso
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Bloqueio de conteúdos inadequados
Mas especialistas alertam: a responsabilidade não é só das famílias.
Foto; Reprodução/Canva
Plataformas também serão responsabilizadas
A nova lei coloca pressão direta sobre empresas de tecnologia.
Entre as obrigações:
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Criar ferramentas de controle parental acessíveis
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Oferecer canais de apoio às vítimas
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Produzir relatórios de impacto digital
Empresas que descumprirem as regras podem sofrer:
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Multas de até 10% do faturamento
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Suspensão de serviços
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Até proibição de atuação no Brasil
Conteúdos perigosos deverão sair do ar em até 24 horas
A lei determina remoção rápida de conteúdos como:
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Exploração sexual
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Bullying e cyberbullying
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Incentivo à automutilação ou suicídio
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Uso de drogas
Esses casos também devem ser comunicados à Autoridade Nacional de Proteção de Dados.
Fim das loot boxes e restrições à monetização infantil
Outro ponto importante é a proibição de práticas consideradas abusivas, como:
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Monetização de conteúdo com sexualização de menores
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Publicidade predatória
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Caixas de recompensa (loot boxes), comuns em jogos
Esses mecanismos são comparados a jogos de azar e podem estimular vício e gastos excessivos.
Foto; Reprodução/YouTube/Felca
‘Lei Felca’ e o impacto do debate público
A aprovação da lei 15.211/2025 ganhou força após denúncias do influenciador Felipe Bressanim Pereira, que expôs casos de exploração e adultização de menores nas redes.
O caso mobilizou autoridades, especialistas e a sociedade, acelerando a aprovação da legislação.
A criação do ECA Digital acompanha uma tendência internacional de maior controle sobre o ambiente online para menores.
Países como a Austrália, por exemplo, já adotaram medidas mais restritivas, como a proibição do uso de redes sociais por menores de 16 anos.
Proteção digital vira responsabilidade coletiva
A nova lei deixa claro: proteger crianças e adolescentes na internet é uma missão compartilhada entre famílias, empresas e Estado.
Mais do que regras, o ECA Digital inaugura uma nova forma de pensar o ambiente digital — com mais responsabilidade, segurança e limites.
Fonte; Agência Brasil
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