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Álcool e cigarro podem causar cegueira, alerta estudo

Redação Blé NewsRedação Blé News
13 de setembro de 2026 às 17:00· Atualizado em 13/09/2026 às 17:08

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Álcool e cigarro podem causar cegueira, alerta estudo inédito de neuro-oftalmologia.
Álcool e cigarro podem causar cegueira, alerta estudo inédito de neuro-oftalmologia.Reprodução/Canva/Arte Equipe Blé News
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Neuropatias tóxicas atingem os dois olhos de forma lenta e indolor; bebidas adulteradas com metanol podem causar perda irreversível em 24h.

O consumo crônico de álcool e tabaco pode comprometer gravemente a visão — e, em casos extremos, levar à cegueira. O alerta vem de um panorama inédito sobre neuro-oftalmologia, subespecialidade que une oftalmologia e neurologia, lançado durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Salvador. A publicação Neuro-Oftalmologia, organizada pelos oftalmologistas Eric Pinheiro de Andrade, Leonardo Provetti Cunha e Mário Luiz Monteiro, detalha como substâncias tóxicas colapsam a produção de energia das células responsáveis pela visão. Além do álcool e do cigarro, a ingestão de bebidas adulteradas com metanol também representa risco altíssimo — os sintomas surgem entre 6 e 24 horas após o consumo e podem evoluir para cegueira irreversível, convulsões e coma. Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o olho é a única parte do corpo que permite ao médico enxergar o sistema nervoso central sem instrumentos invasivos, graças ao nervo óptico — uma extensão direta do cérebro. Isso significa que uma queixa visual pode ser o primeiro sinal de doenças neurológicas graves e potencialmente tratáveis.

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O que é neuro-oftalmologia e por que ela importa?

neuro-oftalmologia é a área que investiga alterações visuais com origem no cérebro, nos nervos ópticos ou em outras estruturas do sistema nervoso. Muitas vezes, um simples borrão na visão pode ser a ponta do iceberg de condições como esclerose múltipla, tumores de hipófise ou pressão intracraniana elevada.

Entre as doenças diagnosticadas pela subespecialidade estão:

  • Neurites ópticas — associadas à esclerose múltipla

  • Infarto do nervo óptico

  • Compressões por tumores de hipófise e aneurismas

  • Papiledema — inchaço provocado por pressão alta dentro do crânio

  • Paralisias que causam visão dupla

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Neuropatias tóxicas: o perigo mora no hábito

É aqui que o alerta se acende para quem bebe e fuma com frequência. As chamadas neuropatias ópticas tóxicas e carenciais — causadas pelo uso crônico de álcool e tabaco — têm uma característica traiçoeira: a perda visual é lenta, indolor e atinge os dois olhos simultaneamente. Isso retarda a percepção do paciente, que demora a procurar ajuda.

Os relatos típicos incluem:

  • Um borrão no campo central da visão, enquanto a visão periférica permanece preservada

  • Cores desbotadas — o vermelho, por exemplo, assume um aspecto de rosa lavado

⚠️ ATENÇÃO: Na intoxicação por metanol (presente em bebidas adulteradas), os sintomas surgem entre 6 e 24 horas após o consumo e incluem visão turva, fotofobia, pupilas dilatadas e perda de visão de cores. O quadro pode evoluir para cegueira irreversível, convulsões e coma. Trata-se de emergência médica.

Sinais de alerta que exigem ação imediata

De acordo com o CBO, esses casos requerem avaliação médica especializada rápida após:

  • Perda de qualidade da visão de forma súbita

  • Visão dupla que desaparece ao cobrir apenas um dos olhos

  • Pálpebra caída que piora ao longo do dia

  • Dores ao movimentar o globo ocular

  • Dores de cabeça persistentes com escurecimentos da visão ao levantar-se

  • Diagnóstico: a conversa que vale 90%

    O exame mais poderoso da neuro-oftalmologia é também o mais simples: a anamnese. Uma conversa bem conduzida entre médico e paciente leva ao diagnóstico correto em 90% dos casos. Restrições alimentares, cirurgia bariátrica prévia, uso de medicamentos tóxicos, histórico familiar e padrão de consumo de álcool e tabaco entram nessa investigação.

    Na sequência, vêm exames clínicos (pupilas, visão das cores, campo visual, movimentos oculares e fundo do olho) e complementares, como:

    • Tomografia de coerência óptica (OCT) — mede a espessura das fibras nervosas em micrômetros e detecta a perda antes que o paciente a perceba

    • Ressonância magnética

    • Dosagem de vitamina B12

    • Testes eletrofisiológicos da visão

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    Tratamento: tempo é visão

    Nas neuropatias tóxicas, a conduta é a suspensão imediata do agente — seja medicamento, álcool ou tabaco. Nas carenciais, a recomendação é a reposição rápida de vitaminas. Em casos de intoxicação aguda por metanol, o tratamento é de emergência e envolve antídotos, correção da acidose e até diálise, que pode preservar a visão se iniciada a tempo.

    Para o restante do espectro de doenças neurológicas que afetam a visão, os tratamentos vão desde corticoide em altas doses e plasmaférese nas neurites até radioterapia, cirurgia e terapias-alvo nas compressões tumorais.

    O recado final

    Se você consome álcool e tabaco com frequência, fique atento a mudanças sutis na visão. Um borrão que não passa, cores que parecem mais apagadas ou dores ao mover os olhos não são "coisa da idade". Podem ser o primeiro sinal de que algo mais grave está acontecendo — e quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de preservar a visão.

    A repórter Paula Laboissière viajou a convite do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

    Com informações da Agência Brasil

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