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Povo de Axé

O que acontece com um terreiro quando seu dirigente segue para o Orun?

Alexandro OliverAlexandro Oliver
04 de março de 2026 às 09:11· Atualizado em 31/03/2026 às 17:19

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"Nos Tempos do Imperador", telenovela brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 9 de agosto de 2021 a 4 de fevereiro de 2022, retratou o Ritual do Axexê.
"Nos Tempos do Imperador", telenovela brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 9 de agosto de 2021 a 4 de fevereiro de 2022, retratou o Ritual do Axexê.Reprodução/TV Globo

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Axexê, sucessão e continuidade do axé: como o candomblé conduz a passagem de um pai ou mãe de santo

A partida de grandes lideranças religiosas sempre desperta dúvidas entre fiéis e admiradores das tradições afro-brasileiras. Com as recentes despedidas de nomes como Mãe Carmem de Oxaguian (Òṣàgiyán), Mãe Ana de Ogum (Ògún) e Mãe Elzita Vieira, muitos leitores questionam: o que acontece com o terreiro quando seu dirigente espiritual falece?

No candomblé, a morte não representa um fim, mas uma transição. Quando um babalorixá (bàbálórìṣà) ou ialorixá (iyálorìṣà) segue viagem para o Orun (mundo espiritual), inicia-se um dos rituais mais importantes da religião: o Axexê — cerimônia fúnebre dedicada às pessoas iniciadas.

Realizado após o sepultamento, o Axexê tem como objetivo dessacralizar o corpo, desligar o espírito (egum) do mundo material (Aiyê) e permitir que ele siga seu caminho espiritual, amparado pelos orixás. O ritual pode durar de três a sete dias — ou mais — e envolve cantigas sagradas, danças, oferendas e rígidas normas de comportamento. O branco, símbolo de nascimento e passagem, predomina nas vestimentas.

Além do aspecto espiritual, há também a reorganização da casa. Não existe uma regra única sobre o destino do terreiro. A continuidade depende da tradição, da nação e da orientação obtida no jogo de búzios.

Em muitos casos, o espaço permanece fechado por um período para rituais internos e, posteriormente, reabre sob nova liderança escolhida pelos orixás. A sucessão pode ocorrer de forma harmoniosa, mas também pode gerar disputas familiares ou religiosas.

Há ainda situações em que o terreiro encerra definitivamente suas atividades, seja por conflitos, seja por dificuldades estruturais e financeiras — já que os rituais exigem tempo, dedicação e recursos.

Para os praticantes, o Axexê garante que o axé da casa permaneça vivo e que o ancestral siga em paz. No candomblé, a morte é transformação, continuidade e memória.

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