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Do cinza ao neon: proposta de “Times Square” divide opiniões em São Paulo

Redação Blé NewsRedação Blé News
24 de abril de 2026 às 20:44

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Fim da Lei Cidade Limpa? Entenda o projeto ‘Times Square’ em SP
Fim da Lei Cidade Limpa? Entenda o projeto ‘Times Square’ em SPEdson Lopes Jr/Prefeitura SP

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Entre telões de 2 mil m² e shows de rua: entenda o que muda (e as polêmicas) no cruzamento que Caetano eternizou.

Separe os óculos escuros — o centro da maior metrópole da América Latina vai ofuscar. A icônica esquina das avenidas Ipiranga e São João, no centro de São Paulo, está prestes a ganhar um novo visual — e bem mais luminoso. A partir do fim de agosto, o local será transformado em uma espécie de “Times Square” paulistana.

O anúncio foi oficializado nesta quinta-feira (23), em cerimônia com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o grupo Fábrica de Bares. O acordo prevê um investimento de R$ 6 milhões, totalmente privado, para a instalação de quatro megatelas de LED que, juntas, somam cerca de 2 mil metros quadrados. A proposta inclui ainda programação cultural aos fins de semana, com a promessa de movimentar a região. Mas nem todo mundo está convencido: urbanistas já levantam críticas e alertam para um possível retrocesso na Lei nº 14.223/06 Cidade Limpa, reacendendo o debate sobre os limites da publicidade na paisagem urbana.

Distribuição dos painéis luminosos no Boulevard São João — Foto: Reprodução/TV Globo

Apelidado carinhosamente (ou nem tanto) de "Times Square de São Paulo" , o projeto ocupa um dos quarteirões mais icônicos da capital. Os quatro painéis gigantes serão instalados nos edifícios Cine Paris República, Herculano de Almeida, Galeria Sampa e New York. Além deles, o Edifício Independência 2, onde funciona o tradicional Bar Brahma – gerido pelo grupo Fábrica de Bares – receberá projeção mapeada.

O funcionamento será diário, das 5h às 23h. Mas o grande espetáculo está reservado para os fins de semana. Entre às 18h de sábado e às 23h de domingo, a região será fechada para carros para dar lugar a:

  • Quatro palcos para apresentações musicais ao vivo.

  • Espaços de gastronomia e artesanato.

  • Eventos mensais temáticos, como Virada Cultural (maio), aniversário da cidade (janeiro) e Natal.

O projeto inclui a realização de ações culturais em toda a área do Boulevard São João — Foto: Divulgação/Prefeitura de São Paulo

Os 70% de cultura vs. Os 30% que preocupam

De acordo com o contrato, 70% do conteúdo exibido nos telões será dedicado a artes digitais e eventos culturais. Os outros 30% serão de conteúdo patrocinado. O grupo Fábrica de Bares garante que não haverá mídia publicitária convencional, nem anúncios de bets (apostas) ou conteúdo adulto.

No entanto, é justamente essa brecha de 30% que acende o alerta dos críticos da Lei Cidade Limpa, vigente há quase 20 anos em São Paulo.

A lei que baniu os outdoors da cidade precisou ser contornada. O projeto usou um instrumento que permite exceções mediante contrapartidas ao município. Para o vereador e urbanista Nabil Bonduki (PT), isso abre um precedente perigoso.

Ele questiona em suas redes sociais: “O que impedirá, por exemplo, a veiculação de propagandas de apostas? Além disso, quais serão as garantias de proteção aos edifícios do entorno e aos moradores expostos à intensa luminosidade?

Embora tenham sido realizadas audiências públicas, Bonduki defende que o debate foi insuficiente para uma mudança tão significativa na paisagem da cidade.

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Segurança e revitalização: a resposta do poder público

Do lado do palco, a narrativa é de revitalização e devolução do centro à população. O governador Tarcísio de Freitas comparou o projeto a outras iniciativas, como a retirada da Favela do Moinho para a criação de um parque e a futura mudança da sede do governo para a região da Luz.

Para driblar a fama de insegurança da Cracolândia, que fica a poucas quadras dali, o governo estadual prometeu um reforço de mais de 300 policiais na área.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, destacou o potencial turístico da iniciativa: “Nós tivemos, no ano passado, 47 milhões de turistas na cidade de São Paulo, sendo que 2,5 milhões eram turistas estrangeiros. Então, é muito importante que a gente possa ter locais atrativos na cidade”, afirmou Ricardo Nunes, em entrevista coletiva para a oficialização do projeto.

Teremos ali um ambiente bacana e seguro, porque vai estar ali a mão do Estado, com a Polícia Militar, com a Polícia Civil e a Polícia Municipal”, acrescentou.

A instalação das estruturas começa nos próximos dias, com a previsão de que tudo esteja ligado e funcionando entre final de agosto e início de setembro. A "Times Square paulistana" está chegando. Resta saber se ela vai brilhar como um diamante ou ofuscar a alma da cidade.

Com informações da Agência Brasil

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