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Brasil

Santos terá centro de memória para vítimas de violência do Estado

Redação Blé NewsRedação Blé News
05 de março de 2026 às 04:21· Atualizado em 14/03/2026 às 21:49

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Ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo / Iniciativa busca preservar memória e apoiar famílias.
Ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo / Iniciativa busca preservar memória e apoiar famílias.Raul Lansky/MDHC

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Espaço inédito no Brasil vai reunir memória, apoio psicológico e jurídico para familiares de vítimas de letalidade policial, com foco na Baixada Santista.

A cidade de Santos, no litoral de São Paulo, terá um Centro de Memória das Vítimas de Violência do Estado, um espaço dedicado à preservação da história, ao acolhimento de familiares e à promoção de direitos humanos. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (4), durante evento que contou com a participação da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo.

A iniciativa surge em um território marcado por episódios históricos de letalidade policial. Entre eles estão os Crimes de Maio de 2006, que deixaram 564 mortos no estado de São Paulo, sendo 115 na Baixada Santista.

Entre as vítimas estava Edson Rogério Silva dos Santos, filho de Débora Maria da Silva, fundadora do movimento Mães de Maio. Ele trabalhava como gari quando foi morto em circunstâncias que levantaram suspeitas de execução.

Baixada Santista concentra casos emblemáticos

A região foi escolhida para sediar o centro por concentrar alguns dos episódios mais marcantes de violência estatal no estado.

Além dos Crimes de Maio, a Baixada Santista também registrou 84 mortes durante as operações policiais Escudo e Verão, realizadas entre 2023 e 2024.

Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o novo espaço será uma iniciativa inédita no Brasil, voltada à memória, verdade, reparação e prevenção de novas violações.

A ministra Macaé Evaristo destacou a importância desses espaços para a sociedade.

Centros de memória são importantes porque trazem a verdade para a população, recuperam a dignidade das vítimas e de suas famílias e ajudam na garantia da justiça”, afirmou.

Espaço também terá centro de apoio às famílias

No mesmo local funcionará também o Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social (CAIS) Mães por Direitos, que atuará como um espaço de acolhimento para mães e familiares afetados pela violência do Estado.

O espaço funcionará como uma “porta aberta”, oferecendo orientação e acesso a serviços essenciais.

Entre os atendimentos previstos estão:

  1. apoio psicológico
  2. orientação jurídica
  3. articulação com políticas públicas
  4. acesso a direitos sociais

A proposta é criar um ambiente seguro para que famílias possam buscar ajuda e compartilhar suas histórias.

Parceria entre governo e movimentos sociais

A criação dos centros é resultado de uma parceria entre o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o movimento Mães de Maio e a Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas.

As organizações também serão responsáveis pela gestão e implementação do espaço.

Segundo Débora Maria da Silva, fundadora das Mães de Maio, o centro representa um marco simbólico para as famílias que perderam filhos em episódios de violência.

Esta é uma homenagem a nossos filhos, que não se pode apagar. Um memorial dos nossos filhos.

Cultura, memória e educação

Além do acolhimento às famílias, o espaço terá uma programação voltada à educação e à cultura.

Entre as atividades previstas estão:

  1. exposições permanentes
  2. acervo histórico e documental
  3. atividades culturais
  4. debates e ações educativas sobre direitos humanos

A proposta é transformar o local em um centro de memória viva, que preserve histórias, estimule reflexões e contribua para prevenir novas violações.


Fonte; Agência Brasil

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