Empresário que dirigia Porsche em alta velocidade vai a júri por morte de motorista em SP

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Empresário Fernando Sastre dirigia a 136 km/h em via de 50 km/h, supostamente embriagado. Se condenado por homicídio doloso, pena pode chegar a 30 anos.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) marcou para o dia 29 de outubro de 2026 o júri popular do empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, acusado de matar o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana durante um acidente envolvendo um Porsche azul no Tatuapé, Zona Leste da capital paulista. O caso aconteceu em 31 de março de 2024 e ganhou repercussão nacional pela gravidade da colisão, pelas suspeitas de embriaguez e pela alta velocidade apontada pela investigação.
Segundo o Ministério Público, Fernando dirigia o carro esportivo de luxo acima de 100 km/h na Avenida Salim Farah Maluf quando bateu na traseira do Renault Sandero conduzido por Ornaldo, que morreu no local. Um laudo do Instituto de Criminalística indicou que o Porsche atingiu o veículo a 136 km/h, quase três vezes acima do limite permitido na via, que é de 50 km/h.
O empresário segue preso preventivamente. Até fevereiro deste ano, a Justiça já havia negado oito pedidos de liberdade apresentados pela defesa.
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Caso Porsche no Tatuapé teve repercussão nacional
O acidente rapidamente virou um dos casos de trânsito mais comentados do país. Imagens de câmeras de monitoramento flagraram o momento em que o Porsche acelera e atinge violentamente o carro da vítima. Além da morte do motorista de aplicativo, o acidente deixou gravemente ferido Marcus Vinicius Machado Rocha, estudante de medicina e amigo de Fernando, que estava no banco do passageiro do Porsche.
A investigação também reuniu vídeos gravados por testemunhas e imagens das câmeras corporais dos policiais militares que atenderam a ocorrência.
De acordo com a juíza Fernanda Perez Jacomini, há indícios suficientes de que o empresário dirigia sob influência de álcool no momento da colisão.
“A gravidade concreta da conduta evidencia a periculosidade do agente”, escreveu a magistrada na decisão.
A Justiça entendeu ainda que a manutenção da prisão preventiva é necessária diante do risco de reiteração delitiva e da gravidade do caso.
Acidente na Avenida Salim Farah Maluf terminou com um Renault Sandero destruído após ser atingido por um Porsche. O motorista do carro de luxo fugiu do local, enquanto o condutor do Sandero morreu — Foto: Divulgação/Polícia Civil de SP
Defesa nega embriaguez e pede liberdade
A defesa de Fernando Sastre afirma que o empresário não estava embriagado e questiona o fato de ele continuar preso preventivamente.
Segundo o advogado Jonas Marzagão, outros réus envolvidos em acidentes semelhantes respondem aos processos em liberdade, inclusive em casos com teste do bafômetro positivo. O advogado também argumenta que Fernando não fugiu do local do acidente e permaneceu na cena até ser liberado pelas autoridades.
A Polícia Militar, no entanto, não realizou teste do bafômetro no empresário no momento da ocorrência. Ainda assim, testemunhas relataram aos policiais que ele aparentava sinais de embriaguez.
Além disso, Marcus Vinicius declarou em depoimentos prestados à polícia e à Justiça que Fernando havia consumido bebida alcoólica antes de dirigir o Porsche.
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Homicídio qualificado e dolo eventual
Atualmente, Fernando responde por homicídio qualificado por perigo comum na modalidade de dolo eventual — quando a pessoa assume o risco de matar — além de lesão corporal gravíssima pelo ferimento causado ao passageiro do veículo.
A defesa tenta reverter a acusação para homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Em dezembro de 2025, os advogados entraram com habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedindo a reclassificação do crime. O pedido liminar foi negado, e o mérito ainda será analisado pelos ministros da Corte.
Os advogados também tentam retirar a qualificadora de “perigo comum”, alegando que o empresário não colocou terceiros em risco.
Somente após a análise do STJ o caso poderá chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Fernando Sastre de Andrade Filho, motorista do Porsche envolvido no acidente que resultou na morte de um motorista por aplicativo. — Foto: Reprodução/TV Globo
Porsche de luxo avaliado em mais de R$ 1 milhão
O veículo envolvido no acidente era um Porsche 911 Carrera GTS avaliado em mais de R$ 1 milhão.
As imagens da investigação mostram ainda o momento em que familiares do empresário chegam ao local após a colisão. Em vídeos das câmeras corporais da PM, é possível ouvir uma mulher dizendo: “Vamos, Fernando!”, enquanto ele deixa o local acompanhado da mãe e de um tio.
Segundo a investigação, o empresário saiu sob a justificativa de que receberia atendimento médico porque estaria ferido.
O caso passou a simbolizar o debate sobre impunidade no trânsito, especialmente em acidentes envolvendo carros de luxo, alta velocidade e suspeita de consumo de álcool.
Outro caso de Porsche chamou atenção em São Paulo
O episódio do Porsche azul relembrou outro caso de grande repercussão ocorrido em julho de 2024 na Zona Sul de São Paulo.
Na ocasião, o empresário Igor Ferreira Sauceda foi acusado de perseguir e atropelar o motociclista Pedro Kaique Ventura Figueiredo utilizando um Porsche amarelo.
A investigação concluiu que Igor havia ingerido bebida alcoólica e dirigia em alta velocidade. Apesar disso, ele foi solto pela Justiça em maio de 2025 após recurso da defesa.
A comparação entre os dois casos passou a ser usada pela defesa de Fernando para questionar a manutenção da prisão preventiva do empresário.
Enquanto o caso segue na Justiça, permanece a discussão: embriaguez ao volante, excesso de velocidade e fuga do local bastam para caracterizar homicídio doloso? A resposta deverá ser dada pelo júri popular.
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