Tenente-coronel acusado de feminicídio é aposentado pela PM

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Oficial preso pela morte da soldado Gisele Alves Santana foi transferido para a reserva; defesa da família critica decisão.
A Polícia Militar de São Paulo oficializou a transferência para a reserva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente e acusado pelo feminicídio da soldado Gisele Alves Santana, além de fraude processual. O despacho foi publicado no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (9), com assinatura do diretor de Inatividade e Pensão Militar, coronel Antonio Thomazelli Júnior. Embora a medida já tivesse sido anunciada anteriormente por meio de portaria, a publicação oficial confirma a passagem do oficial para a reserva remunerada, equivalente à aposentadoria na carreira militar. O caso ganhou repercussão desde a morte da policial militar, encontrada com um tiro na cabeça em fevereiro deste ano, na capital paulista. A família da vítima contesta desde o início a versão de suicídio apresentada pelo acusado, que permanece preso desde março.
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A publicação do ato administrativo provocou reação da defesa da família da soldado Gisele. O advogado Miguel José da Silva Junior afirmou ter ficado surpreso com a rapidez da medida adotada pela corporação.
Segundo ele, a transferência para a reserva transmite a impressão de tratamento privilegiado ao oficial acusado de um crime grave.
“Essa aposentadoria não vai barrar o Conselho de Justificação, que vai demiti-lo. Nós temos convicção disso. Por outro lado, não é justo que esse cidadão, que cometeu um crime tão bárbaro, continue recebendo valores à custa da população e inclusive dos pais da Gisele, que pagam seus tributos” afirmou o advogado em publicação nas redes sociais.
Apesar das críticas, especialistas destacam que a aposentadoria militar segue regras administrativas próprias e não interfere diretamente nos processos judiciais em andamento.
De acordo com a Polícia Militar, a decisão foi tomada em conformidade com a legislação vigente e não impede eventual responsabilização penal ou disciplinar.
A corporação informou que uma eventual perda do posto, da patente e dos vencimentos depende de decisão definitiva do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo.
Atualmente, o vínculo financeiro do tenente-coronel é administrado pela São Paulo Previdência (SPPrev), responsável pelos benefícios previdenciários dos servidores estaduais e militares.
Entenda o caso da soldado Gisele Alves Santana
Policia Militar aposenta tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto acusado de feminicídio da soldado Gisele — Foto: Reprodução/Band
A soldado Gisele Alves Santana foi encontrada morta em 18 de fevereiro no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, na capital paulista.
Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio após o próprio oficial acionar o socorro e comunicar a ocorrência às autoridades.
Entretanto, o andamento das investigações trouxe novos elementos que colocaram em dúvida essa versão.
Laudos produzidos pelo Instituto Médico Legal (IML) identificaram marcas de agressão incompatíveis com um quadro de suicídio. A partir das evidências reunidas, a investigação passou a tratar o caso como morte suspeita e posteriormente como feminicídio.
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Investigação apontou inconsistências
Desde os primeiros momentos da apuração, familiares da policial militar contestaram a hipótese inicial apresentada às autoridades.
Os laudos periciais e demais elementos coletados durante a investigação reforçaram as suspeitas de que a morte não ocorreu da forma inicialmente relatada.
O caso passou a ser acompanhado por diferentes órgãos de investigação, incluindo a Polícia Civil e a Corregedoria da Polícia Militar.
O que acontece agora no processo
A Polícia Militar informou que a Corregedoria concluiu o Inquérito Policial Militar (IPM) e encaminhou o procedimento à Justiça.
Paralelamente, a Polícia Civil também finalizou o inquérito criminal, remetendo o caso ao Poder Judiciário para análise.
Além disso, foi instaurado um Conselho de Justificação, procedimento administrativo destinado a avaliar a permanência do oficial nos quadros da corporação.
O processo foi publicado no Diário Oficial em 31 de março de 2026 e segue em fase de instrução.
Segundo a PM, o Conselho de Justificação tramita de forma independente da ação criminal e poderá resultar em consequências administrativas, incluindo a perda do posto e da patente, caso haja decisão favorável nesse sentido.
Enquanto isso, o tenente-coronel permanece preso preventivamente aguardando os desdobramentos judiciais do caso que mobilizou familiares, colegas de farda e organizações que atuam no combate à violência contra a mulher.
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