Terra de fé violada: Pai de santo é morto a facadas na Bahia

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Líder religioso foi atacado dentro do próprio terreiro em Vitória da Conquista e choca comunidade de axé.
Um pai de santo foi morto a facadas na noite da última segunda-feira (13) dentro do próprio terreiro em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia. A vítima, Josiel Oliveira Bomfim, de 29 anos, liderava a casa de quimbanda “Passagem de Exu”, no bairro Cruzeiro. Segundo a Polícia Civil, dois homens invadiram o local, atacaram Josiel com uma arma branca e ele morreu na hora. Testemunhas afirmam que um dos suspeitos estava armado com faca e o outro, com revólver. Após o assassinato, a dupla amarrou pessoas que estavam no terreiro, roubou celulares e equipamentos de segurança, e fugiu. A polícia ainda não definiu a motivação do crime, mas a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa da OAB já cobra investigação rigorosa.
O que se sabe sobre o crime no terreiro
Na noite de segunda (13), pouco depois das 19h, dois homens chegaram à Rua Calércio Santos Sandes, no bairro Cruzeiro. Eles invadiram a casa de quimbanda “Passagem de Exu” e foram direto ao encontro de Josiel. Com uma faca, atingiram o líder religioso em região vital. Ele não resistiu. No momento do ataque, alguns filhos de santo estavam reunidos no local.
Segundo relatos de testemunhas, um dos criminosos usava faca e o outro, arma de fogo. Após matar Josiel, a dupla:
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Amarrou frequentadores do terreiro.
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Recolheu celulares.
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Levou equipamentos que armazenavam imagens de câmeras de segurança.
O objetivo claro era dificultar a identificação. Até o momento, ninguém foi preso.

Pai de santo Josiel Oliveira Bomfim é morto a facadas na Bahia, ele liderava a casa de quimbanda “Passagem de Exu”, no bairro Cruzeiro – Foto: Reprodução/Instagram/@casa_quimbanda_passagem_de_exu
Quem era Josiel Oliveira Bomfim?
Josiel tinha 29 anos, era casado e deixa um filho de 4 anos. Ele era uma liderança respeitada na comunidade do Cruzeiro. Amigos e frequentadores do terreiro o descrevem como acolhedor e dedicado à fé. Curiosamente, antes de se tornar pai de santo, Josiel atuou como pastor. Ele liderava a casa “Passagem de Exu” há cerca de seis anos. No bairro Cruzeiro, o espaço funcionava há três.
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O que diz a polícia e a OAB
A 1ª Delegacia Territorial de Vitória da Conquista investiga o caso. Câmeras de segurança das proximidades estão sendo analisadas. Testemunhas começaram a ser ouvidas na manhã desta terça-feira (14). A polícia ainda não definiu uma linha de investigação oficial. Não se sabe se o crime teve motivação religiosa, pessoal ou ligada a outros conflitos.
A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa da OAB de Vitória da Conquista divulgou uma nota pública demonstrando indignação e solidariedade.
"É com profundo pesar e indignação que acompanhamos as notícias sobre a morte trágica de Josiel Bonfim, ocorrida ontem (13/04/2026) no bairro Cruzeiro, em Vitória da Conquista-BA. Mesmo para quem não o conhecia pessoalmente, é impossível não se sensibilizar com a dor de uma comunidade que perde uma liderança respeitada e acolhedora de forma tão violenta.
Saber que um homem foi atacado dentro de seu próprio templo, um local que deveria ser de paz e sagrado para tantos, causa uma consternação profunda em todos nós. A morte de um líder religioso de matriz africana é uma perda que ecoa além das fronteiras do seu bairro, ferindo o sentimento de segurança e o respeito à diversidade que devem reger nossa sociedade.
Manifestamos nossa total solidariedade aos amigos, vizinhos e filhos de santo que hoje choram essa perda inestimável. Cobramos das autoridades da Bahia uma investigação célere e incisiva. Não podemos aceitar que crimes dessa natureza fiquem impunes; é preciso que os autores sejam identificados e que a justiça seja aplicada com o rigor necessário para honrar a memória de Josiel e trazer um mínimo de alento aos que ficaram.
Justiça por Josiel Bonfim. 🖤"
Sepultamento e comoção local
O corpo de Josiel foi encaminhado ao Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Vitória da Conquista e liberado para a família na manhã de terça-feira (14). O velório e sepultamento estavam previstos para a tarde, mas o local não foi divulgado por familiares, por questões de segurança.
A comunidade organiza atos de repúdio à violência contra terreiros. Muitos frequentadores de religiões de matriz africana na região relatam medo e cobram proteção.
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