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Apostas online: 42% dos apostadores tentam recuperar dinheiro perdido

Redação Blé NewsRedação Blé News
22 de setembro de 2026 às 09:00

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Apostas online; bets
Apostas online; betsJoédson Alves/Agência Brasil

Pesquisa no Rio mostra que 42% dos entrevistados voltaram a apostar após perder dinheiro; gasto anual chega a R$ 2,2 bilhões.

As apostas online movimentam cerca de R$ 2,2 bilhões por ano e podem contribuir para um ciclo de perdas, novas apostas e endividamento. É o que aponta uma pesquisa do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec-RJ), realizada entre 22 e 25 de junho com 1.024 moradores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

O levantamento mostra que 22,8% dos entrevistados já participaram de apostas online. Entre eles, 33% disseram apostar pela possibilidade de ganhar dinheiro rapidamente, enquanto 25,4% enxergam a atividade como uma forma de conseguir renda extra.

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O estudo também identificou sinais de dificuldade para interromper o comportamento. 22,3% dos apostadores afirmaram ter dificuldade de parar, enquanto 29,1% disseram já ter sentido culpa por apostar.

Outro dado chama atenção: 42% afirmaram que, depois de perder dinheiro, voltaram a apostar para tentar recuperar o prejuízo.

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Apostas online entram no orçamento das famílias

O gasto médio mensal declarado pelos apostadores foi de R$ 96,30. A partir desse valor, o IFec-RJ estima que aproximadamente 1,9 milhão de pessoas da Região Metropolitana do Rio já tenham participado de apostas online.

A estimativa é de que sejam movimentados cerca de R$ 182 milhões por mês na região.

Em termos anuais, o volume chega a aproximadamente R$ 2,2 bilhões, valor superior a três vezes a movimentação financeira estimada para as compras de Natal.

Para o diretor-executivo do IFec-RJ, João Gomes, parte dos apostadores desenvolve uma percepção de que o jogo pode representar uma maneira rápida de ganhar dinheiro, complementar a renda ou até funcionar como investimento.

A pesquisa, entretanto, aponta uma realidade diferente para uma parcela dos participantes.

Entre os entrevistados que já apostaram, 5,1% afirmaram ter se endividado por causa das apostas. O número ganha relevância quando analisado junto a outros indicadores levantados pelo instituto.

Endividamento e tentativa de recuperar perdas

Ao menos 42,9% dos entrevistados disseram possuir algum tipo de dívida. Entre as pessoas endividadas, 45,9% afirmaram estar com os pagamentos atrasados.

Nesse cenário, a tentativa de recuperar dinheiro perdido pode criar um ciclo de novas apostas.

Segundo a pesquisa, 42% dos apostadores disseram ter voltado a jogar depois de perder dinheiro para tentar recuperar o prejuízo.

O levantamento também identificou que 6,9% dos participantes afirmaram já ter sofrido algum prejuízo ou causado impacto a outra pessoa em razão das apostas. Entre esse grupo, 68% relataram perda financeira.

O problema, portanto, não aparece apenas associado ao valor colocado diretamente nas plataformas. Ele também pode envolver consequências para o orçamento doméstico e para relações pessoais.

Apostas online e a falsa promessa de renda rápida

A expectativa de obter dinheiro rapidamente aparece entre os principais motivos relatados pelos participantes.

Dos entrevistados que já apostaram, 33% apontaram a possibilidade de ganhar dinheiro rápido como uma das razões para participar. Outros 25,4% disseram enxergar nas apostas uma oportunidade de gerar renda extra.

Esse comportamento é acompanhado por diferentes níveis de frequência.

Quem aposta com mais frequência

A pesquisa aponta que 21,9% dos participantes que já apostaram disseram fazê-lo diariamente. Outros 27,9% afirmaram apostar uma ou duas vezes por semana.

Entre as modalidades citadas, as chamadas bets aparecem com destaque. Segundo a sondagem, 60,9% dos que já participaram de apostas online afirmaram ter apostado nesse formato.

O chamado Tigrinho apareceu em seguida, citado por 49,4% dos entrevistados que já apostaram.

A distribuição de renda também chama atenção. Entre os participantes que já apostaram, 36% recebem entre um e dois salários mínimos por mês. Outros 19,7% estão na faixa de dois a três salários mínimos, enquanto 19,4% têm renda de até um salário mínimo.

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Quando a aposta deixa de ser entretenimento

Os números levantados pelo IFec-RJ também mostram indicadores relacionados à perda de controle.

Além dos 22,3% que disseram ter dificuldade para parar, 34,8% afirmaram já ter sido criticados por causa do hábito de apostar.

Outros 29,1% disseram ter sentido culpa após apostar.

Esses dados não significam que todos os apostadores apresentem problemas financeiros ou perda de controle. A pesquisa, porém, identifica comportamentos de risco entre uma parcela dos participantes e mostra como as apostas podem se relacionar com o orçamento familiar.

O diretor-executivo do IFec-RJ avalia que o impacto ultrapassa a dimensão individual.

É um problema que ultrapassa a esfera individual e produz impactos socioeconômicos mais amplos.”

Na avaliação apresentada pelo instituto, o dinheiro destinado às apostas também deixa de circular em outras atividades de consumo e investimento, o que pode reduzir o potencial de movimentação da economia fluminense.

O levantamento reforça, assim, que a discussão sobre apostas online não envolve apenas a possibilidade de ganhar ou perder dinheiro em uma plataforma. Ela também passa por endividamento, orçamento familiar, comportamento de consumo e impactos sociais.

Com a expansão das plataformas digitais de apostas, os dados ajudam a dimensionar um fenômeno que já movimenta bilhões de reais e que, para uma parcela dos usuários, pode resultar em dificuldades para interromper o hábito ou recuperar perdas.

Fonte: Agência Brasil, com dados da pesquisa do IFec-RJ.

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