São Paulo tem mais de 12,6 mil ambulantes e maioria trabalha sem autorização, aponta pesquisa

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Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos mostra que grande parte dos trabalhadores de rua enfrenta informalidade, longas jornadas e renda abaixo da média da capital.
Uma pesquisa inédita realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), revelou que a cidade de São Paulo tem pelo menos 12.671 trabalhadores ambulantes distribuídos em 12.377 bancas de venda espalhadas pela capital. O levantamento mostra que a maioria desses profissionais atua de forma informal, trabalha longas jornadas e ganha menos da metade da média salarial dos trabalhadores da cidade.
Apesar das dificuldades, oito em cada dez ambulantes dependem exclusivamente dessa atividade para sobreviver — e a maioria afirma que pretende continuar no comércio de rua.
Ambulantes vivem da atividade e não querem mudar de profissão
Segundo a pesquisa, 73% dos ambulantes disseram que não gostariam de mudar de profissão. Para muitos, o comércio de rua é mais do que uma alternativa temporária: é um meio de vida consolidado.
Metade dos trabalhadores atua no setor há menos de cinco anos, enquanto 47,8% estão na atividade há mais tempo, sendo que 15% trabalham como ambulantes há mais de duas décadas.
Para o pesquisador Tiago Rangel Côrtes, um dos responsáveis pelo estudo, esse dado mostra que o trabalho ambulante deixou de ser apenas uma ocupação provisória.
“A gente vê que o trabalho ambulante é um ofício e que as pessoas levam sua vida nessa atividade econômica, não é algo simplesmente passageiro”, afirmou durante a apresentação da pesquisa.
Informalidade ainda é realidade para a maioria
Outro dado importante do levantamento é a falta de autorização oficial para trabalhar nas ruas.
Apenas 39% dos ambulantes dizem ter permissão da prefeitura para ocupar os pontos onde trabalham atualmente.
Já 56% atuam sem autorização do poder público.
Mesmo assim, muitos trabalhadores demonstram interesse em regularizar a situação: 80% dos que trabalham sem licença afirmaram que gostariam de obter autorização, mas enfrentam obstáculos como burocracia, custos elevados e falta de novos pontos disponíveis.
Longas jornadas e renda menor
O estudo também revela que a jornada de trabalho dos ambulantes costuma ser mais extensa que a média da cidade.
Entre os trabalhadores da capital paulista, cerca de 74% trabalham até 44 horas semanais, limite máximo previsto na legislação brasileira.
Já entre os ambulantes:
- 56,5% trabalham até 44 horas semanais
- 44% ultrapassam esse limite
Entre os que trabalham além desse tempo, quase 30% têm jornadas superiores a 51 horas por semana.
A renda também é menor. Enquanto a média salarial dos trabalhadores de São Paulo é de R$ 5.323, os ambulantes ganham em média R$ 3 mil por mês, o equivalente a cerca de 56% da média da cidade.
Quem são os ambulantes da capital
O levantamento mostra também o perfil desses trabalhadores.
- 63% são homens
- 40% têm entre 31 e 50 anos
- 53% se identificam como pretos ou pardos
- 34% são brancos
- 10% são indígenas
Outro dado relevante é a presença de imigrantes no comércio de rua.
Segundo o estudo, 31% dos ambulantes são estrangeiros, vindos de 30 nacionalidades diferentes, principalmente de países da América do Sul.
“No caso dos indígenas, isso vem de uma participação grande de pessoas dos altiplanos, como venezuelanos e peruanos”, explicou Côrtes.
O que os ambulantes mais vendem
Entre os produtos mais comercializados nas ruas da capital paulista, destacam-se:
- Roupas – 55%
- Alimentos preparados – 14%
- Eletrônicos – 5,4%
- Bebidas – 4,8%
- Alimentos industrializados – 4,5%
- Livros, jornais e revistas – 4,5%
- Bolsas e carteiras – 4,4%
- Bijuterias e miudezas – 4%
Como a pesquisa foi realizada
O levantamento ouviu 2.772 ambulantes que trabalham em 70 áreas com grande concentração de comércio de rua, como:
- estações de transporte público
- unidades de saúde
- agências do Poupatempo
- parques e áreas movimentadas da cidade
Esses pontos fazem parte de um universo de 244 regiões com presença significativa de ambulantes na capital.
O estudo considerou apenas trabalhadores com pontos fixos de venda, o que indica que o número real de ambulantes na cidade pode ser ainda maior.
Fonte; Agência Brasil
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