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Saúde mental: edital seleciona 10 projetos em São Paulo

Redação Blé NewsRedação Blé News
20 de agosto de 2026 às 21:14· Atualizado em 20/08/2026 às 21:40

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Saúde mental ganha novo edital para iniciativas periféricas
Saúde mental ganha novo edital para iniciativas periféricasReprodução/Canva/Arte Equipe Blé News
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Fundação Tide Setúbal investirá R$ 2 milhões em iniciativas voltadas ao cuidado nas periferias.

A Fundação Tide Setúbal abriu as inscrições para a terceira edição do Edital Territórios Clínicos, iniciativa que vai selecionar 10 organizações, grupos e coletivos de todo o estado de São Paulo para receber apoio financeiro e acompanhamento técnico durante três anos. Ao todo, serão destinados R$ 2 milhões, com R$ 200 mil para cada iniciativa escolhida. As inscrições podem ser feitas até 31 de agosto de 2026, exclusivamente pela plataforma do edital. Podem participar organizações da sociedade civil, coletivos e grupos com ou sem CNPJ que desenvolvam ações relacionadas ao atendimento psicológico ou psicanalítico, à formação de profissionais ou à produção de conhecimento em saúde mental.

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O edital foi criado para fortalecer experiências que ampliem o acesso ao cuidado em saúde mental nos territórios periféricos de São Paulo. A proposta considera que as necessidades relacionadas ao sofrimento psíquico não se limitam aos consultórios ou aos serviços tradicionais de atendimento.

A Fundação Tide Setúbal afirma que busca apoiar iniciativas construídas a partir das próprias comunidades, especialmente aquelas que desenvolvem novas formas de cuidado, escuta e formação.

O apoio também pretende contribuir para o fortalecimento institucional das organizações selecionadas. Além do recurso financeiro, os grupos participarão de um processo de formação voltado à sustentabilidade das iniciativas e à ampliação do impacto de suas ações.

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Quem pode participar do edital de saúde mental

Podem se inscrever organizações da sociedade civil, coletivos e grupos que atuem no estado de São Paulo, com ou sem CNPJ.

As iniciativas precisam estar relacionadas a pelo menos uma das áreas previstas no edital: atendimento psicológico ou psicanalítico, formação de profissionais ou produção de conhecimento em saúde mental.

O objetivo é contemplar diferentes experiências e formatos de atuação, incluindo grupos que desenvolvem estratégias de cuidado diretamente nos territórios.

Inscrições ficam abertas até 31 de agosto

As inscrições para a terceira edição do Territórios Clínicos seguem abertas até 31 de agosto de 2026 e devem ser realizadas exclusivamente pela plataforma oficial do edital.

O processo seletivo será dividido em três etapas. Primeiro, serão analisadas as inscrições e os planos de ação apresentados pelos participantes.

Depois, as iniciativas pré-selecionadas passarão por entrevistas. Na etapa final, um comitê formado por especialistas em saúde mental e representantes da Fundação Tide Setúbal fará a avaliação das propostas.

O resultado está previsto para dezembro de 2026. As atividades das organizações escolhidas devem começar em 2027.

R$ 2 milhões serão distribuídos entre 10 organizações

O principal destaque financeiro desta edição é o investimento de R$ 2 milhões, dividido igualmente entre as 10 iniciativas selecionadas. Cada organização receberá R$ 200 mil para desenvolver seu trabalho.

O recurso será acompanhado por ações de formação e fortalecimento institucional. A proposta, segundo a Fundação Tide Setúbal, é fazer com que o investimento tenha impacto não apenas nas atividades realizadas pelos grupos, mas também na capacidade de gestão e sustentabilidade das organizações.

A edição atual dá continuidade a uma trajetória iniciada em 2021. Desde a criação do edital, 17 organizações já foram apoiadas, com um total de R$ 2,2 milhões destinados às iniciativas.

Na segunda edição, uma campanha de matchfunding arrecadou R$ 597.476 por meio de financiamento coletivo com participação de parceiros institucionais ou empresas.

Por que fortalecer o cuidado nos territórios periféricos?

Para Fernanda Almeida, coordenadora do Programa Saúde Mental e Territórios Periféricos da Fundação Tide Setúbal, o edital reconhece a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Rede de Atenção Psicossocial.

Saúde mental é um desafio globalFundação Tide Setúbal abriu inscrições para a 3ª edição do Edital Territórios Clínicos — Foto: Reprodução/Canva

A avaliação da fundação é que, diante da dimensão e da complexidade das demandas relacionadas à saúde mental, os serviços públicos enfrentam desafios para atender toda a população, principalmente nas periferias.

Nesse cenário, a iniciativa pretende atuar como parceira das políticas públicas, apoiando espaços de escuta e experiências de cuidado desenvolvidas dentro dos próprios territórios.

A fundação também destaca questões sociais que podem contribuir para o sofrimento psíquico, como desigualdade, violência, preconceito e precarização do trabalho.

Segundo Almeida, fortalecer experiências que surgem nas comunidades também pode contribuir para o desenvolvimento de futuras políticas públicas.

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Saúde mental é um desafio global

A discussão sobre ampliação do acesso ao cuidado ocorre em um cenário de crescente atenção internacional à saúde mental.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo.

No Brasil, dados citados pela Agência Brasil apontam que as licenças médicas relacionadas a ansiedade e depressão cresceram 68% em 2024 na comparação com o ano anterior. Ao mesmo tempo, os atendimentos relacionados à saúde mental no SUS continuam em expansão.

Nesse contexto, iniciativas comunitárias podem desempenhar um papel complementar na construção de redes de cuidado, especialmente em regiões onde fatores sociais e econômicos tornam o acesso aos serviços mais difícil.

A proposta do Territórios Clínicos parte justamente dessa perspectiva: apoiar organizações que já atuam nos territórios e ampliar sua capacidade de atendimento, formação e produção de conhecimento.

Para a Fundação Tide Setúbal, as respostas aos desafios da saúde mental também podem nascer das próprias comunidades. O novo edital pretende transformar essas experiências em iniciativas mais estruturadas e sustentáveis ao longo dos próximos três anos.

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