Lavagem de Madeleine 2026 celebra a cultura afro-brasileira em Paris

Criada por um baiano, a festa inspirada na Lavagem do Bonfim atrai multidões e celebra o sincretismo religioso no coração da Europa. Entenda a importância do evento que integra a Rota dos Escravizados da Unesco.
Paris, a capital da França, se transforma em um pedaço da Bahia entre os dias 10 e 13 de setembro para a 25ª edição da Lavagem de Madeleine. O evento, que é Patrimônio Imaterial da França, deve reunir cerca de 60 mil pessoas para celebrar a cultura afro-brasileira em um dos maiores encontros do gênero na Europa. Criado pelo multiartista baiano Roberto Chaves, o Robertinho, o cortejo inspirado na Lavagem do Bonfim de Salvador conta com o apoio da prefeitura de Paris, da Secretaria de Turismo da Bahia e da Embratur. Mais do que uma festa, a lavagem é um ato de resistência e memória, integrando a Rota dos Escravizados da Unesco e reafirmando o sincretismo religioso entre o catolicismo e as religiões de matriz africana.
A programação também contará com exposição fotográfica, workshops de dança afro-brasileira e apresentações de artistas como Mariene de Castro, Jau, Gildaa e Lorena Pires.
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A origem de um encontro entre culturas
A história da Lavagem de Madeleine começa com a saudade. Nascido em Santo Amaro da Purificação (BA), Robertinho vive na França desde 1990 e, em 1998, durante a Copa do Mundo, sentiu a necessidade de aproximar o Brasil do seu cotidiano. Foi então que a ideia de lavar a escadaria de uma igreja parisiense, nos moldes da tradicional festa baiana, começou a ganhar forma.
A inspiração veio em frente à Basílica do Sacré-Cœur, mas foi em uma visita à Igreja de la Madeleine que a ideia se consolidou. Ao conversar com o padre responsável, Robertinho descobriu que o religioso já havia visitado a Bahia e conhecia sua cultura.
"Eu estava querendo trazer o Brasil para perto de mim, matar o meu ‘banzo’, as saudades da família, dos amigos, trazer a cultura, e pensei em fazer um evento da Bahia que eu tinha sabedoria. Um evento de branco, com pai de santo, tambores, um evento afro,” relembra o criador.
Lavagem de Madeleine celebra 25 anos com 700 artistas — Foto: Ulysses Venturin/Lavagem de Madeleine
O que começou como um ato de afeto se tornou, em 2002, um dos maiores eventos da diáspora africana na Europa. A primeira edição foi um marco, e a popularidade só cresceu. “Ano passado, foram 60 mil seguidores,” comemora Robertinho, se referindo ao público da edição de 2025, que foi puxado pelo grupo Olodum.
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Por que a Lavagem de Madeleine é tão importante?
A relevância da Lavagem de Madeleine vai muito além do entretenimento. Para Robertinho, o evento é uma vitrine gigantesca do que o Brasil tem de melhor.
“A Lavagem mostra que o Brasil tem culinária, tem cultura, capoeira, dança... Tem maracatu, samba de roda, afoxé, várias alas representando os estados brasileiros. É um festival da cultura brasileira”, destaca .
Integrar a Rota dos Escravizados da Unesco confere ao evento um peso histórico inestimável, conectando a celebração à memória da escravidão e à valorização da herança africana . Além disso, o evento é um poderoso símbolo de sincretismo e tolerância religiosa. A lavagem das escadarias da igreja, conduzida por baianas e lideranças do Candomblé, representa o diálogo e a união de diferentes tradições de fé.
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O roteiro da festa em Paris
A programação da 25ª edição já está definida e promete emocionar o público. A abertura oficial acontece no dia 10 de setembro com a exposição fotográfica "Três Olhares", na Embaixada do Brasil na França, em homenagem aos 25 anos do evento.
Cultura afro-brasileira domina Paris na Lavagem de Madeleine 2026 — Foto: Ulysses Venturin/Lavagem de Madeleine
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Dias 11 e 12: Serão realizados workshops de dança afro-brasileira para quem quiser aprender e sentir a energia da cultura baiana.
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Dia 13 (Ponto Alto): O grande cortejo toma as ruas de Paris. A concentração será na Place de la République, de onde mais de 700 artistas, divididos em 15 grupos folclóricos, seguirão em direção à Igreja de La Madeleine.
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O trio elétrico deste ano será comandado pela cantora Mariene de Castro e Robertinho, com participações de Jau, Gildaa e Lorena Pires.
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O tradicional ritual de lavagem das escadarias da igreja será o momento mais aguardado, onde o axé e a água de cheiro se encontram com a fé católica.
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Para celebrar o sincretismo, a cantora lírica Lorena Pires, residente da Academia da Ópera Nacional de Paris, interpretará a música Ave-Maria, unindo a erudição europeia à alma brasileira.
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A Lavagem de Madeleine é a prova viva de que a cultura brasileira é uma força global. É um convite para que brasileiros e o mundo celebrem a diversidade, a história e a alegria de um povo, diretamente do coração de Paris.
Com informações da Agência Brasil





