Edison Carneiro ganha mural no Rio e é celebrado como referência da cultura afro-brasileira

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Obra inaugurada no Museu do Folclore, no bairro do Catete, homenageia o etnólogo baiano que dedicou a vida ao estudo da cultura popular, do samba e das religiões de matriz africana.
Um dos maiores pesquisadores da cultura popular brasileira, o etnólogo Edison Carneiro ganhou uma homenagem especial no Rio de Janeiro. Um mural dedicado ao intelectual foi inaugurado nesta sexta-feira (13) no terraço do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, espaço que abriga o Museu do Folclore Edison Carneiro.
A obra faz parte do projeto de arte urbana Negro Muro e ocupa uma parede inteira do museu, localizado no bairro do Catete, na zona sul da capital fluminense.
O mural retrata Edison Carneiro caminhando com livros nas mãos pelas ruas de Salvador, cidade onde nasceu e construiu parte de sua trajetória intelectual. A imagem também traz elementos simbólicos da cultura afro-brasileira, incluindo referências ao orixá Exu, considerado na tradição do candomblé o mensageiro entre os mundos e o guardião da comunicação.
Reconhecido como um dos pioneiros nos estudos sobre relações étnico-raciais, folclore e religiosidade afro-brasileira, Edison Carneiro teve papel fundamental na valorização dessas manifestações culturais em um período em que elas eram frequentemente marginalizadas.
Na primeira metade do século XX, práticas religiosas de matriz africana muitas vezes apareciam apenas nas páginas policiais dos jornais. Carneiro ajudou a mudar esse cenário ao publicar artigos, pesquisas e estudos acadêmicos defendendo a liberdade religiosa e o reconhecimento dessas tradições.
Amigo do escritor Jorge Amado, que o apelidou de “intelectual feiticeiro”, o pesquisador também atuou como ponte entre terreiros tradicionais e estudiosos brasileiros e estrangeiros interessados na cultura afro-brasileira.
Além do retrato do pesquisador, o mural reúne diversos símbolos ligados à cultura popular brasileira.
Entre os elementos presentes estão:
- capoeiristas
- um boi de barro
- figuras mitológicas
- uma mãe de santo segurando ervas
- oferendas tradicionais
Também aparecem representações de duas importantes obras do pesquisador:
📚 Quilombo dos Palmares
📚 A Carta do Samba
Muito além da moda: a iniciação no Candomblé como ato de cura e resistência coletiva
Uma pequena imagem de Exu, semelhante à que Carneiro mantinha em casa, também integra a composição artística.
A pintura foi realizada pelo coletivo Negro Muro, que se dedica a homenagear personalidades negras e figuras importantes da cultura brasileira através da arte urbana.
Segundo o pesquisador Pedro Rajão, integrante da equipe, a obra inaugurada marca o 77º mural do projeto — um número carregado de simbolismo.
No candomblé, o número 77 é tradicionalmente associado a Exu, reforçando o caráter simbólico da homenagem ao pesquisador.
“Conseguimos trazer elementos da trajetória dele e da cultura que ele estudou para esse espaço que também era um pouco a casa dele”, explicou Rajão.
Durante a inauguração do mural, também foi anunciada uma parceria para ampliar o Museu do Folclore Edison Carneiro.
O acordo foi firmado entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).
A nova unidade deve ser construída nos jardins do Museu da República, em um terreno ao lado do atual museu, ampliando o espaço dedicado à preservação da cultura popular brasileira.
A homenagem reforça o legado de Edison Carneiro como um dos intelectuais que ajudaram a colocar a cultura afro-brasileira no centro do debate acadêmico e cultural do país.
Fonte; Agência Brasil
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