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Educação

Escolas da Bahia substituem sirenes por música para promover inclusão e bem-estar dos alunos

Redação Blé NewsRedação Blé News
08 de março de 2026 às 02:26· Atualizado em 14/03/2026 às 21:49

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Mudança sonora nas escolas baianas.
Mudança sonora nas escolas baianas.Divulgação/TV Brasil

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Nova lei estadual incentiva ambiente escolar mais acolhedor, beneficiando especialmente estudantes com autismo; Censo 2022 aponta 2,4 milhões de brasileiros com TEA.

As escolas estaduais da Bahia começam a adotar uma mudança que promete transformar o ambiente escolar: a substituição do tradicional toque de sirene por músicas para marcar horários de entrada, saída e intervalos. A medida foi oficializada com a sanção da Lei nº 15.110, que busca tornar o ambiente escolar mais acolhedor, inclusivo e confortável para os estudantes.

A iniciativa tem como foco principal melhorar o conforto auditivo, especialmente de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que muitas vezes apresentam sensibilidade a sons muito altos ou abruptos.

Mesmo antes da legislação entrar em vigor, algumas escolas já vinham adotando a chamada “sirene musical”. Um exemplo é o Colégio Estadual Gois Calmon, onde o sistema já funciona há cerca de quatro ou cinco anos.

Segundo a diretora da unidade, Lúcia Graciette Brito, a mudança surgiu após o retorno das aulas presenciais no período pós-pandemia.

Na volta da pandemia, a gente percebeu que a sirene muito alta causava impacto nos alunos. Pensamos em uma forma de amenizar isso, principalmente considerando nossos estudantes autistas. Observamos melhora no comportamento deles”, explicou.

Para a diretora, a nova lei fortalece uma prática que já vinha mostrando resultados positivos.

Agora essa lei faz com que todas as unidades da Bahia também participem disso e adotem a sirene musical”, afirmou.

Além de reduzir o impacto sonoro, a música também passou a ser utilizada como recurso pedagógico.

Na escola Gois Calmon, as canções mudam ao longo do ano de acordo com o calendário cultural.

🎭 Músicas de Carnaval no início do ano

🌽 Canções de São João nas festas juninas

🎄 Trilhas de Natal e Ano Novo no fim do período letivo

Segundo a direção da escola, diferentes pendrives com playlists temáticas são utilizados ao longo do ano, permitindo adaptar o ambiente escolar a cada momento.

A aprendizagem não acontece apenas dentro da sala de aula. A sirene musical acabou virando também uma ferramenta pedagógica”, destacou a diretora.

Autismo no Brasil: o que dizem os dados do Censo

A iniciativa ganha ainda mais relevância diante dos números recentes sobre o Transtorno do Espectro Autista no Brasil.

Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE, apontam que o país tem cerca de 2,4 milhões de pessoas com TEA, o que representa 1,2% da população brasileira.

A prevalência é maior entre crianças e adolescentes. A maioria dos diagnósticos está concentrada na faixa de 0 a 14 anos, que reúne aproximadamente 1,1 milhão de pessoas com autismo.

A distribuição por idade mostra:

  1. 2,1% entre crianças de 0 a 4 anos
  2. 2,6% entre 5 e 9 anos
  3. 1,9% entre 10 e 14 anos
  4. 1,3% entre 15 e 19 anos

O levantamento também indica que o diagnóstico é mais frequente entre meninos, especialmente na faixa de 5 a 9 anos, onde a taxa chega a 3,8%, contra 1,3% entre meninas.

Mais alunos com TEA nas escolas

Outro dado relevante é o crescimento da presença de estudantes com autismo no sistema educacional.

Entre 2023 e 2024, houve um aumento de 44,4% nas matrículas de alunos com TEA na educação básica no Brasil.

Esse crescimento reforça a necessidade de políticas educacionais voltadas para acessibilidade, inclusão e adaptação do ambiente escolar.

Uma nova cultura no ambiente escolar

A substituição das sirenes por música representa mais do que uma mudança sonora. A proposta sinaliza uma transformação cultural na escola, priorizando bem-estar, inclusão e qualidade de vida para estudantes e professores.

A expectativa é que iniciativas semelhantes se espalhem por outras redes de ensino do país, acompanhando a crescente necessidade de ambientes educacionais mais sensíveis às diferentes formas de aprendizagem.


Fonte; Agencia Brasil

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