Dia Universal de Oração ganha data oficial em São Paulo

Celebrada em 1º de janeiro, nova data foi criada por lei de autoria do vereador André Santos e promulgada pelo prefeito Ricardo Nunes.
São Paulo terá oficialmente um Dia Universal de Oração, celebrado todos os anos em 1º de janeiro. A inclusão da data no Calendário de Eventos da cidade foi estabelecida pela Lei Municipal nº 18.561/2026, promulgada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) em 30 de setembro e publicada no Diário Oficial em 1º de outubro.
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A nova celebração nasceu do Projeto de Lei nº 374/2022, apresentado pelo vereador André Santos (Republicanos). A proposta foi aprovada pela Câmara Municipal em 22 de setembro de 2026, depois de mais de quatro anos de tramitação.
A lei altera o calendário municipal previsto na Lei nº 14.485/2007 e estabelece o Dia Universal de Oração para o primeiro dia de cada ano. A medida, portanto, cria uma data comemorativa oficial, mas não transforma o dia em feriado municipal nem determina que a população participe de atividades religiosas. O texto legal apenas inclui a celebração no calendário de eventos da cidade.
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Dia Universal de Oração foi proposto em 2022
A proposta começou a tramitar em 31 de maio de 2022. Na justificativa apresentada à Câmara, André Santos defendeu que a criação da data serviria para evitar que a prática da oração fosse esquecida ou reduzida a um ritual meramente formal.
Segundo o vereador, escolher o primeiro dia do ano teria um significado simbólico. A ideia é associar o início de um novo ciclo à reflexão sobre a importância da oração em diferentes momentos da vida.
A justificativa do projeto utiliza referências diretamente relacionadas à tradição cristã e menciona a importância da oração para a “igreja de Cristo”. Isso ajuda a compreender a motivação apresentada pelo autor da proposta, embora a lei municipal aprovada tenha uma redação mais objetiva: incluir a data no calendário oficial.
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Como funciona a nova data comemorativa
Na prática, o Dia Universal de Oração passa a constar oficialmente entre as datas comemorativas do município. A lei entrou em vigor na data de sua publicação, em 1º de outubro de 2026, e a primeira celebração anual após a criação da norma ocorrerá em 1º de janeiro de 2027.

A mudança também chama atenção porque 1º de janeiro já reúne outras duas datas no calendário municipal: o Dia do Clube Esportivo da Penha e o Dia da Revolução Antiescravista do Haiti. Com a nova legislação, são três celebrações oficialmente associadas ao primeiro dia do ano.
A nova data e a diversidade religiosa de São Paulo
A inclusão acontece em uma cidade marcada por uma ampla diversidade religiosa. O próprio calendário municipal reúne, em janeiro, diferentes datas relacionadas à fé, à cultura e à história.
Entre elas está o Dia Municipal da Liberdade de Culto, celebrado em 7 de janeiro, e o Dia do Combate à Intolerância Religiosa, em 21 de janeiro. Segundo levantamento divulgado pela Agência Estado, janeiro reúne 41 datas comemorativas previstas no calendário oficial de São Paulo.
Esse contexto torna a criação de novas datas religiosas um tema que vai além da simples atualização de calendário. Em uma metrópole com diferentes tradições religiosas e também pessoas sem religião, a forma como o poder público reconhece manifestações de fé costuma provocar discussões sobre pluralidade, liberdade religiosa e laicidade do Estado.
A existência de uma data oficial, por si só, não significa que o município tenha adotado uma religião ou estabelecido uma prática religiosa obrigatória. A Constituição brasileira garante a liberdade de consciência e de crença, enquanto a administração pública deve observar a separação entre Estado e instituições religiosas.
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O papel do Republicanos na proposta
O projeto que deu origem à nova data foi apresentado pelo vereador André Santos, integrante do Republicanos. A autoria partidária é relevante para entender o contexto político da iniciativa, mas não significa, por si só, que a lei represente uma posição institucional de toda a legenda sobre a celebração.
Vereador de São Paulo, André Santos (Republicanos). — Foto: Reprodução/Redes Sociais/André Santos
O Republicanos possui uma relação histórica documentada com a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Pesquisa publicada na Revista Brasileira de Ciências Sociais descreve a trajetória de formação do partido e a participação de atores ligados à Universal desde o período de criação da legenda.
O partido surgiu originalmente como Partido Municipalista Renovador (PMR), obteve registro definitivo no Tribunal Superior Eleitoral em 2005 e posteriormente passou a se chamar Partido Republicano Brasileiro (PRB), até adotar o nome Republicanos, em 2019.
O que a lei diz — e o que ela não diz
É importante não confundir o contexto político da autoria com o conteúdo da legislação.
A Lei nº 18.561/2026 não cita a Igreja Universal do Reino de Deus e não estabelece qualquer participação obrigatória de igrejas na organização da data. O texto legal limita-se a alterar o calendário municipal para incluir o Dia Universal de Oração em 1º de janeiro.
Essa distinção é especialmente importante em uma pauta que envolve religião e política. A origem da proposta, a justificativa apresentada pelo vereador e a trajetória política do partido podem ser analisadas separadamente do conteúdo efetivamente aprovado pela Câmara e promulgado pelo Executivo.
No fim das contas, São Paulo passa a ter mais uma data oficial dedicada a uma manifestação de fé. A partir de 2027, o primeiro dia do ano terá também esse significado no calendário municipal — ao lado de celebrações de natureza esportiva e histórica.




