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Milei proíbe jornalistas na Casa Rosada e os chama de "lixo"

Redação Blé NewsRedação Blé News
24 de abril de 2026 às 22:47

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Milei bloqueou a imprensa na Casa Rosada
Milei bloqueou a imprensa na Casa RosadaReprodução/Wikipedia

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Após xingar profissionais de "lixo nojento", presidente argentino alega "segurança nacional" para barrar imprensa. Críticos falam em ditadura.

O governo da Argentina, sob o comando do presidente Javier Milei (LLA), publicou uma medida que proíbe o acesso de jornalistas credenciados à Casa Rosada, a sede do poder executivo em Buenos Aires. A decisão, justificada oficialmente como uma questão de “segurança nacional”, ocorre após um episódio em que uma emissora de TV usou óculos inteligentes para gravar imagens do interior do palácio. Em resposta ao fato, Milei chamou os jornalistas envolvidos de “lixo nojento”, inflamando ainda mais a tensão entre o governo e a imprensa argentina.

A reação das entidades de imprensa foi imediata e unânime. Em nota conjunta, os jornalistas credenciados — agora impedidos de acesso — classificaram a decisão como injustificável e alertaram para um precedente perigoso.

Negar o acesso aos repórteres sugere um ataque explícito à liberdade de imprensa, à prática do jornalismo e ao direito do público de acessar as informações”, defenderam os profissionais no texto.

O episódio não é isolado. Javier Milei tem um histórico de confrontos verbais com veículos de comunicação, alternando entre insultos em suas redes sociais e ataques diretos durante entrevistas coletivas. A gota d'água, no entanto, foi a divulgação das imagens obtidas com a tecnologia de óculos inteligentes.

O governo argentino classificou a gravação como “espionagem ilegal” e não como um ato jornalístico. Para as autoridades, a medida de barrar o acesso de todos os credenciados é uma resposta proporcional para garantir a segurança das informações sigilosas do Estado. A justificativa, no entanto, é vista com ceticismo por especialistas em direito constitucional.

O eco das críticas: “Nem na ditadura” 

A Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa) foi além, manifestando “máxima preocupação” com o que chamou de decisão sem precedentes. Em nota, a entidade ressaltou que a medida “não encontra precedentes na vida democrática argentina”, um alerta grave considerando o histórico político do país.

A oposição rapidamente se mobilizou. A deputada federal Mónica Frade, uma das vozes críticas ao governo Milei, fez uma declaração contundente:

O fechamento do comitê de imprensa da Casa do governo em um país democrático é o pior símbolo possível da fragilidade da democracia argentina”.

A deputada ainda lembrou um fato histórico de peso: o acesso irrestrito dos jornalistas à Casa Rosada não foi suspenso nem mesmo durante a última ditadura militar argentina (1976-1983).

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A Adepa já protocolou um pedido formal para que a proibição seja revista “com urgência”. A expectativa é que o caso ganhe contornos judiciais, podendo chegar à Corte Suprema argentina.

Enquanto isso, a comunidade internacional de imprensa observa atenta. A decisão de Milei pode servir como um termômetro para a liberdade de expressão na região e certamente inflamará o debate sobre os limites entre a segurança nacional e o direito à informação em tempos de novas tecnologias.

Com informações da Agência Brasil 

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