ONU reconhece escravização de africanos como maior crime contra a humanidade

PUBLICIDADE
Resolução histórica aprovada com 123 votos propõe reparações, pedidos de desculpas e enfrentamento do racismo estrutural.
A Organização das Nações Unidas (ONU), aprovou nesta quarta-feira (25), uma resolução histórica que reconhece o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o maior crime contra a humanidade já cometido. O texto foi aprovado por 123 países, incluindo o Brasil, e propõe medidas como pedidos formais de desculpas, reparações e enfrentamento das desigualdades herdadas desse período.
A resolução, debatida na Assembleia Geral da ONU, marca um posicionamento internacional contundente sobre um dos capítulos mais brutais da história mundial. Durante cerca de 400 anos, milhões de africanos foram sequestrados, vendidos e explorados como mercadorias em colônias europeias nas Américas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou a necessidade urgente de enfrentar os impactos ainda presentes da escravidão.
“Precisamos remover as barreiras persistentes que impedem tantas pessoas de ascendência africana de exercer seus direitos e realizar seu potencial”, afirmou.
Reparação e justiça histórica
O documento aprovado recomenda que os países-membros considerem a apresentação de desculpas formais pelo tráfico de escravizados e contribuam para um fundo internacional de reparação.
Além disso, a resolução reforça a importância de devolver bens culturais retirados de países africanos durante o período colonial, incluindo obras de arte, artefatos históricos e documentos.
A proposta foi apresentada pelo presidente de Gana, John Mahama, que classificou o momento como um passo importante rumo à justiça:
“Hoje, nos reunimos em solene solidariedade para afirmar a verdade e buscar um caminho rumo à cura e à justiça reparatória.”
A Organização das Nações Unidas reconhece escravidão como o maior crime da humanidade — Foto; ONU/Divulgação
Como foi a votação
A votação contou com amplo apoio internacional:
- ✅ 123 países votaram a favor (incluindo Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul)
- ❌ 3 países votaram contra: Estados Unidos, Israel e Argentina
- ⚠️ 52 países se abstiveram, principalmente nações europeias
Entre os países que se abstiveram estão antigas potências coloniais como Portugal, Reino Unido, França, Espanha, Bélgica e Países Baixos.
A presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, reforçou o peso histórico da decisão:
“O tráfico de escravizados está entre as mais graves violações de direitos humanos da história.”
3 países votaram contra à resolução que classifica o tráfico de africanos escravizados como o crime mais grave já cometido: Estados Unidos, Israel e Argentina — Foto; Reprodução/ONU
O Brasil ocupa um lugar central nesse debate. Foi o país que mais recebeu africanos escravizados — mais de 4 milhões — e também o último das Américas a abolir oficialmente a escravidão, em 1888.
A resolução reacende discussões sobre racismo estrutural, desigualdade social e políticas de reparação histórica no país.
O documento destaca que reconhecer o passado é essencial para construir um futuro mais justo. A proposta também enfatiza que as reparações não são apenas simbólicas, mas um caminho concreto para enfrentar desigualdades históricas.
A decisão da ONU reforça que o debate sobre justiça racial e reparação segue mais atual do que nunca — e exige ações reais da comunidade internacional.
Leia também;
Fontes; ONU News e Agência Brasil
PUBLICIDADE