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Justiça

Investigado na fraude do Banco Master, “Sicário” ligado a Daniel Vorcaro comete suicídio em cela da Polícia Federal

Redação Blé NewsRedação Blé News
04 de março de 2026 às 22:02· Atualizado em 14/03/2026 às 21:49

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Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como braço operacional do esquema ligado a Daniel Vorcaro.
Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como braço operacional do esquema ligado a Daniel Vorcaro.PM MG/Divulgação

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Luiz Phillipi Mourão foi encontrado desacordado na prisão em Minas Gerais e levado ao hospital; unidade iniciou protocolo para confirmação de morte cerebral

Atenção: Esta reportagem aborda temas relacionados à saúde mental e suicídio.

Se você ou alguém que conhece está enfrentando sofrimento emocional, é possível buscar ajuda gratuita pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo telefone 188, com atendimento 24 horas.

Também é possível procurar apoio em CAPS, Unidades Básicas de Saúde, hospitais e serviços de emergência, como o SAMU (192).


A Polícia Federal (PF), informou nesta quarta-feira (4), que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido nas investigações como “Sicário”, cometeu suicídio enquanto estava preso na Superintendência da corporação em Minas Gerais. Mourão era investigado na Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

De acordo com a PF, o investigado foi encontrado desacordado dentro da cela e imediatamente socorrido por agentes, que iniciaram procedimentos de reanimação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ele foi levado para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.


Por volta das 21h, a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais informou que a morte ainda não havia sido confirmada e que Mourão permanecia internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI). Já por volta das 21h45, o hospital iniciou o protocolo médico para confirmação de morte cerebral.

A Polícia Federal informou que abrirá uma investigação interna para apurar as circunstâncias do ocorrido. Imagens de segurança que mostram a dinâmica do caso serão encaminhadas ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Papel estratégico na organização investigada

Mourão foi preso na mesma operação que também levou à detenção do banqueiro Daniel Vorcaro, apontado pelos investigadores como líder da organização criminosa. Segundo a PF, o investigado exercia papel central no grupo e atuava como executor de ordens relacionadas a monitoramento de alvos, coleta ilegal de dados e intimidação de pessoas.

Relatórios da investigação indicam que Mourão funcionaria como uma espécie de “longa manus” — expressão jurídica que descreve alguém que executa ordens diretas de outra pessoa dentro de uma estrutura criminosa.

Conversas indicam intimidação e ameaças

Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram diálogos atribuídos ao grupo investigado envolvendo monitoramento de funcionários, coleta de dados pessoais e supostas ameaças.

Entre os trechos analisados pelos investigadores, aparecem conversas sobre levantar informações de empregados, intimidar pessoas ligadas ao caso e planejar ações contra alvos considerados problemáticos.

Também há registros de diálogos sobre monitoramento do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, após reportagens críticas ao banqueiro. Segundo o relatório da PF, as conversas indicariam a intenção de levantar dados pessoais e até planejar uma agressão física simulando um assalto.

Em nota, o jornal O Globo afirmou repudiar veementemente qualquer iniciativa criminosa contra seu colunista.

Outro ponto apontado na investigação é que Mourão poderia receber cerca de R$ 1 milhão por mês pelos serviços prestados à organização, segundo indícios reunidos pela Polícia Federal.


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O que dizem as defesas

A defesa de Mourão afirmou que esteve com ele durante o dia e que o investigado se encontrava em plena integridade física e mental até o início da tarde. Os advogados disseram ter tomado conhecimento do ocorrido apenas após a divulgação da nota da Polícia Federal e informaram que acompanham o caso no hospital.

Já a defesa de Daniel Vorcaro negou as acusações e declarou que o empresário sempre colaborou com as autoridades e confia no devido processo legal. Os advogados afirmam acreditar que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade da conduta do banqueiro.

A defesa de Fabiano Zettel, também citado nas investigações, informou que ele se apresentou às autoridades e permanece à disposição dos investigadores.

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