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Pai que chamou a PM após filha desenhar Iansã em escola de SP é indiciado por intolerância religiosa

Redação Blé NewsRedação Blé News
06 de março de 2026 às 05:47· Atualizado em 14/03/2026 às 21:49

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Pai é indiciado por intolerância religiosa após chamar polícia em escola
Pai é indiciado por intolerância religiosa após chamar polícia em escolaReprodução/Portal ICL

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Caso ocorreu em escola infantil da Zona Oeste de São Paulo; atividade fazia parte de proposta pedagógica sobre cultura afro-brasileira prevista no currículo escolar.

A Polícia Civil de São Paulo indiciou por intolerância religiosa o pai de uma aluna que acionou a Polícia Militar do Estado de São Paulo após a filha participar de uma atividade escolar que incluía um desenho da orixá Iansã.

O caso aconteceu em novembro de 2025 na EMEI Antônio Bento, localizada na Zona Oeste da capital paulista. O inquérito foi conduzido pelo 34º Distrito Policial da Vila Sônia e encaminhado à Justiça em fevereiro.

Segundo as investigações, o homem — que seria policial militar — acusou a escola de obrigar crianças a participar de “aulas de religião africana”. A denúncia levou policiais armados até a unidade de ensino infantil.

Entrada de policiais armados causou medo na escola

De acordo com relatos de funcionários, 12 policiais armados entraram na escola, um deles portando uma arma de grosso calibre. A presença dos agentes dentro da unidade infantil gerou medo e constrangimento entre professores, pais e funcionários.

Uma funcionária que preferiu não se identificar afirmou ter sido interpelada pelos policiais por cerca de 20 minutos. Durante a abordagem, ela explicou que a atividade fazia parte do currículo antirracista adotado pela rede municipal, que inclui o ensino de elementos da cultura afro-brasileira.

A atuação dos agentes também é investigada por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM). Segundo a Secretaria da Segurança Pública, imagens das câmeras corporais e depoimentos dos envolvidos estão sendo analisados.

Desenhos foram inspirados em livro infantil

A atividade que gerou a polêmica utilizou o livro Ciranda de Aruanda, da autora Liu Oliveira, que apresenta orixás como personagens lúdicos para explicar elementos da cultura afro-brasileira às crianças.

Entre os personagens está Iansã, orixá presente em religiões de matriz africana como o Candomblé e a Umbanda, conhecida como a divindade ligada aos ventos, raios e tempestades.

Segundo a direção da escola, a atividade não tinha caráter religioso, mas sim cultural e educativo.

Pai teria rasgado mural com desenhos dos alunos

De acordo com relatos da comunidade escolar, um dia antes de acionar a polícia, o pai da criança teria ido até a escola e rasgado um mural com desenhos feitos pelos alunos sobre a cultura afro-brasileira.

A escola chegou a convidá-lo para uma reunião para esclarecer a proposta pedagógica, mas ele não compareceu.

Após a repercussão do caso, a diretora da unidade pediu licença médica, afirmando sentir-se ameaçada.

Comunidade escolar reagiu com abaixo-assinado

O episódio gerou forte mobilização na região do Butantã. Integrantes da comunidade escolar organizaram um abaixo-assinado em defesa da escola e de seus profissionais.

A jornalista Ana Aragão, representante da Rede Butantã, afirmou que o episódio causou indignação entre moradores.

No documento, os signatários manifestaram apoio aos professores e funcionários da escola e reforçaram a importância de uma educação plural.

Repudiamos veementemente qualquer forma de intolerância religiosa, racismo ou discriminação”, diz o texto.

Ensino da cultura afro-brasileira é obrigatório

A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo informou que a atividade faz parte da proposta pedagógica da rede.

No Brasil, o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena é obrigatório nas escolas. Essa determinação faz parte da legislação educacional do país e busca valorizar a diversidade e a formação histórica do povo brasileiro.

A Lei nº 10.639/2003 tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas instituições de ensino. Posteriormente, a Lei nº 11.645/2008 ampliou essa obrigatoriedade, incluindo também o estudo da história e da cultura dos povos indígenas no currículo escolar.

Essas leis reforçam a importância de reconhecer e valorizar as contribuições dos povos africanos e indígenas na construção da sociedade brasileira.

Agora, caberá à Justiça analisar o caso e decidir os próximos passos do processo.

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