Ex-ministra Macaé Evaristo prestigia Feijoada Beneficente para Ogum em Belo Horizonte

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Realizado pela Casa Pai Jacob do Oriente, em BH, evento reúne gastronomia, música e ação social unindo a comunidade em um propósito maior de envolvimento e participação.
A tradicional Feijoada Beneficente para Ogum reuniu, no último sábado (25), centenas de pessoas na rua em frente à Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente (CCPJO), na Lagoinha, em Belo Horizonte. O evento, que já acontece há mais de uma década, combina gastronomia, música e ação social, com o objetivo de arrecadar recursos para manter projetos comunitários voltados à educação ambiental, segurança alimentar e valorização da cultura afro-brasileira. A edição deste ano contou com a presença de lideranças políticas e culturais, incluindo a deputada estadual Macaé Evaristo, reforçando a relevância da iniciativa para o território e para o fortalecimento das redes de solidariedade local.
Há mais de uma década, a feijoada dedicada a Ogum, em BH, se firmou como um dos eventos mais relevantes da região da Lagoinha. O que começou de forma simples ganhou força ao longo dos anos e hoje reúne moradores, apoiadores e visitantes em torno de um objetivo comum: o fortalecimento da comunidade.
Os recursos arrecadados são destinados à manutenção da casa e ao desenvolvimento de projetos sociais que abrangem desde ações de educação ambiental até iniciativas voltadas à segurança alimentar e à preservação de saberes afro-periféricos.
Gabriel de Moura, da Casa de Pai Jacob do Oriente, destaca que o evento nasceu de forma modesta e cresceu com o engajamento da comunidade.
“Começamos de maneira improvisada e pequena, mas hoje já produzimos cerca de 80 litros de feijoada. É um evento que as pessoas aguardam todos os anos e que contribui para a continuidade dos projetos realizados pela CCPJO”, afirma.
Mais do que uma celebração gastronômica, a iniciativa carrega um papel social e cultural importante, impactando diretamente aproximadamente mil pessoas por ano.
Ex-ministra Macaé prestigia feijoada em BH — Foto: Reprodução
Como a feijoada para Ogum impacta a comunidade
A força do evento vai além da celebração. Ele atua como um instrumento de transformação social.
Entre os principais impactos estão:
- Apoio a famílias em situação de vulnerabilidade
- Promoção da cultura afro-brasileira
- Fortalecimento de vínculos comunitários
- Incentivo à educação e à memória ancestral
Cada prato servido traz consigo um simbolismo profundo, conectado à resistência, à espiritualidade e à força do legado ancestral.
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Fé, tradição e ancestralidade no centro do evento
Celebrado em 23 de abril, resultado da sincretização entre o orixá guerreiro iorubá e o santo católico São Jorge — expressão da resistência religiosa no Brasil —, Ogum é um dos orixás mais populares do país e tem forte ligação com a casa organizadora. Segundo Pai Ricardo, coordenador da CCPJO, essa conexão também é pessoal.
“Além de ser um dos mais conhecidos dentro da cultura brasileira, Ogum é o orixá de cabeça do fundador da casa”, explica.
A feijoada, nesse contexto, vai além do alimento. É também um ritual de conexão, partilha e celebração coletiva.
“Cada prato servido carrega a energia da luta e da vitória.”
Presença política reforça importância do evento
A edição deste ano contou com a participação da comunidade e de diversas personalidades políticas, entre elas as vereadoras de Belo Horizonte Iza Lourença (PSOL), Juhlia Santos (PSOL), o deputado federal Rogério Corrêa (PT-MG), a presidente da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte (FMC), Bárbara Bof, a gestora cultural e diretora executiva da Associação Cine Theatro Brasil, Eliane Parreiras e a deputada estadual Macaé Evaristo (PT), que recentemente deixou o Ministério dos Direitos Humanos para retomar seu mandato como deputada em Minas Gerais.
Durante o evento a deputada destacou a relevância do papel social e cultural da iniciativa desenvolvido pela CCPJO e por Pai Ricardo na comunidade da Lagoinha.
“Conheço o Pai Ricardo há muitos anos e sei da importância do trabalho dele que, além de religioso, também é educativo e de pesquisa, resgatando nossa memória, ancestralidade e tradições. E isso não apenas entre os irmãos de fé, mas para toda a cidade de Belo Horizonte e o estado de Minas Gerais”, afirmou.
Para Macaé Evaristo, a Feijoada para Ogum simboliza também um momento de partilha e celebração coletiva.
“Celebrar também é uma forma de oração, porque reunimos pessoas, nos fortalecemos enquanto coletivo, compartilhamos o alimento e, mais do que isso, reforçamos laços de solidariedade e amizade”, completou.
Macaé também ressaltou o impacto dos projetos da CCPJO no território.
“É muito importante tudo o que está sendo construído nesse espaço onde está a Casa de Pai Jacob do Oriente. Um território que, muitas vezes, é visto de fora como um lugar de fragilidade social. Por isso, é muito significativo acompanhar de perto esse trabalho de reconexão dos laços e fortalecimento da comunidade”, finalizou.
Segundo a parlamentar, o trabalho desenvolvido pela casa vai além da religiosidade e atua diretamente na reconstrução de laços sociais em territórios muitas vezes marginalizados.
A presença de outras lideranças políticas e culturais também evidenciou o reconhecimento institucional do evento.
Música e cultura afro marcam a celebração
Além da gastronomia, a programação contou com apresentações culturais que reforçam a identidade afro-brasileira do evento.
Entre os destaques estiveram:
- Coral Guela Zuela — iniciativa da CCPJO que exalta a resistência da cultura afro-brasileira por meio da música, da dança e da ancestralidade.
- Magnatas do Samba BH — um dos grupos de samba mais tradicionais de Belo Horizonte, em atividade desde a década de 1970, reconhecido pelo samba de raiz, partido alto e samba romântico.
- Bloco Orisamba — bloco de matriz afro-brasileira da Lagoinha, criado em 2016 pela própria CCPJO.
As atrações trouxeram música, dança e ancestralidade, transformando o espaço em um verdadeiro encontro (Àjọyọ̀) de celebração e resistência cultural.
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