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Candomblé: vereadora diz que "Deus não é o mesmo" e causa reação

Redação Blé NewsRedação Blé News
22 de junho de 2026 às 20:55· Atualizado em 22/06/2026 às 21:07

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Vereadora Nayara Barcelos (NOVO)
Vereadora Nayara Barcelos (NOVO)Reprodução/Redes Sociais

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Declaração da vereadora Nayara Barcelos marcou a votação que reconheceu um terreiro de Umbanda como entidade de utilidade pública em Rio Verde, aprovada por 12 votos a 5.

A aprovação do Projeto de Lei nº 89/2026, que reconhece o Terreiro de Umbanda 7 Encruzilhadas como entidade de utilidade pública, provocou intenso debate na Câmara Municipal de Rio Verde durante sessão realizada na sexta-feira (12). A proposta, de autoria do vereador Dieison Lima (UNIÃO), foi aprovada por 12 votos favoráveis e cinco contrários, mas as justificativas apresentadas pelos parlamentares chamaram atenção, especialmente a manifestação da vereadora Nayara Barcelos (NOVO), que relacionou seu voto às suas convicções religiosas.

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Durante a discussão em plenário, Nayara Barcelos afirmou que respeita as religiões de matriz africana, mas explicou que sua posição contrária ao projeto está ligada à sua fé cristã. Em sua fala, a parlamentar declarou: "O Deus que nós servimos não é o Deus do candomblé." Em seguida, reforçou o argumento afirmando: "Esse é um posicionamento cristão nessa convicção. Espiritualmente são deuses bem distintos do nosso Deus." A declaração repercutiu entre vereadores e passou a ser um dos principais pontos do debate sobre a matéria.

Declaração de Nayara Barcelos marcou a sessão

Ao justificar seu voto contrário, a vereadora destacou que sua decisão não representava desrespeito às religiões de matriz africana, mas sim uma manifestação baseada em suas convicções religiosas.

Segundo Nayara Barcelos, existe uma diferença entre o entendimento cristão de Deus e as crenças presentes nas religiões afro-brasileiras. Foi nesse contexto que afirmou:

"O Deus que nós servimos não é o Deus do candomblé."

Na sequência, complementou:

"Esse é um posicionamento cristão nessa convicção. Espiritualmente são deuses bem distintos do nosso Deus."

As declarações foram registradas durante a votação e rapidamente passaram a circular nas redes sociais, gerando diferentes interpretações entre apoiadores e críticos da fala da parlamentar.

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Projeto sobre terreiro de Umbanda recebeu maioria dos votos

Apesar da divergência exposta durante a sessão, o Projeto de Lei nº 89/2026 foi aprovado pela maioria dos vereadores.

A proposta reconhece o Terreiro de Umbanda 7 Encruzilhadas como entidade de utilidade pública, título que pode facilitar o acesso da instituição a parcerias, convênios e outros instrumentos previstos na legislação para organizações de interesse social.

Ao longo da votação, vereadores utilizaram a tribuna para apresentar argumentos favoráveis e contrários ao reconhecimento da entidade. Enquanto parte dos parlamentares defendeu a importância do projeto sob o aspecto social e comunitário, outros fundamentaram seus votos em convicções pessoais e religiosas.

Leia também: Intolerância religiosa no Brasil: Disque 100 registra 2.774 denúncias entre 2025 e 2026

Debate reacende discussões sobre liberdade religiosa

A votação também reacendeu discussões sobre liberdade religiosa e a relação entre crenças pessoais de agentes públicos e decisões tomadas no exercício do mandato.

Especialistas em direito constitucional costumam destacar que parlamentares possuem autonomia para votar conforme suas convicções políticas, filosóficas e religiosas. Ao mesmo tempo, decisões legislativas envolvendo instituições religiosas frequentemente despertam debates sobre a laicidade do Estado e o princípio da igualdade entre diferentes manifestações de fé.

O episódio em Rio Verde ilustra como temas ligados às religiões de matriz africana continuam mobilizando opiniões divergentes no ambiente político e na sociedade brasileira.

Reconhecimento de utilidade pública

O reconhecimento como entidade de utilidade pública não altera o caráter religioso da instituição. Trata-se de um título concedido pelo poder público a organizações que desenvolvem atividades consideradas relevantes para a comunidade, podendo ampliar possibilidades de participação em programas e parcerias institucionais.

Mesmo com as manifestações contrárias durante a sessão, o projeto foi aprovado por ampla maioria, encerrando a votação com placar de 12 votos favoráveis e cinco contrários.

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