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Festa de Oxumarê ganha enredo no Carnaval do Rio 2027

Alexandro OliverAlexandro Oliver
04 de setembro de 2026 às 21:59· Atualizado em 04/09/2026 às 22:18

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Casa de Oxumarê, um dos mais antigos e tradicionais terreiros de Candomblé da Bahia, celebrou seus 190 anos de história em 2026
Casa de Oxumarê, um dos mais antigos e tradicionais terreiros de Candomblé da Bahia, celebrou seus 190 anos de história em 2026André Souza/Divulgação
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Tradicional Ajodun da Casa de Oxumarê, em Salvador, será levado à Marquês de Sapucaí pela Unidos do Jacarezinho.

A tradicional Festa de Oxumarê, também conhecida como Ajodun, realizada pela Casa de Oxumarê, em Salvador, será tema do enredo da Unidos do Jacarezinho no Carnaval do Rio de Janeiro de 2027. A escola levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Ajodun Oxumarê – O dia em que o arco-íris tocou a Terra”, em uma narrativa que pretende apresentar ao público a trajetória do orixá a partir da perspectiva de um filho de Oxumarê. O desfile está previsto para 5 de fevereiro, quando a agremiação será a segunda escola a passar pela Avenida. A proposta une ancestralidade, tradição afro-brasileira, transformação e renovação, além de fazer parte da preparação da escola para a disputa pelo retorno ao Grupo Especial.

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Festa de Oxumarê chega à Marquês de Sapucaí

A escolha da Festa de Oxumarê como tema coloca uma tradição do Candomblé baiano no centro da narrativa carnavalesca do Rio de Janeiro.

Realizada pela Casa de Oxumarê, em Salvador, a celebração conhecida como Ajodun está diretamente relacionada à tradição e à ancestralidade preservadas pela comunidade religiosa.

Para a Unidos do Jacarezinho, a proposta não será apenas apresentar uma referência religiosa ao público. O enredo foi construído a partir de uma perspectiva narrativa que pretende aproximar a história de Oxumarê de questões humanas, como transformação, pertencimento, autoconhecimento e renovação.

Os enredistas Mateus Pranto, Raphael Homem e João Gabriel são responsáveis pela concepção do enredo. A ideia é conduzir o público por uma história contada a partir do olhar de um filho de Oxumarê.

Ajodun Oxumarê – O dia em que o arco-íris tocou a Terra“Ajodun Oxumarê – O dia em que o arco-íris tocou a Terra” é o enredo da Unidos do Jacarezinho para o Carnaval do Rio de Janeiro de 2027 — Foto: Reprodução/Facebook/@unidosdojacarezinhooficial

Essa escolha permite que a narrativa carnavalesca dialogue com experiências que ultrapassam a dimensão religiosa, apresentando conceitos relacionados às mudanças da vida, à identidade e à busca por pertencimento.

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O que é o Ajodun de Oxumarê?

No contexto das religiões de matriz africana, como o Candomblé, Ajodun é uma festa sagrada ou celebração litúrgica anual dedicada a um Orixá específico. No caso de Oxumarê, a celebração reúne tradição, fé e ancestralidade, mantendo viva uma prática transmitida entre gerações.

Para a Unidos do Jacarezinho, o Ajodun se torna o ponto de partida para uma narrativa sobre Oxumarê e os sentidos simbólicos associados à transformação, à renovação e aos ciclos da vida.

A proposta da escola é levar para a Marquês de Sapucaí elementos da tradição afro-brasileira e da ancestralidade, apresentando ao público parte da riqueza cultural e religiosa presente na Bahia.

“Ajodun Oxumarê – O dia em que o arco-íris tocou a Terra”

O título do enredo estabelece uma conexão simbólica entre Oxumarê, representado pelo arco-íris, e a relação entre o sagrado, a natureza e a Terra.

