Ela tinha 14 anos: nova vítima denuncia mesmo grupo de estupro de Copacabana e revela medo de vídeo

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Adolescente de 17 anos contou à polícia que foi abusada há três anos pelo ex-namorado e outros dois homens. A dinâmica do crime, segundo o relato, foi a mesma do caso que chocou o Rio em janeiro.
Uma nova denúncia de estupro coletivo acaba de jogar luz sobre um padrão de violência que pode ser ainda maior do que se imaginava. Uma adolescente, hoje com 17 anos, procurou a Polícia Civil do Rio de Janeiro para relatar um abuso sofrido quando tinha apenas 14 anos. Segundo o depoimento, os agressores são pelo menos dois integrantes do mesmo grupo preso e investigado pelo estupro coletivo de uma jovem em Copacabana, no dia 31 de janeiro. O medo da exposição, alimentado por ameaças e pela certeza de que foi filmada, a silenciou por quase três anos.
O silêncio de uma vítima, alimentado pelo medo e pela tecnologia usada como arma, finalmente foi rompido. A mãe da adolescente revelou, em entrevista à Globonews, que a filha só contou o que viveu após ver a comoção do caso mais recente e durante um atendimento psicológico. "Ela falou: mãe, eu também fui vítima dele há três anos atrás", relatou a mãe, emocionada.
A dinâmica do crime em 2023
O relato da mãe à polícia descreve um cenário assustadoramente semelhante ao crime investigado em Copacabana. Em agosto de 2023, a adolescente, então com 14 anos, foi chamada pelo ex-namorado (hoje com 17 anos) para ir até a casa dele. Ele pagou a moto para buscá-la.
Ao chegar no local, a vítima se deparou com outros dois homens dentro do apartamento. O que era para ser um encontro se transformou em um pesadelo. Segundo o depoimento, os outros homens entraram no quarto e passaram a agredir a adolescente. "Ela falou que eles tinham feito a mesma coisa com ela. Que tinham batido nela", contou a mãe, acrescentando que a filha chorava muito durante as agressões.
O grande motivo do silêncio, no entanto, foi a certeza da exposição. A vítima contou que foi filmada durante o abuso e ameaçada com a divulgação das imagens, um terror psicológico que a impediu de buscar ajuda na época.
Novas denúncias e a reação da polícia
O caso veio à tona no último sábado (1º) e já fez o efeito dominó. Na terça-feira (3), uma terceira jovem também procurou a 12ª DP (Copacabana) para denunciar um estupro cometido por um dos integrantes do grupo. O caso, segundo ela, aconteceu em outubro do ano passado, em uma festa de alunos. O suspeito apontado é Vitor Hugo Oliveira Simonin, um dos foragidos da Justiça.
“A investigação está muito preliminar, muito no começo. Já apareceram duas novas vítimas desse grupo”, explicou o delegado Ângelo Lages, confirmando que o número de vítimas pode crescer.
Quem são os réus e foragidos
A Justiça já aceitou a denúncia do Ministério Público contra os quatro maiores de idade envolvidos no caso de Copacabana. O desembargador Luiz Noronha Dantas negou habeas corpus para os foragidos. Confira a situação de cada um:
- Mattheus Verissimo Zoel Martins (19 anos): Preso (se entregou na 12ª DP).
- João Gabriel Xavier Bertho (19 anos): Preso (se entregou na 10ª DP).
- Bruno Felipe dos Santos Allegretti (18 anos): Foragido.
- Vitor Hugo Oliveira Simonin (18 anos): Foragido.
Adolescente (17 anos): A polícia enviou uma representação ao Ministério Público pedindo a apreensão por ato análogo ao crime.
A polícia investiga se o grupo agia de forma sistemática, usando a mesma tática de convite, violência e intimidação por meio de gravações para coagir as vítimas.
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