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Cultura

Sueli Carneiro oficializa cidadania do Benim durante gravação de documentário baiano

Redação Blé NewsRedação Blé News
04 de março de 2026 às 19:59· Atualizado em 14/03/2026 às 21:49

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Sueli Carneiro, Conceição Evaristo e Mirtes Renata
Sueli Carneiro, Conceição Evaristo e Mirtes RenataAlile Dara Onawale

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Passaporte foi entregue em cerimônia histórica registrada pelo filme “Mulheres Negras em Rotas de Liberdade”, produção da Acarajé Filmes

A filósofa, escritora e referência do movimento negro brasileiro Sueli Carneiro recebeu oficialmente, no dia 27 de fevereiro de 2026, o passaporte do Benim, formalizando sua cidadania beninense concedida em dezembro de 2024.

A cerimônia ocorreu no país africano e foi registrada pelo documentário “Mulheres Negras em Rotas de Liberdade”, dirigido por Urania Munzanzu e produzido pela Acarajé Filmes em coprodução com a Mulungu Realizações Culturais.

Um gesto político e histórico

Doutora em Educação pela USP e fundadora do Geledés Instituto da Mulher Negra, Sueli Carneiro é uma das principais vozes do feminismo negro no Brasil. Sua trajetória foi decisiva para a consolidação de políticas públicas de igualdade racial e iniciativas voltadas à saúde mental de mulheres negras.

A conquista da cidadania teve início em março de 2023, durante as gravações do documentário, quando Sueli revelou o desejo de ter um passaporte de um país africano. A partir daí, a equipe passou a articular institucionalmente o processo, que ganhou força após o governo do Benim anunciar, em visita a Salvador, a possibilidade de afrodescendentes solicitarem cidadania como forma de reparação histórica.

Com autorização do Ministério da Justiça e do Ministério das Relações Exteriores do Benim, Sueli tornou-se a primeira pessoa a dar entrada no pedido dentro desse novo marco legal.

Não me interessa o lugar da exceção nem o título de ‘primeira’, mas a possibilidade de que esse gesto abra caminhos”, declarou a filósofa, destacando o caráter coletivo da conquista.

Cinema, memória e reparação

Para a diretora Urania Munzanzu, o ato simboliza a materialização de uma reivindicação histórica do movimento negro brasileiro, ecoando a luta de lideranças como Luiza Bairros.

A comitiva que acompanhou a cerimônia contou com nomes como a escritora Conceição Evaristo, além de ativistas, gestoras públicas e integrantes da produção do filme.

Mais do que um documento, o passaporte representa um marco simbólico no debate sobre diáspora africana, pertencimento e reparação histórica — temas centrais do documentário, que acompanha trajetórias de mulheres negras conectadas por rotas de resistência e liberdade.



Fonte; Assessoria de Imprensa / Gi Santana

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