Terremoto no Chile assusta bairros de São Paulo

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Magnitude de 2,3 graus em SP; Defesa Civil recebeu 50 ligações. Entenda o fenômeno geológico.
Moradores de São Paulo sentiram a cidade tremer na noite dessa segunda-feira (26). O motivo, curioso à primeira vista, veio de muito longe: um terremoto no Chile de magnitude 6,9. O fenômeno, registrado por volta das 18h52 (horário de Brasília), teve reflexos diretos em bairros como Lapa, Mooca, Santana e Ermelino Matarazzo. A Defesa Civil da capital recebeu cerca de 50 telefonemas de moradores assustados. Em prédios, o susto foi ainda maior — mas, afinal, como uma região tão distante pode causar tremores aqui?
Você está em casa, tranquilo, assistindo à TV, e de repente sente uma tontura. Olha para o aquário e vê a água balançar. Parece loucura, mas foi exatamente o que aconteceu com o morador Kauhe Ferrari, no Jaguaré, Zona Oeste.
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A resposta está no chão que pisamos. Diferente do que muitos pensam, São Paulo não está em uma placa tectônica estável como uma mesa de sinuca. A capital paulista fica sobre uma bacia sedimentar — uma espécie de "travesseiro geológico" de rochas e sedimentos.
Segundo o Centro de Sismologia da USP, essa formação tem uma característica específica: ela amplifica as ondas sísmicas. Imagine um sino. Se você bate nele no meio do campo, o som se dissipa. Agora, bata dentro de um túnel. O eco é muito maior. A bacia sedimentar paulista funciona como esse túnel para as ondas geradas por terremotos nos Andes.
Dados técnicos explicam o susto
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Magnitude original: 6,9 graus (norte do Chile, leste da cidade de Calama).
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Profundidade: 101,3 km.
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Magnitude sentida em SP: 2,3 graus, segundo o Instituto Astronômico e Geofísico da USP.
Em números de geologia, 2,3 graus é considerado um tremor fraco. Em termos de susto, porém, foi suficiente para desocupar mentes e gerar pânico nas redes sociais.
"Eu senti minha cabeça chacoalhando de um lado para o outro. Achei que ia desmaiar. Quando passei pelo aquário, vi a água de um lado para o outro." — Kauhe Ferrari, morador do Jaguaré.
Assim que as ligações começaram a chegar, a Defesa Civil mobilizou equipes para vistorias. A boa notícia: não houve danos estruturais em nenhuma edificação vistoriada. O Corpo de Bombeiros também não registrou ocorrências relacionadas ao tremor.
A maior parte dos chamados veio de andares mais altos de prédios. Isso tem lógica: quanto mais elevado o andar, maior a sensação de balanço. É como balançar uma vara de pescar segurando pela base — a ponta se move muito mais.
Reações nas redes e outros locais afetados — Foto: Reprodução/g1
Enquanto a Defesa Civil fazia seu trabalho, o X (antigo Twitter) pegava fogo. Moradores relataram tudo:
"Senti tudo balançando no Shopping Interlagos."
"Achei que era doideira da minha cabeça, mas vi que mais gente sentiu aqui em São Paulo."
"Sentimos o terremoto do Chile 9 minutos depois na Vila Romana."
O fenômeno não se restringiu à capital. Em Santos, no litoral paulista, moradores também relataram a mesma sensação estranha.
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E do lado de lá, como ficou a situação?
Enquanto os paulistanos corriam para as escadas, no Chile o cenário foi bem diferente — e, felizmente, muito menos dramático.
O terremoto de 6,9 graus que assustou São Paulo teve seu epicentro a leste de Calama, na região norte do país. Apesar da magnitude expressiva, a agência Reuters confirmou: não houve mortos, nem feridos, nem danos a edificações.
Por quê? A resposta está na profundidade. O tremor aconteceu a mais de 100 km abaixo da superfície. Em termos simples: foi um susto lá embaixo, mas que perdeu força antes de chegar ao chão. Se fosse raso, o estrago poderia ser enorme. Como foi profundo, o solo chileno praticamente "amorteceu" o impacto.
Ou seja: o Chile tremeu forte, mas saiu ileso. E São Paulo, a mais de 3 mil km de distância, sentiu apenas o eco desse movimento.
Isso é comum? Devo me preocupar?
Segundo o Centro de Sismologia da USP, sim, é comum. Terremotos como esse ocorrem com frequência nos Andes. A diferença é a magnitude. Quando ela ultrapassa certo limite e a profundidade é favorável, São Paulo sente.
A resposta curta para não se preocupar: a Defesa Civil está preparada. As vistorias não encontraram riscos. A bacia sedimentar amplifica as ondas, mas a energia que chega aqui é muito reduzida.
O maior risco, como ficou evidente, foi cardíaco — do susto.
Com informações da Agência Brasil e g1
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