Projeto da Times Square paulista é suspenso pela Justiça

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Decisão da Justiça de São Paulo impede instalação de painéis de LED no cruzamento da Ipiranga com São João.
A Justiça de São Paulo suspendeu provisoriamente, nesta quarta-feira (27), o projeto Boulevard São João, conhecido popularmente como a “Times Square paulistana”, que previa a instalação de quatro grandes painéis de LED na esquina das avenidas Ipiranga e São João, no centro da capital. A decisão foi assinada pela juíza Celina Kiyomi Toyoshima, da 4ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), após uma ação popular movida contra a prefeitura. Entre os autores da ação está o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-SP), que questiona os impactos urbanísticos e visuais do empreendimento. A magistrada determinou a paralisação imediata de qualquer obra, instalação ou intervenção relacionada ao projeto até nova análise do caso. A prefeitura de São Paulo ainda pode recorrer da decisão.
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A decisão judicial interrompe temporariamente um dos projetos mais comentados da atual gestão para o centro de São Paulo. O Boulevard São João pretendia transformar a tradicional esquina da avenida Ipiranga com a avenida São João em um polo visual inspirado na famosa Times Square, em Nova York.
Na prática, o projeto previa a instalação de quatro grandes painéis de LED em prédios da região, criando um espaço voltado para publicidade digital, turismo e eventos urbanos.
Na decisão, a juíza Celina Kiyomi Toyoshima destacou a preocupação com o impacto coletivo da proposta.
“Considerando a magnitude do projeto, o impacto na região, bem como o potencial dano a toda a população, defiro por ora a liminar.”
A magistrada também proibiu qualquer tipo de instalação, montagem ou fixação dos painéis luminosos até que o mérito da ação seja julgado.
O principal ponto levantado pelos autores da ação envolve a Lei nº 14.223/06 Cidade Limpa, criada há quase 20 anos em São Paulo para combater a poluição visual.
A legislação ficou conhecida nacionalmente por restringir outdoors, anúncios excessivos e placas publicitárias espalhadas pela cidade. Desde então, São Paulo passou a ter regras mais rígidas para publicidade em áreas urbanas.
Para arquitetos e urbanistas, a proposta da chamada “Times Square paulistana” poderia abrir precedente para flexibilizações consideradas perigosas no centro da capital.
Os críticos do projeto argumentam que os telões de LED podem comprometer a identidade urbana da região e aumentar a poluição visual em uma área histórica da cidade.
Além disso, entidades questionam a transparência do acordo firmado entre o poder público e a iniciativa privada para viabilizar o projeto.
Por isso, a Justiça determinou que a prefeitura apresente documentos relacionados ao Boulevard São João, incluindo:
- termo de cooperação com empresas privadas;
- pareceres técnicos;
- aprovações dos órgãos responsáveis;
- estudos de impacto urbano.
A documentação deverá ser analisada antes que a Justiça tome uma decisão definitiva sobre o futuro do empreendimento.
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Prefeitura e governo defendem revitalização do centro de São Paulo
Apesar das críticas, o projeto vinha sendo defendido por autoridades estaduais e municipais como parte de um pacote de revitalização do centro paulistano.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou anteriormente que a iniciativa busca devolver o espaço urbano à população e incentivar novos investimentos na região central.
Segundo ele, o objetivo é transformar áreas degradadas em pontos de convivência, turismo e circulação cultural.
Já o prefeito Ricardo Nunes (MDB) destacou o potencial turístico da proposta.
De acordo com o prefeito, São Paulo recebeu cerca de 47 milhões de turistas em 2025, incluindo aproximadamente 2,5 milhões de visitantes estrangeiros. A expectativa da prefeitura era transformar o Boulevard São João em um novo cartão-postal da cidade.
Times Square, em Manhattan, nos Estados Unidos — Foto: Reprodução
Inspiração em Nova York divide opiniões em São Paulo
O Boulevard São João foi concebido com inspiração direta na famosa Times Square, em Manhattan, nos Estados Unidos, conhecida mundialmente pelos enormes painéis de LED, forte apelo turístico e intensa vida cultural e comercial.
A proposta da prefeitura era transformar a tradicional esquina das avenidas Ipiranga e São João em um novo ponto de atração turística e entretenimento na capital paulista, apostando na modernização visual do centro da cidade.
Apesar disso, o projeto rapidamente passou a dividir opiniões entre moradores, urbanistas, arquitetos, comerciantes e especialistas em patrimônio histórico.
De um lado, defensores da iniciativa acreditam que o espaço poderia impulsionar o turismo, incentivar novos investimentos e ajudar na revitalização da região central. Do outro, críticos afirmam que a reprodução de modelos internacionais sem adaptações adequadas pode comprometer a identidade histórica e arquitetônica de São Paulo.
Com a decisão liminar da Justiça, o projeto permanece suspenso até nova análise do Tribunal de Justiça de São Paulo. A prefeitura ainda pode recorrer para tentar retomar as obras e autorizar a instalação dos painéis luminosos.
Enquanto isso, o caso amplia o debate sobre revitalização urbana, preservação do patrimônio histórico e os limites da publicidade visual na maior cidade do país.
A discussão também recoloca em evidência a Lei Cidade Limpa, considerada uma das políticas urbanísticas mais importantes da capital paulista nas últimas décadas. Criada para reduzir a poluição visual e reorganizar a publicidade urbana em São Paulo, a legislação ganhou reconhecimento internacional e se tornou referência para outras cidades ao redor do mundo.
O impacto da iniciativa rendeu premiações e homenagens internacionais ao longo dos anos. Em 2012, a Lei Cidade Limpa recebeu o Selo Europeu Werkbund, concedido pela Federação Alemã de Obras — a primeira vez que a honraria foi entregue a um projeto fora da Alemanha.
Já em 2023, o programa foi premiado no Congresso Internacional de Paisagem Urbana, em Barcelona, na Espanha, ao conquistar o Prêmio de Boas Práticas Urbanas pelo impacto na transformação visual da cidade.
A repercussão internacional também levou a legislação paulista à final do Brit Insurance Design of the Year, premiação ligada ao Museu de Design de Londres, onde o chamado “saneamento visual” de São Paulo recebeu elogios da imprensa estrangeira.
Além disso, a Lei Cidade Limpa foi destaque no pavilhão paulistano da Exposição Universal de Xangai, em 2010, atraindo cerca de um milhão de visitantes. Nos Estados Unidos, o projeto ainda recebeu o Emotional Branding Visionary Award, reconhecimento voltado à renovação da identidade visual e urbana da capital paulista.
Com informações da Agência Brasil
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