Oxumarê, ancestralidade e transformação no enredo

A narrativa anunciada pela Unidos do Jacarezinho aposta em uma perspectiva que coloca um filho de Oxumarê como personagem condutor da história.

A partir desse olhar, a trajetória do orixá será relacionada a temas como autoconhecimento, pertencimento e transformação.

A escolha desses elementos também reforça uma característica histórica do Carnaval: a capacidade de transformar referências culturais, sociais e religiosas em grandes narrativas visuais e musicais.

Neste caso, a escola pretende destacar a presença da tradição afro-brasileira e da ancestralidade na formação cultural brasileira.

O desafio será transportar para a Marquês de Sapucaí uma celebração profundamente ligada ao universo do Candomblé sem perder a dimensão narrativa que caracteriza um desfile de escola de samba.

A proposta anunciada é justamente aproximar o público dessa história por meio de uma linguagem carnavalesca.

Mais do que apresentar um personagem, o enredo busca construir uma jornada marcada pela transformação.

Carnaval do Rio 2027 terá outras referências baianas

A presença da Bahia no Carnaval carioca de 2027 não ficará restrita à Festa de Oxumarê.

Outras escolas também anunciaram enredos relacionados a personagens e obras fundamentais da cultura baiana.

A Paraíso do Tuiuti levará para a Sapucaí a história de Tia Ciata, importante personagem da história do samba, com o enredo “Ciata: a mãe preta do samba”.

Já a Unidos de Vila Isabel apresentará a obra Torto Arado, do escritor baiano Itamar Vieira Junior. O enredo será “Torto Arado – Sobre a terra há de viver sempre o mais forte”.

Com diferentes abordagens, os enredos colocam a cultura, a memória e a contribuição da Bahia para a identidade brasileira em evidência no Carnaval do Rio.

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Pai Bobó de Iansã também será homenageado

A presença da tradição afro-brasileira no Carnaval de 2027 também aparece em uma homenagem anunciada pela Mocidade Amazonense, escola de samba do litoral paulista.

A agremiação anunciou o tema “Ilê Asé Oyá Messã Orun – No Sagrado do Axé, a Ancestralidade Viva de José Bispo dos Santos”, dedicado a José Bispo dos Santos, conhecido como Pai Bobó de Iansã.

Iniciado na Casa de Oxumarê, em Salvador, Pai Bobó teve uma trajetória ligada à expansão do Candomblé baiano para a região Sudeste.

Segundo as informações apresentadas sobre sua trajetória, ele levou conhecimentos e práticas do Axé para o Sudeste e iniciou milhares de filhos de santo.

A homenagem ganha ainda mais significado quando observada ao lado do enredo da Unidos do Jacarezinho. São diferentes escolas e diferentes narrativas, mas com um ponto de encontro: a valorização da ancestralidade e da contribuição das tradições de matriz africana para a cultura brasileira.

Leia também: Casa do Pai Bobó pode ser 1º terreiro no estado de São Paulo protegido pelo Iphan

Um Carnaval marcado pela memória e pelo Axé

A presença de Oxumarê, Tia Ciata, Torto Arado e Pai Bobó de Iansã em diferentes propostas carnavalescas mostra como a Bahia continua sendo uma importante fonte de referências para a cultura popular brasileira.

No caso da Unidos do Jacarezinho, a Festa de Oxumarê será o ponto central de uma narrativa que pretende levar para a Avenida uma tradição da Casa de Oxumarê e apresentar ao público uma história sobre transformação, pertencimento e renovação.

O desfile acontecerá em 5 de fevereiro de 2027, na Marquês de Sapucaí, com a Unidos do Jacarezinho como segunda escola da noite.

Para além da disputa pelo retorno ao Grupo Especial, o enredo representa uma oportunidade de colocar uma tradição do Candomblé baiano em uma das maiores vitrines culturais do país.

E, quando o Carnaval transforma o conhecimento ancestral em samba, fantasia e narrativa, a Avenida também pode se tornar espaço de memória.

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