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Cultura

Ailton Krenak ganha mural gigante em SP

Redação Blé NewsRedação Blé News
21 de abril de 2026 às 00:17· Atualizado em 21/04/2026 às 00:18

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Mural de Ailton Krenak: arte indígena no coração de SP
Mural de Ailton Krenak: arte indígena no coração de SPIgnacio Aronovich

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Líder indígena é homenageado no Edifício Guanabara, na Avenida São João. Obra de Daiara Tukano celebra o Dia dos Povos Indígenas.

São Paulo ganhou um presente de arte e memória. O pensador e líder indígena Ailton Krenak agora estampa um mural gigante no Vale do Anhangabaú, bem no coração da metrópole. A obra foi finalizada na última sexta-feira (17) e ocupa a empena do Edifício Guanabara, na Avenida São João. A criação é da artista Daiara Tukano (povo Tukano – Yé'pá Mahsã), e a pintura foi executada por Raphaela Loss e Dinorah Cristina. A homenagem, que chega a tempo de celebrar o Dia dos Povos Indígenas (19 de abril), quer lembrar os paulistanos de uma verdade incômoda e necessária: SP também é terra indígena. O projeto é da Virada Sustentável, iniciativa que há mais de uma década promove sustentabilidade na capital. Segundo o cofundador André Palhano, a escolha não foi aleatória: Krenak é um dos maiores intelectuais vivos do país, alguém que nos convida a repensar a separação entre cidade e natureza.

A imagem do filósofo, escritor e ambientalista agora domina uma das regiões mais movimentadas de SP. Mas não é só um retrato. É um símbolo.

Para André Palhano, cofundador da Virada Sustentável, a homenagem tem um recado claro. "Krenak é um dos maiores intelectuais vivos do país, com uma obra que questiona o conceito ocidental de humanidade separada da natureza", explica. O mural convida o cidadão comum — aquele que corre entre o metrô e o escritório — a pensar a relação entre a vida urbana e a natureza.

A força de uma ideia (e de um mural)
A arte foi projetada por Eduardo Sarreta e André Firmiano. A execução coube às artistas Raphaela Loss e Dinorah Cristina. O apoio veio do Programa de Ação Cultural (ProAC) , da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do governo de SP.

Ele representa o movimento indígena e convida o cidadão a pensar a existência de indígenas urbanos em São Paulo, que também é terra indígena.” – André Palhano, Virada Sustentável.

Quem é Daiara Tukano? A artista por trás do mural de Ailton Krenak

Não daria para falar dessa obra sem apresentar sua criadora. Daiara Hori Figueroa Sampaio (Duhigô) é do povo Tukano, do clã Eremiri Hãusiro Parameri, no Alto Rio Negro. Nascida em SP, ela carrega a luta indígena no sangue e no pincel. Daiara não é só artista. É ativista, curadora, professora e mestre em direitos humanos pela UnB. Sua trajetória inclui:

  • Coordenadora da Rádio Yandê (2015 a 2021).

  • Participação na 34ª Bienal de São Paulo.

  • Prêmio PIPA Online 2021 e Prince Claus Seed Awards 2022.

  • Obras nos acervos da PinacotecaMASPMuseo delle Civilità (Itália) e Mauritshuis Museum (Holanda) .

  • Curadora da exposição Nhe'ê Porã (línguas indígenas) no Museu da Língua Portuguesa.

  • Membro do Conselho Nacional de Cultura (CNPC/MINC) de 2022 a 2025.

Atualmente, ela reside em Brasília, mas mantém vivo o estudo da cultura, história e espiritualidade de seu povo junto à família.

Leia também: Exposição no Museu Afro Brasil desmistifica Exu: longe do “diabo” cristão, orixá é celebrado como guardião da memória

Por que isso importa? (Além da arte)

Ver o rosto de Ailton Krenak estampado em um edifício no Vale do Anhangabaú não é apenas uma questão estética. É um recorte político e histórico.

Primeiro, porque descoloniza o imaginário. Por décadas, a narrativa oficial empurrou os povos indígenas para o passado ou para a floresta distante. A obra de Daiara Tukano grita: eles estão aqui, na cidade, produzindo cultura e pensamento crítico.

Segundo, porque educa pelo afeto. Quem passa de carro ou a pé pela Avenida São João levará para casa, mesmo que por um segundo, a imagem de um líder indígena sorridente ou pensativo. Isso gera identificação, curiosidade e, quem sabe, a vontade de ler um livro de Krenak ("Ideias para adiar o fim do mundo", por exemplo).

Por fim, porque conecta sustentabilidade e direitos humanos. A Virada Sustentável acertou em cheio ao unir a pauta ambiental à homenagem a um pensador que sempre disse: não há separação entre o que acontece com a natureza e o que acontece com a gente.

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