Cláudio Castro é alvo da PF pela 2ª vez em 15 dias

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Ex-governador do RJ é investigado por aplicação de R$ 3 bilhões do Rioprevidência em fundos do Banco Master. Seria um rombo de dois meses de pagamento?
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), recebeu uma visita indesejada nesta terça-feira (26). Pouco depois das 6h da manhã, agentes da Polícia Federal (PF) bateram novamente na porta da sua cobertura de luxo na Barra da Tijuca. É a segunda vez em menos de 15 dias. O motivo? A 8ª fase da operação Compliance Zero investiga um rombo bilionário: o aporte de R$ 3 bilhões do fundo de previdência dos servidores estaduais (Rioprevidência) em fundos ligados ao Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro André Mendonça, do STF, autorizou a ação. Enquanto a defesa de Castro afirma que ele acompanha tudo "com serenidade", o dinheiro público aplicado representa quase dois meses inteiros da folha de pagamento de 241.927 servidores inativos e pensionistas.
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Enquanto o sol nascia no Rio, a rotina de Cláudio Castro era revirada pelos agentes. Sua mulher, Analine Castro, e a sogra estavam na residência. Os filhos, não. É um cenário que já se tornou familiar para o ex-governador.
O foco da investigação agora recai sobre a gestão dos recursos do Rioprevidência. As apurações buscam esclarecer por que e de que forma cerca de R$ 3 bilhões destinados ao fundo de previdência dos servidores do estado do Rio de Janeiro foram aplicados em operações financeiras ligadas ao conglomerado do Banco Master.
Para dimensionar o impacto, a folha mensal de aposentados e pensionistas do estado gira em torno de R$ 2,1 bilhões. Isso significa que os R$ 3,7 bilhões movimentados em aplicações no Banco Master — considerando os aportes totais — seriam suficientes para custear quase dois meses completos de benefícios previdenciários.
“A folha de pagamento dos aposentados e pensionistas do Rioprevidência atende 241.927 servidores inativos. Mensalmente, o estado desembolsa cerca de R$ 2,1 bilhões. Já os R$ 3,7 bilhões aplicados no Banco Master equivalem a quase dois meses inteiros de pagamentos.”
Ao todo, agentes cumpriram 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
R$ 3 bi: PF mira Cláudio Castro de novo — Foto: Reprodução
A primeira visita: menos de 15 dias atrás
Não é de hoje que a PF circula pelo condomínio de luxo de Castro. No último dia 15 de maio, outra operação já havia batido à sua porta. Naquela ocasião, o comando era do ministro Alexandre de Moraes, e o alvo era outro: a operação Sem Refino.
A Sem Refino mirava supostas fraudes fiscais envolvendo a Refit (antiga Refinaria de Manguinhos). A suspeita da PF era de que a empresa usasse sua estrutura societária para ocultar patrimônio, dissimular bens e até enviar dinheiro para o exterior. Além disso, havia a desconfiança de que o grupo empresarial tivesse recebido favorecimento durante a gestão de Castro.
Na época, a defesa de Castro disse que ele foi "surpreendido" pela ação, mas que estava "à disposição da Justiça, convicto de sua lisura".
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O contexto político e a renúncia relâmpago
Essas duas batidas da PF na porta do ex-governador não acontecem por acaso. Elas ocorrem em um momento delicadíssimo da vida política de Castro.
Ele renunciou ao cargo de governador do Rio em março deste ano. A manobra foi uma tentativa de evitar o que veio a seguir: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o tornou inelegível por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Ou seja, Cláudio Castro deixou o cargo e, agora, enquanto não pode mais disputar eleições, precisa lidar com um furacão judicial que ganhou força nos últimos 15 dias. A pergunta que fica é: o que mais a PF vai encontrar nos próximos meses?
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