BleNews
BleNews
Siga-nos
São Paulo

Tenente-coronel acusado de feminicídio é aposentado pela PM

Redação Blé NewsRedação Blé News
10 de junho de 2026 às 22:51

Compartilhar notícia

PM aposenta tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto acusado de feminicídio
PM aposenta tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto acusado de feminicídioReprodução

PUBLICIDADE

Espaço para anúncio

Oficial preso pela morte da soldado Gisele Alves Santana foi transferido para a reserva; defesa da família critica decisão.

A Polícia Militar de São Paulo oficializou a transferência para a reserva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente e acusado pelo feminicídio da soldado Gisele Alves Santana, além de fraude processual. O despacho foi publicado no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (9), com assinatura do diretor de Inatividade e Pensão Militar, coronel Antonio Thomazelli Júnior. Embora a medida já tivesse sido anunciada anteriormente por meio de portaria, a publicação oficial confirma a passagem do oficial para a reserva remunerada, equivalente à aposentadoria na carreira militar. O caso ganhou repercussão desde a morte da policial militar, encontrada com um tiro na cabeça em fevereiro deste ano, na capital paulista. A família da vítima contesta desde o início a versão de suicídio apresentada pelo acusado, que permanece preso desde março.

📱>Entre no canal do Blé News no WhatsApp e receba notícias e bastidores direto no seu celular

A publicação do ato administrativo provocou reação da defesa da família da soldado Gisele. O advogado Miguel José da Silva Junior afirmou ter ficado surpreso com a rapidez da medida adotada pela corporação.

Segundo ele, a transferência para a reserva transmite a impressão de tratamento privilegiado ao oficial acusado de um crime grave.

Essa aposentadoria não vai barrar o Conselho de Justificação, que vai demiti-lo. Nós temos convicção disso. Por outro lado, não é justo que esse cidadão, que cometeu um crime tão bárbaro, continue recebendo valores à custa da população e inclusive dos pais da Gisele, que pagam seus tributos” afirmou o advogado em publicação nas redes sociais. 

Apesar das críticas, especialistas destacam que a aposentadoria militar segue regras administrativas próprias e não interfere diretamente nos processos judiciais em andamento.

De acordo com a Polícia Militar, a decisão foi tomada em conformidade com a legislação vigente e não impede eventual responsabilização penal ou disciplinar.

A corporação informou que uma eventual perda do posto, da patente e dos vencimentos depende de decisão definitiva do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo.

Atualmente, o vínculo financeiro do tenente-coronel é administrado pela São Paulo Previdência (SPPrev), responsável pelos benefícios previdenciários dos servidores estaduais e militares.

Entenda o caso da soldado Gisele Alves Santana

Policia Militar aposenta tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto acusado de feminicídio da soldado Gisele — Foto: Reprodução/Band

A soldado Gisele Alves Santana foi encontrada morta em 18 de fevereiro no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, na capital paulista.

Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio após o próprio oficial acionar o socorro e comunicar a ocorrência às autoridades.

Entretanto, o andamento das investigações trouxe novos elementos que colocaram em dúvida essa versão.

Laudos produzidos pelo Instituto Médico Legal (IML) identificaram marcas de agressão incompatíveis com um quadro de suicídio. A partir das evidências reunidas, a investigação passou a tratar o caso como morte suspeita e posteriormente como feminicídio.

>>>🗒️Tem alguma sugestão de reportagem ou denúncia? Envie para o Blé News.<<<

Investigação apontou inconsistências

Desde os primeiros momentos da apuração, familiares da policial militar contestaram a hipótese inicial apresentada às autoridades.

Os laudos periciais e demais elementos coletados durante a investigação reforçaram as suspeitas de que a morte não ocorreu da forma inicialmente relatada.

O caso passou a ser acompanhado por diferentes órgãos de investigação, incluindo a Polícia Civil e a Corregedoria da Polícia Militar.

O que acontece agora no processo

A Polícia Militar informou que a Corregedoria concluiu o Inquérito Policial Militar (IPM) e encaminhou o procedimento à Justiça.

Paralelamente, a Polícia Civil também finalizou o inquérito criminal, remetendo o caso ao Poder Judiciário para análise.

Além disso, foi instaurado um Conselho de Justificação, procedimento administrativo destinado a avaliar a permanência do oficial nos quadros da corporação.

O processo foi publicado no Diário Oficial em 31 de março de 2026 e segue em fase de instrução.

Segundo a PM, o Conselho de Justificação tramita de forma independente da ação criminal e poderá resultar em consequências administrativas, incluindo a perda do posto e da patente, caso haja decisão favorável nesse sentido.

Enquanto isso, o tenente-coronel permanece preso preventivamente aguardando os desdobramentos judiciais do caso que mobilizou familiares, colegas de farda e organizações que atuam no combate à violência contra a mulher.

Leia também: 

Aborto legal em casos de estupro vai ao Plenário após votação

PUBLICIDADE

Espaço para anúncio