Mostra de Cinemas Africanos leva 22 filmes a Salvador

Festival gratuito acontece de 17 a 23 de setembro, com filmes de 11 países, cineastas convidados e atividades formativas.
A Mostra de Cinemas Africanos chega a Salvador entre os dias 17 e 23 de setembro com uma programação gratuita que reúne 22 filmes de 11 países do continente africano. O festival terá sessões na Sala Walter da Silveira e no Cine Lankiana, além de encontros com cineastas, debates, masterclass, minicurso e seminário voltados à produção audiovisual e à crítica cinematográfica.
A edição de 2026 aposta no cinema de gênero como caminho para apresentar a diversidade estética, narrativa e criativa das cinematografias africanas contemporâneas. Ficção científica, comédia, musical, romance, aventura, suspense e thriller psicológico fazem parte da seleção, que também discute temas atuais, como o uso da inteligência artificial no cinema e as narrativas urbanas produzidas em diferentes cidades do continente.
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Ao todo, serão exibidos 12 longas-metragens e 10 curtas, entre ficções e documentários, produzidos no Quênia, Senegal, Gana, Chade, Marrocos, Burkina Faso, Nigéria, Sudão, Tunísia, Benin e República Democrática do Congo. A programação é gratuita e busca ampliar o acesso do público brasileiro a produções que ainda enfrentam barreiras de distribuição no circuito comercial.
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Mostra de Cinemas Africanos aposta na diversidade de gêneros
A curadoria da edição é assinada pela pesquisadora e produtora Ana Camila Esteves, que propõe uma reflexão sobre as referências que historicamente ajudaram a definir o que o público reconhece como cinema de gênero.
A seleção reúne produções recentes e inéditas no Brasil que exploram diferentes linguagens, afastando a ideia de que o cinema africano pode ser resumido a uma única estética, temática ou experiência histórica.
Segundo Ana Camila Esteves, o próprio processo de pesquisa revelou aproximações entre filmes produzidos em diferentes territórios e condições de produção.
“A proposta é colocar em questão aquilo que aprendemos a reconhecer como cinema de gênero a partir de um repertório formado sobretudo pelas cinematografias estadunidense e europeia”, destaca a curadora.
A proposta da mostra é justamente ampliar esse repertório, apresentando produções que utilizam gêneros conhecidos pelo grande público para construir histórias marcadas por experiências locais, referências culturais e novas possibilidades narrativas.
"Dark Shujaa", curta-metragem de ficção dirigido e roteirizado pelo cineasta ruandês Serge Girishya — Foto: Reprodução/Assessoria de Imprensa
A programação também coloca em evidência cinematografias africanas contemporâneas que transitam entre o entretenimento, a experimentação artística e reflexões sociais e políticas.
Cinema africano vai da ficção científica ao suspense
Entre os destaques está Memória da Princesa Mumbi, filme escolhido para abrir oficialmente a programação em Salvador.
A sessão acontece no dia 17 de setembro, às 19h, na Sala Walter da Silveira, com a presença do cineasta, escritor e diretor suíço-queniano Damien Hauser.
O longa é apresentado como uma aventura romântica futurista e utiliza recursos ligados à inteligência artificial em sua construção. O diretor também participa de debates ao longo da programação.
Outro nome confirmado é o da cineasta burkinabé Chloé Aïcha Boro, conhecida internacionalmente por seu trabalho no documentário.
Na Mostra de Cinemas Africanos, ela apresenta seu primeiro longa de ficção, As Desvirtuosas.
O filme acompanha quatro mulheres expulsas de sua aldeia que passam a construir uma comunidade às margens da sociedade.
A narrativa mistura humor, música e diferentes gêneros cinematográficos para discutir relações humanas, exclusão e sobrevivência.
Além da exibição, Chloé Aïcha Boro realizará uma masterclass gratuita em Salvador, compartilhando sua trajetória entre o documentário e a ficção.
A atividade vai abordar os desafios de transformar narrativas familiares e íntimas em cinema sem perder suas dimensões éticas, políticas e afetivas.
Outro destaque é o documentário Crocodilo, descrito como uma produção que utiliza elementos do suspense para acompanhar conflitos familiares.
O filme foi produzido pelo coletivo nigeriano The Critics, formado por jovens realizadores que começaram a criar seus próprios filmes de gênero para a internet.
Curta-metragem “O Despertar de Anam”, com roteiro de Likarion Wainaina, produção de Wanjiru Njoroge e fotografia de Enos Olik — Foto: Reprodução/Assessoria de Imprensa
A programação também inclui O Pescador, comédia fantástica produzida em Gana, e O Despertar de Anam, produção queniana que aborda o luto por meio de elementos sobrenaturais.
Também estão na seleção o thriller psicológico Por Detrás das Palmeiras, o suspense policial Diya e uma série de curtas que transitam pela ação, comédia, ficção científica e narrativas sobrenaturais.
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Programação da mostra chega ao interior da Bahia
A edição deste ano também amplia sua presença para além das tradicionais salas de cinema de Salvador.
