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Apologia ao nazismo: terreiro é pichado na Bahia após 6 ataques

Redação Blé NewsRedação Blé News
25 de abril de 2026 às 17:44

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Centro de Umbanda é vandalizado com símbolos nazistas na BA
Centro de Umbanda é vandalizado com símbolos nazistas na BAReprodução

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Caso aconteceu em Guanambi (BA). Local com quase 80 anos de atuação foi pichado com apologia ao nazismo após série de invasões.

Um centro de Umbanda foi vandalizado com símbolos de apologia ao nazismo na cidade de Guanambi, no sudoeste da Bahia. O Centro de Umbanda São Jorge Guerreiro, que atua há quase 80 anos na região, teve a fachada pichada com suásticas e outros elementos relacionados ao regime nazista no último sábado (18). Desta vez, não houve invasão, mas a instituição religiosa já foi alvo de arrombamentos e furtos seis vezes no último ano. O advogado do centro tenta registrar o caso na polícia, enquanto a Prefeitura e a OAB repudiaram o ataque. A prática é crime no Brasil, com pena de até cinco anos de reclusão.

O caso mais recente de intolerância religiosa foi registrado no dia 18 de janeiro, quando os responsáveis pelo Centro de Umbanda São Jorge Guerreiro encontraram a fachada pichada com símbolos nazistas. Imagens do local começaram a circular nas redes sociais na quinta-feira (23) e geraram grande repercussão e revolta entre moradores da cidade e lideranças religiosas.

Apesar da gravidade dos símbolos utilizados, desta vez o terreiro não foi invadido. Em ocasiões anteriores, porém, os ataques foram mais violentos.

Segundo Joel das Neves da Silva, vice-presidente do centro, a instituição religiosa vem sendo alvo de ações criminosas há cerca de um ano.

Nesse período, o centro já foi arrombado seis vezes. Imagens sagradas foram quebradas, documentos rasgados, e itens como velas e alimentos foram furtados.

O caso mais recente, com a pichação de apologia ao nazismo, acendeu um alerta ainda maior para a comunidade religiosa e para os defensores dos direitos humanos na região.

arrombamentos sofridos pelo Centro de Umbanda São Jorge GuerreiroRegistro de um dos seis arrombamentos sofridos pelo Centro de Umbanda São Jorge Guerreiro em 2025 — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

O que diz a lei sobre apologia ao nazismo no Brasil
No Brasil, a apologia ao nazismo é crime previsto em lei. A Lei nº 7.716/1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou cor, prevê reclusão de dois a cinco anos para quem fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou suástica, para fins de divulgação do nazismo.

Ou seja, pichar um terreiro de Umbanda com suásticas configura crime de intolerância religiosa e racismo, com penas severas.

O advogado que representa o centro, Eunadson Donato, afirmou que acionou a polícia e tenta registrar a ocorrência formalmente. No entanto, a Polícia Civil informou que, até o momento, não localizou o registro do caso.

Essa dificuldade burocrática é comum em ocorrências de intolerância religiosa, segundo especialistas, e evidencia a necessidade de canais mais ágeis para denúncias.

Repúdio da Prefeitura e da OAB-BA
Prefeitura de Guanambi se manifestou oficialmente, classificando o ato como um “ataque de ódio, de cunho racista e de intolerância religiosa”. A nota diz ainda que a cidade é alicerçada "nos valores do respeito, da diversidade cultural e religiosa, além da liberdade de crença".

Já a Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção Guanambi também repudiou o episódio, afirmando que o caso “exalta o ódio” e representa “violação direta aos direitos humanos fundamentais, em especial à liberdade de crença, à igualdade e à dignidade da pessoa humana”.

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Por que esse caso acende um alerta na Bahia
A Bahia é um estado de forte tradição de matriz africana, com milhares de terreiros de Umbanda e Candomblé. No entanto, casos de intolerância religiosa têm se repetido, muitas vezes sem solução adequada por parte das autoridades.

O ataque ao Centro de Umbanda São Jorge Guerreiro não é um fato isolado. Ele representa um padrão de violência simbólica e física contra religiões de matriz africana, que historicamente sofrem discriminação e marginalização.

O que fazer em caso de intolerância religiosa
Se você ou alguém que conhece sofreu ataques por motivos religiosos, saiba que:

  • Disque 100 (Direitos Humanos) recebe denúncias anônimas.

  • Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância pode registrar ocorrência em diversos estados.

  • Guarde provas: fotos, vídeos e testemunhas.

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