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Intolerância religiosa: mãe tem corrida recusada por motorista de app

Alexandro OliverAlexandro Oliver
10 de abril de 2026 às 20:58

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Uber: Barbara Emanuelle da Silva Alves Ferreira, de 27 anos é recusada por vestir roupa de candomblé
Uber: Barbara Emanuelle da Silva Alves Ferreira, de 27 anos é recusada por vestir roupa de candombléArquivo Pessoal

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Caso aconteceu em São Vicente (SP). Motorista acelerou ao ver roupas de candomblé. Vítima estava com filhos de 3 e 7 anos.

Uma mulher de 27 anos, mãe de duas crianças, denunciou um caso de intolerância religiosa após ter a corrida de aplicativo recusada por um motorista da Uber. O caso aconteceu na noite de sexta-feira (3), no bairro Jardim Rio Branco, em São Vicente, litoral de São Paulo. Ao sair de um terreiro de candomblé, Bárbara Emanuelle da Silva Alves Ferreira conta que o motorista se aproximou, viu suas vestimentas religiosas, acelerou o carro e cancelou a viagem sem dar qualquer explicação. Ela estava com os filhos — um menino de 7 anos e uma menina de 3 anos, que dormia no colo. A empresa Uber afirmou que não tolera discriminação e disse que tomará medidas.

Bárbara solicitou uma corrida pelo aplicativo Uber para voltar para casa. Quando o carro se aproximou, ela pegou a filha no colo, segurou o outro filho pela mão e foi até a calçada com as bolsas para aguardar o motorista.

O motorista reduziu a velocidade ao se aproximar do ponto de partida. Mas, ao visualizar as vestimentas religiosas da passageira, acelerou bruscamente e foi embora sem parar. Minutos depois, cancelou a corrida.

Ele simplesmente olhou e logo após acelerou o carro, indo embora sem ao menos parar. Logo depois, cancelou a corrida, sem falar absolutamente nada, sem dar nenhuma explicação.” – Bárbara Emanuelle

A corrida já estava paga por cartão de débito. O valor foi estornado, mas a mulher precisou aguardar um tempo para solicitar outra viagem — algo que a deixou ainda mais vulnerável, segundo ela.

Bárbara afirma que ficou extremamente abalada.

Me senti extremamente desrespeitada, humilhada e indignada. Eu estava com duas crianças, à noite, carregando uma no colo, e fui simplesmente ignorada bruscamente daquele jeito”, desabafou.

“Isso não é um caso isolado”

A jovem lamentou que situações como essa sejam recorrentes.

O que mais dói é saber que isso não é um caso isolado, pois não é a primeira vez que passo por esse tipo de situação, o que mostra o quanto a intolerância religiosa ainda é real, principalmente com quem é de religião de matriz africana”, disse.

Até a última atualização desta reportagem, Bárbara não havia registrado boletim de ocorrência na polícia.

Levantamento do Blé News mostra que a intolerância religiosa contra praticantes de religiões de matriz africana em aplicativos de transporte é recorrente e vai muito além de um episódio isolado.

Casos semelhantes ao de Bárbara têm sido registrados em diferentes regiões do país e evidenciam um padrão preocupante de discriminação. Em 2026, na Paraíba, a Uber foi condenada a pagar R$ 15 mil por danos morais à mãe de santo Lúcia Oliveira após um motorista se recusar a realizar a corrida ao identificar como destino um terreiro em João Pessoa. Na ocasião, ele escreveu no chat: “Sangue de Cristo tem poder… quem vai é outro… kkkkk tô fora”.

Família com roupa do candomblé acusa motorista de aplicativo de preconceito religioso — Foto: Reprodução TV Globo

Já no Rio de Janeiro, em 2023, uma família vestida com roupas tradicionais do candomblé teve uma corrida recusada em Duque de Caxias. O caso gerou investigação policial, e o motorista foi indiciado pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

No Paraná, outro episódio repercutiu após um motorista cancelar uma viagem afirmando: “Macumbeiro não anda no meu carro”.

Os registros reforçam que a intolerância religiosa contra adeptos de religiões afro-brasileiras segue presente no cotidiano e também nas plataformas digitais, transformando serviços básicos, como o transporte por aplicativo, em mais um espaço de discriminação.

Leia também: Intolerância religiosa no Brasil: Disque 100 registra 2.774 denúncias entre 2025 e 2026

O posicionamento da Uber

Procurada pelo g1, a Uber informou, em nota, que não tolera qualquer forma de discriminação. A empresa diz que incentiva denúncias tanto pelo aplicativo quanto às autoridades competentes e se colocou à disposição para colaborar com investigações.

A plataforma afirmou que envia materiais educativos e de conscientização para motoristas parceiros sobre racismo e discriminação. A intolerância religiosa também foi tema de um episódio do "Uber Cast" e de pílulas educativas na Rádio Uber.

A Uber também integra um Acordo de Cooperação Técnica com o Ministério da Igualdade Racial, por meio da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia. O acordo tem como um dos focos justamente o enfrentamento à intolerância religiosa.

O g1 não conseguiu localizar o motorista para comentar o caso até a publicação.

O que fazer em casos de discriminação no transporte por aplicativo?

Especialistas orientam que a vítima deve:

  • Registrar a ocorrência diretamente no app, anexando prints e detalhes da corrida.

  • Fazer um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ou online.

  • Guardar provas, como imagens das vestimentas no momento, conversas e confirmações da viagem.

Casos de intolerância religiosa podem ser enquadrados como racismo, crime inafiançável e imprescritível no Brasil.

Com informações do g1

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