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Negros têm até 2,3 vezes mais risco de morrer por homicídio no Brasil, revela estudo da USP

Redação Blé NewsRedação Blé News
21 de março de 2026 às 04:25· Atualizado em 21/03/2026 às 18:11

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Ser negro no Brasil aumenta o risco de morte — e isso não é opinião, é dados.
Ser negro no Brasil aumenta o risco de morte — e isso não é opinião, é dados.Reprodução/Canva

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Pesquisa mostra que, mesmo com condições semelhantes, a cor da pele ainda é fator determinante para a violência letal no país.

Pessoas negras têm até 2,3 vezes mais risco de morrer por homicídio no Brasil do que pessoas brancas, mesmo quando possuem idade, escolaridade e local de moradia semelhantes. É o que aponta um estudo publicado na revista científica “Ciência & Saúde Coletiva”, conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo com base em dados de 2022. A pesquisa evidencia que a cor da pele segue sendo um fator determinante na violência letal no país.

A pesquisa utilizou um método estatístico chamado “escala de propensão”, que permite comparar indivíduos com características semelhantes — como idade, sexo e região — isolando a cor da pele como variável principal.

Segundo o médico e pesquisador Rildo Pinto, o objetivo foi justamente identificar se o fator racial, por si só, influencia o risco de morte violenta.

Ao controlar fatores como escolaridade, local de moradia e estado civil, conseguimos mostrar que a morte violenta está relacionada à cor da pele”, explica.

Dados que escancaram desigualdade

Os dados analisados vieram de duas principais fontes:

  • Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM)
  • Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Entre os principais achados:

  • ⚠️ Pessoas negras têm até 2,3 vezes mais risco de homicídio
  • 📉 Em média, há 49% mais chance de morte violenta em comparação com pessoas brancas
  • 👤 O perfil das vítimas é majoritariamente de homens jovens, negros, solteiros e com baixa escolaridade
  • 🚨 Em áreas mais violentas, 9 em cada 10 vítimas são pretas ou pardas

Utilizando uma técnica chamada análise geoespacial, o estudo mapeou o país e o dividiu em áreas classificadas por níveis de risco — Foto: Autores do estudo

Onde a violência é maior

A pesquisa também analisou a distribuição geográfica da violência no Brasil, utilizando conceitos como:

  • Hot spots: áreas com alta concentração de homicídios
  • Cold spots: regiões com menor incidência

Os resultados mostram:

  • 📍 Maior concentração de violência na região Nordeste
  • 📍 Menores índices, em geral, nas regiões Sul e Sudeste

Um ponto que chamou atenção foi uma área entre Paraíba e Rio Grande do Norte, onde os dados não refletiam a realidade esperada. A hipótese levantada é de subnotificação de homicídios, conhecida como “homicídio oculto”.

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Racismo estrutural e violência

Mesmo em regiões com menor violência, o padrão se repete: pessoas negras continuam sendo as principais vítimas.

Isso reforça o que especialistas já apontam há anos — o racismo estrutural influencia diretamente quem vive e quem morre no Brasil.

O que pode mudar?

Para os pesquisadores, o estudo não deve ficar apenas no campo acadêmico. A ideia é que os dados sirvam como base para políticas públicas mais eficientes.

Segundo Rildo Pinto, uma das soluções é replicar a análise em nível local:

  • bairros
  • cidades
  • comunidades

A proposta é identificar padrões e aplicar estratégias que já deram certo em outras regiões.

Reduzir a violência contra quem mais sofre beneficia toda a sociedade”, destaca.

Mais do que números, o estudo revela uma realidade dura: a desigualdade racial no Brasil não está só no acesso a oportunidades — ela também define quem está mais exposto à morte.

E enquanto essa realidade persistir, o debate sobre racismo e políticas públicas segue sendo urgente.

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