Memória e raça: curta premiado no É Tudo Verdade

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Documentário baiano investiga origens familiares e reflete sobre apagamento histórico. Tem 4 prêmios e 11 festivais no currículo.
O curta-metragem baiano “Talvez meu pai seja negro” é o único representante da Bahia na Mostra Competitiva do festival É Tudo Verdade, um dos maiores eventos de documentário da América Latina. Dirigido por Flávia Santana e produzido pela Mulungu Realizações, o filme investiga a própria origem familiar ao lado de seu pai, Antônio Santana. A partir de uma revelação geracional, a obra percorre fotos, documentos e memórias fragmentadas para abordar identidade racial, pertencimento e os apagamentos históricos que marcam as famílias negras no Brasil. Com sessões presenciais no Rio de Janeiro e São Paulo em abril de 2026, o longa já acumula quatro premiações, incluindo Melhor Filme pelo Júri Popular na Mostra Quariterê de Cinema.
O título já entrega a principal força do documentário: a dúvida. Longe de querer dar respostas definitivas, a diretora Flávia Santana conduz o espectador por uma jornada íntima que rapidamente se torna coletiva.
A narrativa é construída a partir de conversas, arquivos e deslocamentos pelo interior, revelando lacunas que não são apenas individuais, mas estruturais.
Mais do que um filme, a obra funciona como um convite à reflexão.
Curta baiano com 4 prêmios entra no É Tudo Verdade e levanta reflexões sobre identidade e memória no Brasil. — Foto; Reprodução/Divulgação
A urgência de reconstruir uma memória estilhaçada
Em entrevista, Flávia revela que o filme nasceu de um "desejo e urgência de tentar salvaguardar a memória da minha família paterna". A falta de documentos e registros oficiais, uma realidade comum a muitas famílias negras brasileiras, transforma a obra em um ato político de resistência.
"Nessa jornada, eu e meu pai iniciamos um processo de troca e reflexão sobre a história dele que nunca tínhamos falado antes, inclusive sobre temas que me atravessaram toda a vida, como identidade e pertencimento." — Flávia Santana, diretora.
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Sucesso no circuito: 11 festivais e 4 prêmios
Antes mesmo de chegar ao É Tudo Verdade, o curta já circulava com força pelo Brasil. O filme soma quatro premiações, todas conquistadas em 2025 e 2026:
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Melhor Filme (Júri Popular) — 8ª Mostra Quariterê de Cinema (MT) - 2026
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Melhor Filme (Júri da Crítica) — 3º Levante – Festival de Curtas de Pelotas
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Melhor Filme — 18º Festival Taguá de Cinema
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Menção Honrosa — 9ª edição do CineBaru – Mostra Sagarana de Cinema
Serviços: onde assistir no Rio de Janeiro e em São Paulo
A diretora estará presente na maioria das sessões, o que torna a experiência ainda mais rica para o público.
Sessões em São Paulo
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13/04 – 17h30 – Cinesesc (com presença da diretora)
Rua: Augusta, 2075 - Cerqueira César, São Paulo - SP, CEP 01413-000
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17/04 – 14h00 – IMS
Avenida Paulista, 2424 - Bela Vista, São Paulo/SP, CEP 01310-300
Sessões no Rio de Janeiro
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14/04 – 20h00 – NetRio 5 (com presença da diretora)
- 18/04 – 15h30 – NetRio 4 (com presença da diretora)
Rua: Voluntários da Pátria, 35, em Botafogo, Rio de Janeiro
A classificação é livre.
Fonte: Assessoria de imprensa
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