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Mãe Carmem de Oxum morre aos 73 anos e deixa legado no Axé

Redação Blé NewsRedação Blé News
12 de junho de 2026 às 19:36· Atualizado em 14/06/2026 às 21:46

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Mãe Carmem de Oxum segue para o Orum aos 73 anos em São Paulo
Mãe Carmem de Oxum segue para o Orum aos 73 anos em São PauloReprodução

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Yalorixá referência do Candomblé paulista faleceu nesta sexta-feira (12); causa da morte ainda não foi divulgada.

A yalorixá Mãe Carmem de Oxum, uma das principais lideranças do Candomblé em São Paulo, faleceu nesta sexta-feira (12), aos 73 anos. A informação foi divulgada pelo Ilê Olá Omi Asé Opô Àráká, casa de axé fundada e conduzida pela sacerdotisa. Até o momento, a causa da morte não foi informada pela família ou pela comunidade religiosa.

Nascida em 2 de julho de 1952, na cidade de Curvelo, em Minas Gerais, Mãe Carmem construiu uma trajetória marcada pela defesa das religiões de matriz africana, pelo acolhimento espiritual e pela luta contra a intolerância religiosa. Sua partida gerou grande comoção entre terreiros, lideranças religiosas e admiradores que acompanharam sua caminhada ao longo de décadas.

"Mãe Carmem deixa um legado de resistência, acolhimento e fortalecimento das tradições do Candomblé."

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Mãe Carmem de Oxum e sua trajetória de fé

Mãe Carmem de Oxum — Foto: Robson Khalaf

Filha de uma família humilde, Mãe Carmem mudou-se ainda criança para São Paulo. Apesar das dificuldades financeiras enfrentadas durante a infância, cresceu cercada por valores de respeito, dignidade e solidariedade.

Desde muito jovem demonstrava forte sensibilidade espiritual. Entretanto, foi aos 15 anos, durante um problema de saúde, que recebeu o chamado definitivo para sua missão religiosa.

A partir desse momento iniciou seu desenvolvimento dentro do Candomblé, tornando-se uma das mais respeitadas yalorixás do estado de São Paulo.

Com perseverança, construiu sua própria Casa de Axé e dedicou a vida ao acolhimento de pessoas em busca de orientação espiritual, aconselhamento e fortalecimento de sua fé.

O legado da líder religiosa para o Candomblé paulista

Ao longo de décadas, Mãe Carmem consolidou seu nome como referência na preservação das tradições afro-brasileiras.

Orgulhosa filha de Oxum, sempre destacou a importância da ancestralidade, da valorização da cultura negra e do respeito às religiões de matriz africana.

Sua casa religiosa tornou-se um importante símbolo de resistência cultural e espiritual, sendo reconhecida pelo trabalho desenvolvido junto à comunidade.

Além da atuação religiosa, participou de importantes espaços institucionais de diálogo e construção de políticas públicas.

Leia também: Fé, memória e resistência: CONPRESP aprova tombamento de quatro terreiros

Mãe Carmem também teve papel relevante na representação das religiões de matriz africana junto ao poder público.

Ela integrou o Comitê Gestor da Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, atuando em pautas relacionadas à liberdade religiosa e ao combate à discriminação.

Seu trabalho ajudou a ampliar a visibilidade das comunidades tradicionais de terreiro e fortalecer o diálogo entre o Estado e os povos de axé.

A sacerdotisa sempre foi lembrada por seu carisma, sua postura acolhedora e sua firme defesa dos direitos da população negra e das tradições afro-brasileiras.

Participação em campanhas e reconhecimento público

A influência de Mãe Carmem ultrapassou os limites dos terreiros.

Em 2022, participou da campanha "Cabe Tudo Numa Hering", ação social que destinou integralmente os recursos obtidos com a venda de uma edição especial da camiseta World Branca ao Instituto Identidades do Brasil (ID_BR).

A participação reforçou a importância da representatividade das lideranças religiosas negras em espaços de grande visibilidade nacional.

Sua imagem ficou associada aos valores de acolhimento, amor, beleza e maternidade, características frequentemente relacionadas ao arquétipo de Oxum.

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Comunidade do Candomblé lamenta a partida

Diversos terreiros e lideranças religiosas utilizaram as redes sociais para manifestar pesar pela morte da yalorixá.

Entre as homenagens está a do Ilé Àṣẹ Ojú Onírè, que destacou a importância de sua trajetória, dos ensinamentos transmitidos e do legado deixado para as futuras gerações.

O Ilê Aláketú Àṣẹ Airá também publicou mensagem emocionada, classificando Mãe Carmem como uma "verdadeira dama do Candomblé" e ressaltando sua postura ética, respeitosa e inspiradora.

As manifestações demonstram o impacto que sua atuação teve não apenas dentro de sua comunidade religiosa, mas em todo o universo das religiões de matriz africana.

Cerimônias e despedida

Até o fechamento desta matéria, não haviam sido divulgadas informações oficiais sobre velório, sepultamento ou demais cerimônias fúnebres.

Enquanto familiares, filhos de santo e admiradores se despedem, permanece viva a memória de uma mulher que dedicou sua vida à espiritualidade, ao acolhimento e à defesa do povo de axé.

Mãe Carmem de Oxum segue agora sua caminhada ancestral, deixando um legado que continuará inspirando gerações.

Novas atualizações serão divulgadas nessa matéria assim que os detalhes forem confirmados.

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