Dança, memória e ancestralidade: projeto “De Maní a Nós” coloca mulheres negras no centro da cena no interior da BA

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Com espetáculo e oficinas gratuitas, artistas Samara Martins e Helena Norberto levam o duo “Vozes Maní” a Jequié e Maracás, transformando o corpo em um arquivo vivo de histórias.
O que acontece quando o corpo de uma mulher negra se torna território de memória? É partindo dessa pergunta que o projeto “De Maní a Nós” chega ao interior da Bahia para promover uma verdadeira imersão na dança como ato político e poético. Idealizado pelas artistas Samara Martins e Helena Norberto, o projeto gratuito apresenta o espetáculo “Vozes Maní” e a oficina “Escrevivência do Corpo em Criação” em Jequié (10 de abril) e Maracás (12 de abril). A missão? Dar protagonismo a vivências ancestrais, tensionar marcas de um histórico racista e, acima de tudo, celebrar a potência de corpos que resistem e criam.
Não é por acaso que as cidades escolhidas são Jequié e Maracás. É ali, nas terras de origem das artistas, que o projeto ganha um significado ainda mais profundo.
“Apresentar o projeto em nossas terras de origem é também um gesto de devolver essas memórias ao chão que as gerou”, afirma Samara Martins, que é professora, coreógrafa e uma das intérpretes-criadoras.
A ideia, segundo ela, é tratar o corpo como um arquivo vivo — um lugar onde histórias, afetos e ancestralidades não só habitam, mas ganham movimento. E é exatamente isso que o duo “Vozes Maní” faz na prática.
Projeto “De Maní a Nós” chega ao interior da BA com dança, memória e ancestralidade — Foto; Pio filho
“Vozes Maní”: um diálogo entre cartas, avós e bisavós
O espetáculo é um duo de dança que constrói sua cena a partir de memórias pessoais, trocas de cartas e relatos familiares. Não é uma coreografia abstrata. É visceral. As referências vêm de outras gerações — avós, bisavós, rezadeiras — e se transformam em movimento.
“No meu corpo vivem gestos, rezas, silêncios e resistências das mulheres que vieram antes. Por isso compreendo a ancestralidade como uma tecnologia viva”, diz Helena Norberto, licenciada em Dança e intérprete-criadora.
A fala de Helena resume o espírito do projeto: a dança como ponte entre o passado que nos forma e o presente que nos permite reinventar.
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Oficina “Escrevivência do Corpo”: coloque a mão (e o corpo) na massa
Além do espetáculo, o projeto oferece a oficina gratuita “Escrevivência do Corpo em Criação”. E atenção: aqui o negócio é prático. Os participantes vão experimentar exercícios de consciência corporal, improvisação e produção de textos, usando as próprias vivências como matéria-prima criativa.
O objetivo não é formar bailarinos profissionais, mas estimular a expressão individual e o compartilhamento de histórias. No final, os próprios participantes desenvolvem pequenas composições em dança a partir do que foi trabalhado.
“Espero que o encontro com o público seja um espaço de escuta sensível e de identificação. Que as pessoas possam se reconhecer nas histórias, acessar suas próprias memórias e transformar essas experiências em movimento”, deseja Helena.
Serviço: onde, quando e como participar
Tudo é gratuito e aberto ao público. Marque na agenda:
Em Jequié (BA)
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Oficina: 10 de abril, das 9h às 11h, no Espaço Odeere
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Espetáculo “Vozes Maní”: 10 de abril, às 19h, no Espaço Odeere
Em Maracás (BA)
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Oficina: 11 de abril, das 15h às 17h, no Dance Douglas Studio
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Apresentação do Grupo de Dança Prisma (Maracás): 11 de abril, às 17h30
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Espetáculo “Vozes Maní”: 12 de abril, às 16h, no Parque dos Eucaliptos (Bangalô)
O projeto “De Maní a Nós” foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, com recursos do Governo Federal (Ministério da Cultura) e execução do Governo do Estado da Bahia, via Secretaria de Cultura.
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