STF condena deputados do PL por corrupção passiva em esquema de propina com emendas

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Parlamentares foram acusados de cobrar R$ 1,6 milhão em propina para liberar R$ 6,6 milhões; penas chegam a mais de 6 anos de prisão.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou, por unanimidade, os deputados federais Josimar Maranhãozinho (PL-MA), e Pastor Gil Pastor Gil (PL-MA), além do suplente Bosco Costa (PL-SE), pelo crime de corrupção passiva.
A decisão foi tomada nesta terça-feira (17), com base em denúncia da Procuradoria-Geral da República, que apontou a cobrança de propina para liberação de emendas parlamentares.
De acordo com a acusação, entre janeiro e agosto de 2020, os parlamentares solicitaram R$ 1,6 milhão em vantagem indevida para liberar cerca de R$ 6,6 milhões em emendas destinadas ao município de São José de Ribamar (MA).
O relator do caso, o ministro Cristiano Zanin, afirmou que há provas robustas — tanto documentais quanto testemunhais — de que os acusados atuaram de forma conjunta no esquema.
“Há robustas provas orais e documentais […] indicando que teriam atuado em concertação ilícita”, destacou o ministro.
O voto de Zanin foi acompanhado pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
Penas definidas: prisão, inelegibilidade e indenização
Após a condenação, o STF definiu as seguintes penas:
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Josimar Maranhãozinho: 6 anos e 5 meses de prisão
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Pastor Gil: 5 anos e 6 meses
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Bosco Costa: 5 anos
📌 Todos deverão cumprir pena em regime semiaberto.
Além disso:
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Ficarão inelegíveis por 8 anos após o cumprimento da pena
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Devem pagar R$ 1,6 milhão por danos morais coletivos
Apesar da decisão, os parlamentares não serão presos imediatamente, pois ainda cabe recurso.
Mandato ainda será decidido pela Câmara
Mesmo com a condenação, a perda do mandato não é automática.
O Supremo Tribunal Federal decidiu que caberá à Câmara dos Deputados avaliar se o regime semiaberto é compatível com o exercício do cargo.
Essa decisão só será tomada após o trânsito em julgado — ou seja, quando não houver mais possibilidade de recurso.
As defesas dos acusados negaram as acusações e questionaram o processo.
Entre os argumentos apresentados:
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Falta de comprovação de vínculo entre recursos e emendas
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Supostas irregularidades na investigação
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Questionamentos sobre provas digitais
Os advogados também alegaram que alguns dos parlamentares sequer tinham relação política com o município envolvido.
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