Justiça suspende processo que pode cassar concessão da Enel em São Paulo

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Decisão liminar interrompe julgamento da Aneel após empresa alegar falhas no direito de defesa.
A Justiça Federal do Distrito Federal decidiu, nesta quinta-feira (19), suspender o processo que poderia levar à perda da concessão da Enel São Paulo. A análise do caso estava prevista para a próxima semana pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas foi interrompida após decisão liminar.
A medida atende a um pedido da própria Enel, que recorreu na última terça-feira (17), ao Judiciário questionando a condução do processo de caducidade — que pode resultar no fim do contrato de concessão da empresa.
Segundo a distribuidora, houve violação ao direito de defesa. O principal argumento é que o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, teria antecipado seu voto favorável à cassação do contrato antes do fim do prazo para manifestação da empresa.
A juíza federal substituta Pollyanna Kelly Maciel concordou com a tese e apontou falhas no processo.
“A inclusão do processo na pauta evidencia o risco de consolidação de uma pena extrema com base em procedimento irregular”, destacou a magistrada.
Na decisão, a juíza alertou que o avanço do processo nessas condições poderia gerar danos difíceis de reparar, tanto para a concessionária quanto para os usuários.
Segundo ela, o procedimento apresenta falhas que comprometem sua validade legal.
Após a decisão, a Aneel informou que está avaliando as medidas cabíveis para garantir suas competências legais.
Um dia antes, o diretor-geral Sandoval Feitosa já havia criticado a postura da Enel diante do processo.
“A empresa deveria gastar menos com advogados e mais com a melhoria do serviço prestado à população”, afirmou.
Bom Retiro, SP, 2024 — Foto; Paulo Pinto/Agência Brasil
A possível cassação do contrato da Enel ganhou força após uma série de apagões e falhas no fornecimento de energia na Grande São Paulo, especialmente no fim do ano passado.
A situação gerou pressão política e institucional.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito Ricardo Nunes se uniram para pedir o rompimento do contrato da empresa.
A Enel atende cerca de 5,8 milhões de clientes na capital paulista — aproximadamente 75% de toda sua área de concessão.
A decisão da Justiça, embora provisória, adia um desfecho que pode impactar diretamente milhões de consumidores.
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