Fraude que custou vidas: paciente de transplante morre 17 meses após receber órgão contaminado

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A vítima estava em acompanhamento diário desde a infecção causada por laudos fraudulentos do Laboratório PCS Saleme. Causa da morte ainda é investigada; seis réus aguardam julgamento.
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), confirmou nesta quarta-feira (1º), o falecimento de uma das seis vítimas do maior escândalo de transplantes do país. A paciente, uma mulher de 64 anos, morreu no último dia 18 após receber, em outubro de 2024, um órgão infectado pelo vírus HIV.
Há um ano e cinco meses convivendo com o vírus após um procedimento que deveria salvar sua vida, a paciente de 64 anos estava internada em uma unidade especializada quando não resistiu. A causa da morte está sob investigação, mas o caso reacende a comoção e a revolta em torno das falhas criminosas do Laboratório PCS Saleme, que emitiu laudos falsos para baratear custos.
O escândalo que chocou o país
O caso veio à tona em outubro de 2024, quando autoridades de saúde confirmaram que seis pacientes transplantados no estado do Rio foram infectados pelo HIV após receberem órgãos de doadores contaminados. O incidente, classificado pelas autoridades como “sem precedentes e inadmissível”, expôs uma rede de negligência e fraude.
As investigações do Ministério Público (MP) e da Polícia Civil (PC-RJ) apontaram que o Laboratório PCS Saleme, contratado pelo governo estadual sem licitação, emitia laudos fraudulentos para reduzir custos. Para economizar, a empresa deixou de realizar testes obrigatórios, liberando órgãos infectados como se fossem saudáveis.
O laboratório foi interditado pela Vigilância Sanitária e teve seu contrato rescindido. A direção da Fundação Saúde, responsável pela contratação, pediu demissão em meio à crise.
Seis réus — incluindo os sócios Walter Vieira e Matheus Sales Teixeira Vieira (pai e filho) — aguardam julgamento na 2ª Vara Criminal de Nova Iguaçu. Eles são acusados de associação criminosa, lesão corporal gravíssima, falsidade ideológica e falsificação de documento particular. Apenas Jacqueline, uma das funcionárias, permanece em prisão domiciliar.
Enquanto a Justiça corre, a tragédia se aprofunda. Os outros cinco pacientes infectados seguem vivos e em tratamento, mas a morte desta mulher de 64 anos levanta um alerta sobre as consequências devastadoras e duradouras daquele episódio.
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O suporte do estado
Em nota, a SES-RJ lamentou profundamente a morte e afirmou que a mulher recebeu “total assistência” desde o diagnóstico, sendo monitorada diariamente por uma equipe multidisciplinar.
“A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) lamenta profundamente o falecimento da paciente, que aconteceu em 18/03, após internação em unidade especializada. Há um ano e cinco meses, ela vinha recebendo total assistência, era monitorada diariamente pela equipe multidisciplinar da Secretaria, que se solidariza com a família”, diz a nota oficial.
Em julho do ano passado, a vítima foi indenizada pelo Governo do Estado, como parte de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público para reparar os danos causados às seis vítimas.
Com informações da Agência Brasil
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