BleNews
Justiça

STF tem bate-boca entre Gilmar e Mendonça em sessão

Redação Blé NewsRedação Blé News
15 de setembro de 2026 às 17:39· Atualizado em 15/09/2026 às 18:16

Compartilhar notícia

Ministro do STF Gilmar Mendes com fala na sessão do julgamento que analisa a possibilidade de abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes
Ministro do STF Gilmar Mendes com fala na sessão do julgamento que analisa a possibilidade de abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de MoraesReprodução/TV Justiça

Sessão sobre possível investigação de Moraes teve acusações de “leviandade” e pedido de calma de Fachin.

O Supremo Tribunal Federal (STF) viveu uma das sessões mais tensas de sua história recente nesta terça-feira (15), durante o julgamento que analisa a possibilidade de abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Logo no início dos trabalhos, um confronto verbal entre Gilmar Mendes e André Mendonça elevou a temperatura do plenário, com acusações de atuação político-eleitoral, “leviandade” e falta de respeito. O presidente da Corte, Edson Fachin, precisou pedir calma e serenidade aos colegas. A sessão foi posteriormente suspensa às 13h 13h com previsão de retomada às 14h.

📱> Entre no canal do Blé News no WhatsApp

O julgamento envolve a Petição 16.662 e um relatório da Polícia Federal produzido a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro. O material reúne mensagens atribuídas a conversas entre o empresário e Moraes e está no centro da discussão sobre a necessidade — ou não — de uma investigação formal contra o ministro.

Continue a leitura após a publicidade

STF é palco de confronto entre Gilmar e Mendonça

A tensão começou quando Gilmar Mendes passou a criticar a atuação de André Mendonça em procedimentos relacionados ao Banco Master.

Gilmar questionou, principalmente, a divulgação de informações envolvendo Moraes e Vorcaro às vésperas do julgamento e afirmou enxergar uma possível condução com caráter "político-eleitoral". O ministro chegou a dizer que determinadas atitudes poderiam arrastar o Supremo para o que classificou como um “campo de batalha eleitoral”.

Gilmar afirmou.

"Há claramente uma orientação político-eleitoral" e — referindo-se à escolha do dia 7 de setembro como data-chave — comentou: "Pessoas decentes não fazem coisas assim". Ele também acusou Mendonça de não ter "espírito de colegiado" e questionou se a Polícia Federal havia vazado informações.

A crítica provocou reação imediata de Mendonça.

"O senhor está falando bobagem", e exigiu que Gilmar "parasse de apontar o dedo" para ele, enfatizando que não estava "falando com qualquer um" e insistindo para que Gilmar "respeitasse a Corte". 

O ministro afirmou que as declarações de Gilmar eram “levianas” e pediu que o colega não apontasse o dedo para ele. Em seguida, defendeu o respeito à Corte e à sua atuação no processo.

Gilmar respondeu em tom igualmente duro, afirmando.

"Quem não se respeita não merece respeito".

O episódio expôs publicamente uma divergência que vinha crescendo nos bastidores do Supremo em torno da condução do caso Banco Master e da divulgação dos dados obtidos pela Polícia Federal.

Gilmar e Mendonça divergem sobre atuação no caso Master

A disputa não surgiu isoladamente durante a sessão.

Nos dias que antecederam o julgamento, ministros do STF já haviam protagonizado divergências sobre o acesso ao conteúdo extraído do celular de Daniel Vorcaro. Gilmar Mendes e Cristiano Zanin haviam solicitado à Polícia Federal acesso integral ao material, que acabou sendo encaminhado aos gabinetes dos ministros.

Mendonça, que anteriormente era o relator de parte dos procedimentos envolvendo o Banco Master, havia argumentado que a liberação indiscriminada dos dados poderia prejudicar investigações em andamento e tumultuar o julgamento.

Gilmar e Mendonça divergem sobre atuação no caso MasterSTF: Gilmar, Mendonça e Moraes protagonizam sessão tensa — Foto: Fellipe SampaioSTF

No sábado (12), porém, Fachin assumiu a relatoria do procedimento envolvendo Moraes e Vorcaro. A decisão ocorreu depois que o presidente do STF concentrou em seu gabinete processos relacionados ao caso e considerou a possibilidade de impedimentos no julgamento.

Leia também: Banco Master: queda de braço no STF terá novo capítulo em Brasília

Alexandre de Moraes também entra no embate

O clima ficou ainda mais tenso quando Alexandre de Moraes e André Mendonça também trocaram acusações durante a sessão.

Moraes contestou a condução do procedimento e questionou a atuação de Mendonça. Segundo relatos da sessão, o ministro afirmou haver elementos que indicariam uma possível “manobra orquestrada”.

Mendonça rebateu as afirmações e acusou Moraes de apresentar informações falsas.

O confronto entre os ministros aumentou a pressão sobre Fachin, que presidia a sessão e precisou intervir para tentar restabelecer a normalidade dos trabalhos. O presidente do Supremo apelou à “calma” e à “serenidade” dos integrantes da Corte.

A situação chamou atenção justamente porque o plenário do STF raramente expõe conflitos internos com esse grau de intensidade diante das câmeras.

Caso Moraes e Vorcaro chega ao plenário

No centro da discussão está um relatório da Polícia Federal elaborado a partir de informações encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O documento apresenta mensagens atribuídas a conversas entre Vorcaro e Moraes e foi tornado público por Mendonça no contexto das apurações sobre o caso.

A partir dessas informações, o STF passou a discutir se existem elementos suficientes para justificar uma investigação formal envolvendo Moraes. A possibilidade é considerada excepcional porque envolveria a abertura de apuração contra um integrante da própria Corte.

Moraes nega irregularidades e questiona a forma como as informações foram utilizadas. O ministro também critica a atuação de Mendonça no caso.

O episódio ocorre em meio a uma crise institucional que envolve diferentes ministros do Supremo e investigações relacionadas ao Banco Master.

Sessão do STF é suspensa e julgamento continua

Apesar da expectativa em torno de uma decisão nesta terça-feira, o plenário não encerrou a análise durante a primeira parte da sessão.

Os trabalhos foram suspensos ás 13h com previsão de retomada às 14h. Antes da interrupção, ministros também discutiram questões processuais, impedimentos e a própria condução do julgamento.

O presidente Edson Fachin chegou a defender o adiamento de uma análise relacionada à atuação de Mendonça para 23 de setembro, mantendo separados os procedimentos que envolvem os dois ministros.

A movimentação mostra que o caso ultrapassou a discussão sobre as mensagens de Vorcaro e passou a envolver diretamente a forma como o próprio Supremo administra possíveis conflitos de interesse entre seus integrantes.

O que está em jogo no julgamento

O principal ponto é definir se o material produzido pela Polícia Federal pode ser utilizado e se existem elementos que justifiquem uma investigação contra Alexandre de Moraes.

O resultado poderá ter impacto não apenas jurídico, mas também institucional e político, diante da proximidade das eleições presidenciais e da crescente disputa em torno da atuação do Supremo.

Ao mesmo tempo, a troca de acusações entre Gilmar Mendes, André Mendonça e Alexandre de Moraes tornou o julgamento ainda mais sensível.

Mais do que decidir o destino de uma eventual investigação, a Corte enfrenta o desafio de demonstrar que consegue conduzir um processo envolvendo seus próprios integrantes com transparência, equilíbrio e respeito às regras institucionais.

Leia também:

PGR aponta ilegalidade em investigação sobre Moraes e Vorcaro

Mendonça quer que o STF analise diálogos atribuídos a Vorcaro e Moraes