No dia 15 de setembro, antes da abertura oficial na capital, a Mostra de Cinemas Africanos realiza uma sessão no Campus dos Malês da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), em São Francisco do Conde.
A ação será voltada para a comunidade acadêmica.
As cidades de Antônio Cardoso e Feira de Santana também recebem sessões especiais por meio de uma parceria com a Secretaria Estadual de Educação e o Cineclube Kalunga Bahia.
Estudantes de escolas estaduais poderão assistir às produções e participar de encontros com os cineastas Damien Hauser e Chloé Aïcha Boro.
Em Salvador, a abertura do dia 17 também será expandida para outro espaço.
Além da sessão na Sala Walter da Silveira, Memória da Princesa Mumbi será exibido gratuitamente no Sesc Casa Branca, na Ribeira, em parceria com o Cineclube CBX.
A expansão da programação busca aproximar as cinematografias africanas de diferentes públicos e territórios da Bahia.
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Atividades formativas discutem criação e crítica de cinema
A programação da mostra não se limita às sessões de filmes.
O festival promove uma série de atividades formativas voltadas para estudantes, pesquisadores, profissionais e pessoas interessadas em processos de criação e análise cinematográfica.
Entre as atividades está o minicurso on-line Crioulização nas telas: filme de gênero nos cinemas africanos, ministrado pela pesquisadora Jusciele Oliveira.
A proposta é discutir como diferentes referências culturais e cinematográficas se cruzam na construção dessas produções.
Também será realizado o seminário Crítica Cinematográfica, Festivais e Cinemas Não Hegemônicos.
A atividade acontece em parceria com o Laboratório de Análise Fílmica do PósCom/UFBA e reúne os críticos Ivonete Pinto e Juliano Gomes, além de pesquisadores baianos.
O seminário integra a frente de crítica cinematográfica da mostra, coordenada por Enoe Lopes Pontes.
Entre as ações está ainda o Laboratório Crítico, voltado à formação de pessoas interessadas na produção de textos e outros conteúdos sobre os filmes exibidos.
Nesta edição, a iniciativa conta com parceria da Unijorge e da Escola Brasileira de Crítica e Audiovisual.
As atividades são gratuitas, mas algumas possuem vagas limitadas, com inscrições realizadas pelo site oficial da mostra.
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Coleção especial amplia acesso ao cinema africano pela internet
Além das sessões presenciais, a edição de 2026 também contará com uma coleção especial na plataforma Reserva Imovision.
Entre os dias 10 e 23 de setembro, o público poderá acessar uma seleção de dez filmes de diferentes países, épocas e estilos.
Damien Hauser mistura ficção científica especulativa, mocumentário e romance no filme “Memory of Princess Mumbi” — Foto: Reprodução/Assessoria de Imprensa
A iniciativa amplia o acesso às produções africanas para além das salas de cinema e permite que espectadores de outras regiões conheçam parte da curadoria da mostra.
Entre os títulos disponíveis estão Banel e Adama, representante do Senegal, Eu Não Sou uma Bruxa, da Zâmbia, Mali Twist, ambientado no Mali, e Omen.
A seleção também reúne O Truque da Galinha, Hanami, Black Tea, Chateau Paris, Temporada na França e Em Qualquer Lugar, a Qualquer Hora.
A parceria reforça uma das principais propostas do projeto: reduzir as barreiras de acesso às diferentes cinematografias produzidas no continente africano.
Nove anos ampliando o espaço do cinema africano no Brasil
Criada em 2018 pela produtora e pesquisadora baiana Ana Camila Esteves, ao lado da curadora espanhola Beatriz Leal-Riesco, a Mostra de Cinemas Africanos surgiu diante da dificuldade de distribuição de filmes africanos contemporâneos no Brasil.
Ao longo de nove anos, o projeto realizou 22 edições em sete cidades brasileiras, incluindo São Paulo, Porto Alegre, Aracaju, Poços de Caldas e Curitiba.
A iniciativa já alcançou mais de 350 mil pessoas, exibiu mais de 400 filmes, trouxe mais de 65 convidados ao Brasil e realizou 45 atividades de formação.
Em Salvador, a edição de 2026 reforça a importância de ampliar o olhar sobre o audiovisual africano e de reconhecer a diversidade de histórias, gêneros, territórios e linguagens produzidas no continente.
Com entrada gratuita, a mostra se apresenta como uma oportunidade para o público conhecer filmes que raramente chegam ao circuito comercial brasileiro — e perceber que falar em cinema africano, no singular, é insuficiente diante da dimensão e da pluralidade dessas produções.
SERVIÇO
Mostra de Cinemas Africanos 2026
📅 17 a 23 de setembro
📍 Salvador (BA)
🎬 Sala Walter da Silveira e Cine Lankiana
🎟️ Entrada gratuita
Abertura:
17 de setembro, às 19h
Memória da Princesa Mumbi, com presença do diretor Damien Hauser
Informações e programação:
Site oficial da Mostra de Cinemas Africanos
Inscrições para atividades formativas:
Inscrições da Mostra de Cinemas Africanos
Fonte: Assessoria de Imprensa




