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Desenho de orixá: vídeo mostra PM acusando diretora de "ideologia"

Redação Blé NewsRedação Blé News
23 de junho de 2026 às 12:00

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Desenho de orixá: vídeo mostra PM acusando diretora de "ideologia"
Desenho de orixá: vídeo mostra PM acusando diretora de "ideologia"Reprodução

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Imagens das câmeras corporais mostram discussão entre policiais e direção escolar após denúncia de pai sobre atividade baseada na cultura afro-brasileira.

As imagens das câmeras corporais dos policiais militares que atenderam uma ocorrência na EMEI Antônio Bento, em São Paulo, em novembro de 2025, revelam momentos de tensão entre agentes da Polícia Militar e a diretora da unidade escolar. O vídeo mostra o tenente Ronald Camacho afirmando que a educadora queria "ditar sua ideologia" durante uma discussão sobre uma atividade pedagógica que levou uma criança de quatro anos a desenhar a orixá Iansã. O caso ganhou repercussão nacional após o pai da estudante, também policial militar, denunciar que a filha estaria sendo exposta a uma religião diferente da praticada pela família. Especialistas afirmam, porém, que a atividade fazia parte do ensino da história e cultura afro-brasileira, previsto em lei, e não configurava ensino religioso.

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As gravações obtidas pelo portal Metrópole, mostram que o pai apresentou aos policiais o desenho produzido pela filha durante uma atividade inspirada no livro "Ciranda em Aruanda". Segundo ele, a criança estaria sendo obrigada a participar de uma aula ligada a outra religião.

Ao entrarem na escola, os policiais conversaram com a diretora, que demonstrou surpresa ao saber que eles haviam sido chamados pelo pai. A educadora explicou que, na realidade, a própria escola havia solicitado apoio devido ao comportamento agressivo apresentado pelo responsável da criança no dia anterior.

Ela relatou que o homem teria elevado o tom de voz, intimidado uma professora e retirado o desenho das mãos da criança.

Segundo a direção, a atividade fazia parte de um projeto pedagógico fundamentado na Lei Federal nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas brasileiras.

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Pai chamou a Polícia Militar após filha desenhar Iansã em escola de Saõ Paulo — Foto: Reprodução/Portal ICL

Durante a conversa, a diretora tentou explicar que a proposta não era ensinar uma religião, mas trabalhar aspectos culturais presentes na literatura infantil.

O tenente Ronald Camacho interrompeu diversas vezes a explicação e afirmou que o desenho de Iansã representava uma entidade religiosa.

A discussão aumentou quando a educadora convidou os policiais e o pai para participarem de uma reunião do conselho escolar.

Os agentes recusaram o convite.

Momentos depois, o policial afirmou:

A senhora quis impor e ditar as suas regras, ditar seu pensamento, ditar a sua ideologia. Não vou conversar com a senhora agora. E, se tiver alguma medida, eu tomarei; voltarei aqui com a medida administrativa”, disse o tenente, ao discutir com a diretora naquele dia.

As imagens registram ainda que a diretora passou mal após o episódio e deixou a conversa.

Leia também: Pai que chamou a PM após filha desenhar Iansã em escola de SP é indiciado por intolerância religiosa

Lei sobre cultura afro-brasileira é diferente do ensino religioso

Especialistas destacam que existe diferença entre ensinar uma religião e abordar conteúdos históricos e culturais relacionados aos povos africanos e afro-brasileiros.

Em entrevista para o portal Metrópoles, a pedagoga e escritora Kiusam Oliveira explicou que estudar os orixás em sala de aula não significa promover uma religião, da mesma forma que o ensino sobre Zeus, Poseidon ou outras divindades da mitologia grega não representa catequização.

Segundo ela, o problema revela um padrão histórico em que manifestações culturais africanas ainda são frequentemente confundidas com prática religiosa, consequência do racismo estrutural.

Isso revela outra face perversa do racismo: culturas de matriz africana continuam sendo marginalizadas, invisibilizadas ou tratadas com suspeitas”, diz ela.

A Lei 10.639/2003 determina que escolas públicas e privadas incluam conteúdos sobre história e cultura afro-brasileira em seus currículos.

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Polícia Militar e Polícia Civil investigam o caso

Após ouvir a diretora e conversar por telefone com a supervisora da Diretoria Regional de Ensino, o próprio tenente reconheceu que não identificava crime praticado pela escola.

Segundo ele, tratava-se de um conflito de interpretações.

"Eu não vejo nenhum criminoso aqui. Para mim, isso é uma confusão de ideias." — declarou o tenente Ronald Camacho após ouvir os dois lados da ocorrência.

Apesar disso, o boletim de ocorrência foi elaborado inicialmente com base na versão apresentada pelo pai da criança.

Posteriormente, a Polícia Civil indiciou o responsável por intolerância religiosa.

Já a Polícia Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos agentes que participaram da ocorrência.

Até a publicação da reportagem original, a Secretaria da Segurança Pública não havia informado se a investigação havia sido concluída.

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