Zuenir Ventura morre aos 95 e deixa legado no jornalismo

Jornalista e escritor morreu em casa nesta terça-feira (22), no Rio, em decorrência de uma pneumonia.
O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu aos 95 anos na manhã desta terça-feira (22), em sua casa, no Rio de Janeiro, em decorrência de uma pneumonia. A informação foi divulgada pela Academia Brasileira de Letras (ABL), instituição da qual fazia parte desde 2015, após ser eleito para a cadeira 32, na sucessão de Ariano Suassuna. Com mais de seis décadas dedicadas ao jornalismo, Ventura construiu uma trajetória marcada pela reportagem, pela literatura e pela cobertura de importantes acontecimentos da história brasileira. Autor de livros como 1968: O Ano que Não Terminou e Cidade Partida, ele também atuou em veículos como O Globo, Jornal do Brasil, Correio da Manhã, Veja e outras importantes publicações. O velório será realizado nesta quarta-feira (23), na sede da ABL, no Centro do Rio, e o sepultamento ocorrerá no Mausoléu da instituição, no Cemitério São João Batista.
Zuenir Ventura dedicou mais de seis décadas ao jornalismo e transformou acontecimentos históricos em livros que se tornaram referências da imprensa brasileira.
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Zuenir Ventura construiu uma carreira de seis décadas
Nascido em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba, Minas Gerais, Zuenir Carlos Ventura iniciou sua trajetória profissional no jornalismo em 1956, como arquivista. Ao longo dos anos, passou por diferentes funções dentro das redações, incluindo repórter, colunista, editor, chefe de reportagem e diretor de redação.
A carreira foi construída em algumas das principais empresas de comunicação do país. Ventura trabalhou em jornais como O Globo, Correio da Manhã e Jornal do Brasil, além de revistas como Fatos & Fotos, O Cruzeiro, Visão e Veja.
A experiência acumulada nas redações ajudou a formar um estilo que aproximava a reportagem da literatura, característica que se tornou uma das marcas de sua produção.
Antes de consolidar o nome no jornalismo, Ventura também se dedicou à formação acadêmica. Era bacharel e licenciado em Letras Neolatinas e foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
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Os livros que marcaram o jornalismo brasileiro
Entre os trabalhos mais conhecidos de Zuenir Ventura está 1968: O Ano que Não Terminou, publicado em 1989. A obra revisitou acontecimentos políticos e culturais daquele período e se transformou em uma referência para compreender as tensões vividas pelo Brasil naquele momento.
Outro livro de grande repercussão foi Cidade Partida, lançado em 1994. O livro-reportagem abordou a violência urbana e as desigualdades sociais do Rio de Janeiro a partir da experiência do jornalista em Vigário Geral.
A obra recebeu o Prêmio Jabuti de Reportagem, consolidando Ventura também como um dos nomes de destaque da literatura jornalística brasileira.
A trajetória do escritor também passou por Chico Mendes: Crime e Castigo, obra relacionada à cobertura sobre o assassinato do líder seringueiro e à defesa de questões ambientais e de direitos humanos. Segundo registros da ABL, suas reportagens sobre Chico Mendes tiveram papel marcante em sua carreira.
Zuenir Ventura e a Academia Brasileira de Letras
A relação de Zuenir Ventura com a literatura ganhou uma dimensão institucional quando ele foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2014. Ele ocupou a cadeira 32, anteriormente pertencente a Ariano Suassuna, e passou a integrar oficialmente a instituição no ano seguinte.
Na ABL, Ventura permaneceu ligado à produção intelectual brasileira até os últimos anos de vida.
Em nota publicada após a morte, a instituição destacou sua atuação como jornalista, escritor, professor e orientador. O presidente da ABL, Merval Pereira, também afirmou que Ventura foi uma referência para jornalistas de diferentes gerações. Essas são avaliações atribuídas à instituição e a seu presidente, e não uma classificação editorial independente.
Uma trajetória ligada aos direitos humanos
O trabalho jornalístico de Ventura também esteve relacionado a temas sociais e à defesa dos direitos humanos.
Durante a carreira, ele cobriu acontecimentos que envolveram violência, desigualdade, questões ambientais e conflitos sociais. A cobertura sobre Chico Mendes é um dos exemplos mais conhecidos dessa atuação.
Em 1989, Ventura recebeu o Prêmio Esso e o Prêmio Vladimir Herzog por uma série de reportagens sobre Chico Mendes, segundo registros divulgados pela Academia Brasileira de Letras.
Em 2008, recebeu ainda um troféu especial da Organização das Nações Unidas (ONU) por sua contribuição à defesa dos direitos humanos no país.
Essa dimensão social também aparece em Cidade Partida, obra que colocou em evidência os contrastes entre diferentes áreas do Rio de Janeiro e discutiu temas como violência e desigualdade.
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Despedida acontece nesta quarta-feira no Rio
O velório de Zuenir Ventura será realizado nesta quarta-feira (23), das 10h às 14h, na sede da Academia Brasileira de Letras, localizada na Avenida Presidente Wilson, 203, no Centro do Rio de Janeiro. A cerimônia será aberta ao público.
Após a cerimônia, o escritor será enterrado no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.
Zuenir Ventura deixa a mulher, Mary Ventura, e os filhos Mauro Ventura, jornalista, e Elisa Ventura, editora.
A morte encerra uma trajetória de mais de seis décadas entre redações, universidades e livros. Seu trabalho atravessou diferentes períodos da história brasileira e aproximou jornalismo, literatura e reflexão sobre a sociedade.
Para uma geração de leitores e jornalistas, seus livros e reportagens permanecem como registros de acontecimentos que ajudaram a definir a memória recente do país.




