Privatização da Sabesp: pedido de Luiz Fux adia julgamento no STF

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Após voto inicial de Cristiano Zanin favorável à desestatização, análise é interrompida e será retomada no plenário físico.
O julgamento sobre a privatização da Sabesp, foi interrompido nesta sexta-feira (20), no Supremo Tribunal Federal (STF), após um pedido de destaque do ministro Luiz Fux. A decisão suspende a análise no plenário virtual e leva o caso para julgamento presencial, ainda sem data definida. Antes da interrupção, o relator Cristiano Zanin votou por manter o processo de desestatização da companhia paulista.
O julgamento começou no plenário virtual e estava previsto para seguir até o dia 27 de março. No entanto, poucos minutos após o início, Luiz Fux pediu destaque — um mecanismo que reinicia a votação e transfere o caso para o plenário físico.
Na prática, isso significa que:
- 🔁 O julgamento será refeito do zero
- 🏛️ A decisão final ficará para uma sessão presencial
- 📅 Ainda não há data definida
Relator do caso, Cristiano Zanin foi o único a votar antes da suspensão — e seu posicionamento foi favorável à privatização.
O ministro rejeitou o pedido do Partido dos Trabalhadores, que tenta barrar a desestatização, alegando falta de fundamentação adequada.
“Impugnações genéricas e sem fundamentação concreta não são admissíveis”, destacou Zanin.
Importante: o ministro não chegou a analisar o mérito completo da privatização, focando apenas na fragilidade dos argumentos apresentados.
O que o PT questiona
O PT entrou com ação no STF levantando uma série de questionamentos sobre o processo de privatização da Sabesp, entre eles:
- 💰 Venda por valor abaixo do mercado
- ⚠️ Limitação de concorrência no processo
- 👥 Possível favorecimento de empresas específicas
- 🧑💼 Participação de nomes ligados ao setor privado na decisão
Entre os pontos citados está a atuação de Karla Bertocco, ex-executiva da Equatorial, empresa que acabou sendo a principal compradora.
Entendimento anterior do STF
Os argumentos do partido já haviam sido analisados anteriormente pelo então presidente da Corte, Luís Roberto Barroso.
Na ocasião, Barroso rejeitou o pedido para barrar a privatização, afirmando que:
- 📄 Seria necessário produzir provas — o que não cabe nesse tipo de ação
- 💸 Suspender o processo poderia gerar prejuízo de até R$ 20 bilhões ao estado de São Paulo
Tarcísio de Freitas governador de São Paulo, leiloando a EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) — Foto; Paulo Pinto/Agência Brasil
Como foi a privatização
O processo de desestatização da Sabesp foi concluído em 23 de julho de 2024 pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
📊 Os principais números:
- 💼 32% das ações foram vendidas
- 💰 15% adquiridos pela Equatorial por R$ 6,9 bilhões
- 📈 17% vendidos a investidores e funcionários por R$ 7,8 bilhões
- 💵 Valor por ação: R$ 67
A privatização da Sabesp é considerada uma das mais importantes do setor de saneamento no Brasil — e também uma das mais polêmicas.
De um lado, o governo defende ganhos de eficiência e investimento. Do outro, críticos apontam riscos de aumento de tarifas e perda de controle público sobre um serviço essencial.
Com o pedido de destaque, o tema volta ao centro do debate — agora com julgamento presencial e maior exposição política.
Fonte; Agência Brasil
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